Lionel Messi se despediu definitivamente da seleção argentina na última terça-feira (6), após a vitória por 3 a 0 sobre Benin, em Buenos Aires. Aos 39 anos e chegando também à reta final de sua carreira nos clubes, o atacante encerra uma trajetória marcada por números que podem permanecer entre os maiores registros da história do futebol.
Indicado à Bola de Ouro de 2026, Messi terminou sua passagem pela seleção argentina com 207 partidas e 125 gols. Também disputou seis edições da Copa do Mundo, acumulando 34 jogos e 3.055 minutos em campo.
A longevidade internacional é justamente um dos aspectos que tornam seus recordes mais difíceis de serem alcançados. Para repetir algumas dessas marcas, um jogador precisaria permanecer durante aproximadamente duas décadas no mais alto nível, disputar sucessivos Mundiais e continuar sendo protagonista pela própria seleção.
Seis Copas do Mundo e 34 partidas
Messi participou das Copas do Mundo de 2006, na Alemanha; 2010, na África do Sul; 2014, no Brasil; 2018, na Rússia; 2022, no Qatar; e 2026, disputada no Canadá, México e Estados Unidos.
Ao longo dessas seis participações, o argentino disputou 34 partidas, número que o colocou no topo do ranking de jogos em Mundiais, além de acumular 3.055 minutos.
A marca de seis Copas é compartilhada com Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa. O que torna o feito especialmente difícil de ser repetido é a combinação de fatores necessários: uma seleção classificada para vários torneios consecutivos, longevidade, regularidade física e desempenho suficiente para garantir convocações durante tantos anos.
Messi estreou em um Mundial como jovem reserva em 2006 e chegou à sua sexta participação aos 39 anos. Nesse intervalo, disputou uma final e conquistou o título mundial de 2022.
125 gols e 207 jogos pela Argentina
Messi também encerrou sua trajetória como o jogador que mais vezes vestiu a camisa da seleção argentina e como seu maior artilheiro.
Foram 207 partidas e 125 gols. O volume de jogos representa mais de duas décadas de presença no futebol internacional, enquanto a marca de gols ampliou de maneira significativa a distância em relação aos principais artilheiros anteriores.
Gabriel Batistuta, que durante anos ocupou a liderança da artilharia argentina, terminou sua carreira com 54 gols. Messi não apenas superou o número como marcou mais que o dobro.
Cristiano Ronaldo ainda possui mais partidas pela seleção em números gerais, com 233 jogos. Já Kylian Mbappé ultrapassou Messi na lista histórica de artilheiros da Copa do Mundo.
Os 91 gols de 2012
Entre os recordes de Messi, alguns não dependem de longevidade, mas de uma temporada excepcional.
O principal exemplo é 2012, quando o argentino marcou 91 gols somando Barcelona e seleção argentina. O Guinness World Records reconhece o número como recorde de gols marcados por um jogador em um ano civil.
Foram 79 gols pelo Barcelona e outros 12 pela Argentina. A marca superou o antigo recorde de Gerd Müller, que havia marcado 85 gols em 1972.
Na temporada 2011/12, Messi também estabeleceu o recorde de 50 gols em uma única edição de LALIGA.
Cristiano Ronaldo chegou posteriormente a 48 gols em uma temporada do Campeonato Espanhol, ficando entre os jogadores que mais se aproximaram da marca.
672 gols pelo Barcelona
A passagem pelo Barcelona produziu outra coleção de números históricos.
Messi marcou 672 gols oficiais pelo clube catalão e se tornou o maior artilheiro da história da equipe. Ao todo, disputou 778 partidas e conquistou 35 títulos.
Entre os troféus estão 10 títulos de LALIGA, sete Copas do Rei, oito Supercopas da Espanha, quatro Champions League, três Mundiais de Clubes e três Supercopas da UEFA.
Na Champions League, o argentino terminou com 129 gols em 163 partidas e quatro títulos. Cristiano Ronaldo permanece à frente na artilharia da competição, com 141 gols.
A dimensão dos números de Messi no Barcelona está diretamente ligada à sua permanência por quase duas décadas no clube e à capacidade de manter uma produção ofensiva elevada durante diferentes períodos da carreira.
Recordes que continuam sendo construídos
Mesmo depois de deixar o futebol europeu, Messi continuou acrescentando marcas à carreira.
Em maio de 2026, o argentino tornou-se o jogador mais rápido da história da MLS a alcançar 100 participações em gols na temporada regular. Para chegar ao número, precisou de apenas 64 partidas, com 59 gols e 41 assistências.
Em 29 de agosto, poucos dias antes de anunciar sua aposentadoria da seleção argentina, Messi voltou a protagonizar uma atuação de destaque pelo Inter Miami. Ele marcou quatro gols e deu uma assistência na vitória por 7 a 1 sobre o Montreal, alcançando pela primeira vez quatro gols em uma mesma partida da MLS.
Quais recordes de Messi podem durar mais?
Entre os números mais difíceis de serem superados estão justamente aqueles que exigem uma carreira extremamente longa.
As seis participações em Copas do Mundo e os 34 jogos disputados no torneio dependem de duas décadas de regularidade. Os 207 jogos e 125 gols pela Argentina também exigem uma combinação pouco comum de longevidade, desempenho e disponibilidade.
No Barcelona, os 672 gols representam outro desafio de grande proporção, principalmente porque a marca foi construída ao longo de muitos anos em um dos clubes mais importantes do futebol mundial.
Alguns recordes individuais podem ser quebrados por novas gerações. A dificuldade maior está em reproduzir o conjunto da trajetória.
A carreira de Messi combina seis Copas do Mundo, mais de duas décadas na seleção argentina, centenas de gols, títulos nacionais e internacionais e uma produção ofensiva mantida durante diferentes fases do futebol.
Mais do que números isolados, o principal legado estatístico de Messi está na combinação entre longevidade, regularidade e protagonismo. É justamente essa soma que pode tornar algumas de suas marcas referências por muitos anos.




