Pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduzir o prazo para um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, Moscou voltou a bombardear diversas regiões ucranianas. Os ataques mais recentes, realizados entre segunda (28) e terça-feira (29), deixaram ao menos 22 mortos, segundo autoridades locais.
Entre os alvos atingidos estavam uma penitenciária na região de Zaporizhzhia, um hospital em Kamianske e áreas residenciais em Dnipropetrovsk. De acordo com Andriï Iermak, chefe da administração presidencial da Ucrânia, o ataque à prisão matou 16 pessoas e feriu outras 35.
Em publicação na rede X (antigo Twitter), Iermak classificou a ofensiva como mais um “crime de guerra” cometido pela Rússia e pediu a aplicação de novas sanções econômicas e militares por parte da comunidade internacional. “O regime de Putin precisa ser contido antes que avance ainda mais”, afirmou.
Ataques considerados deliberados por Kiev
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também se pronunciou nas redes sociais. Ele confirmou que o número total de mortos subiu para 22 e declarou que os ataques foram deliberados. Uma das vítimas, segundo ele, era uma jovem grávida de 23 anos que estava no hospital de Kamianske no momento do bombardeio.
“Cada ataque russo, quando poderia haver paz, mostra que Moscou deve ser punida com sanções mais duras, eficazes e imediatas”, disse Zelensky“. A Rússia precisa ser forçada a parar com os assassinatos e aceitar um acordo de paz.”
Na região de Dnipropetrovsk, as comunidades de Mezhyivska, Dubovykivska e Slovianska foram atingidas por drones explosivos e bombas guiadas, resultando em pelo menos quatro mortos e oito feridos, segundo o governador local, Sergiï Lysak.
Resposta ao Ocidente e ao ultimato de Trump
Os ataques aconteceram poucas horas após Trump, em visita à Escócia, declarar que Moscou teria até 8 de agosto para cessar os combates, sob pena de enfrentar tarifas comerciais de até 100%. A postura mais rígida do presidente norte-americano havia sido vista com otimismo por Kiev.
Zelensky agradeceu a Trump pelas declarações, classificando-as como um gesto de apoio importante “em um momento decisivo em que a paz ainda pode ser alcançada”.
Apesar das ameaças dos EUA, o Kremlin manteve sua ofensiva, especialmente em áreas que reivindica como território russo desde o início do conflito, em 2022. A comunidade internacional, por sua vez, continua tratando essas regiões como parte integrante da Ucrânia, condenando a ocupação russa como ilegal.




