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Setembro Amarelo leva acolhimento e informação sobre saúde mental à comunidade de Várzea Grande

Atividade realizada na Unidade de Saúde da Família do Jardim Santa Isabel utilizou dinâmicas para estimular a escuta, o diálogo e a atenção aos sinais de sofrimento emocional.

🕒 Publicado em 15/09/2026 às 14:41

Falar sobre saúde mental nem sempre é fácil. Muitas vezes, sentimentos como ansiedade, medo, tristeza e insegurança são mantidos em silêncio até que passem a interferir de maneira significativa na rotina. Para criar um espaço de diálogo e acolhimento, a Unidade de Saúde da Família do Jardim Santa Isabel, em Várzea Grande, promoveu uma manhã especial dentro da programação do Setembro Amarelo.

A iniciativa foi organizada pela equipe da unidade, sob responsabilidade da enfermeira Cida Campos, e buscou aproximar a discussão sobre saúde mental da população de maneira descontraída, participativa e acessível.

Mais do que levar informação, a ação criou um ambiente para que os participantes pudessem falar sobre sentimentos, ouvir experiências e compreender a importância de procurar ajuda quando perceberem que algo não está bem.

Dinâmicas estimularam expressão dos sentimentos

A programação começou com uma sessão de alongamento conduzida pelo professor de Educação Física Jonas, preparando os pacientes para as atividades propostas ao longo da manhã.

Na sequência, a equipe realizou a dinâmica “Explosão de Alívio: você não está sozinho”. A atividade utilizou balões com palavras relacionadas a sentimentos e situações que podem fazer parte da vida de muitas pessoas, entre elas medo, raiva, ansiedade e insegurança.

Cada participante escolhia um balão que representasse aquilo que estava sentindo naquele momento. Ao estourá-lo, encontrava uma mensagem de encorajamento, transformando a atividade em uma oportunidade de reflexão e ressignificação das emoções.

A dinâmica continuou com o uso de uma corda, que serviu como uma representação simbólica para que os participantes pudessem liberar aquilo que estava guardado.

A proposta, de forma simples e lúdica, buscou mostrar que reconhecer e expressar sentimentos também faz parte do cuidado com a saúde mental.

Experiência pessoal reforçou importância da escuta

Entre os participantes estava a aposentada Maria Lúcia Zanon Ramos, de 64 anos, que compartilhou uma experiência pessoal relacionada ao período em que enfrentou depressão.

Ela contou que, durante o tratamento, chegou a interromper a medicação por conta própria. Em um momento de fragilidade emocional, procurou a unidade de saúde nervosa e chorando e encontrou profissionais dispostos a ouvi-la e orientá-la.

Maria Lúcia também relembrou a importância do apoio recebido durante o tratamento contra o câncer e destacou como ter alguém disponível para ouvir pode fazer diferença em momentos difíceis.

Durante a dinâmica, ela escolheu a mensagem “Bota para fora tudo que está dentro do meu coração”. Em seguida, utilizou a corda com força, simbolizando a tentativa de colocar para fora sentimentos que carregava consigo.

A experiência mostrou, na prática, um dos principais objetivos da ação: criar um espaço em que as pessoas possam se sentir seguras para falar e buscar apoio.

Mudanças de comportamento merecem atenção

O médico de família Anderson Leal também participou da programação e conversou com os pacientes sobre a importância de observar mudanças de comportamento em familiares, amigos e pessoas próximas.

Alterações na maneira de agir, no isolamento, na comunicação ou em atitudes do dia a dia podem indicar que uma pessoa está passando por algum tipo de sofrimento emocional.

A orientação é não ignorar esses sinais. As unidades de saúde podem realizar o primeiro acolhimento, oferecer orientação e, quando necessário, encaminhar o paciente para outros serviços da rede de atendimento.

Saúde pública também tem papel no acolhimento

Para a gerente da unidade, Maristela de Moraes, ações desenvolvidas diretamente com a comunidade fortalecem o papel da saúde pública na prevenção e no cuidado.

Segundo ela, levar o debate para dentro da unidade permite que os moradores tenham acesso a informações e saibam que podem procurar ajuda quando enfrentarem situações relacionadas à saúde mental.

A enfermeira Cida Campos, responsável técnica pela unidade, reforçou que o cuidado não deve ficar restrito ao mês de setembro.

Para ela, o Setembro Amarelo ajuda a ampliar a conscientização, mas a atenção à saúde mental precisa fazer parte da rotina dos serviços de saúde durante todo o ano.

Atenção especial aos adolescentes

Um dos pontos destacados pela enfermeira foi a necessidade de familiares, educadores e profissionais de saúde estarem atentos às mudanças de comportamento entre adolescentes.

Cida relatou que a unidade já recebeu situações envolvendo jovens em sofrimento emocional e com sinais de automutilação.

Em um dos casos, uma adolescente chegou à unidade acompanhada pela coordenadora da escola. A jovem apresentava comportamento retraído, falava pouco e costumava usar roupas de manga comprida mesmo em dias quentes.

A escola, inicialmente, não havia identificado a razão daquele comportamento, mas decidiu procurar orientação na unidade de saúde.

Após o acolhimento e a avaliação da situação, a equipe identificou sinais que exigiam atenção e realizou o encaminhamento adequado para acompanhamento especializado.

A enfermeira explica que determinadas mudanças podem passar despercebidas quando não existe um olhar atento. Por isso, familiares e profissionais precisam observar alterações persistentes na rotina e no comportamento dos adolescentes.

Atendimento é feito em rede

Quando a situação exige acompanhamento especializado, os pacientes podem ser encaminhados para serviços da Rede de Atenção Psicossocial, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

O atendimento também pode envolver outros profissionais especializados e ações desenvolvidas em conjunto com iniciativas como o Programa Saúde na Escola, conforme as necessidades identificadas em cada caso.

A atividade realizada no Jardim Santa Isabel reforçou que falar sobre saúde mental vai além de campanhas pontuais. O diálogo, a escuta e a identificação precoce de sinais de sofrimento podem contribuir para que pessoas em situação de vulnerabilidade encontrem apoio antes que o problema se agrave.

A mensagem deixada pela ação é simples, mas fundamental: pedir ajuda não é sinal de fraqueza, e ninguém precisa enfrentar sozinho aquilo que está sendo difícil suportar.

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