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Exame de sangue que identifica sinais de mais de 50 tipos de câncer chega ao Brasil

Teste Galleri utiliza análise molecular para buscar sinais de tumores antes do surgimento de sintomas e será oferecido pelo Einstein

🕒 Publicado em 07/10/2026 às 09:18

Um novo exame de sangue capaz de identificar sinais associados a mais de 50 tipos de câncer passa a estar disponível no Brasil por meio do Hospital Israelita Albert Einstein. O teste Galleri utiliza uma análise molecular para procurar indícios da doença antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Desenvolvido pela empresa norte-americana GRAIL, o exame chegou ao país por meio da Gênesis Genomics, parceria do Einstein com o Grupo Fleury.

O teste é indicado para pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais e deve ser utilizado como complemento aos métodos de rastreamento já recomendados para a população.

Entre os tipos de câncer que podem apresentar sinais identificados pelo exame estão tumores para os quais atualmente não existem estratégias de rastreamento estabelecidas, como os de pâncreas, fígado e ovário.

Exame busca alterações no DNA

O Galleri funciona por meio da análise de fragmentos de DNA livre circulante encontrados no sangue. O teste também avalia padrões de metilação, que são alterações químicas naturais capazes de fornecer informações sobre possíveis células cancerígenas e sua provável origem.

O método é diferente dos testes genéticos hereditários. Enquanto esses exames podem avaliar alterações transmitidas geneticamente e indicar predisposição a determinados tipos de câncer, o Galleri procura sinais moleculares presentes no organismo no momento da coleta.

Segundo o diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein, Dr. Nam Jin Kim, a identificação precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento.

“Quanto mais cedo um tumor é identificado, maiores tendem a ser as chances de tratamento, controle e até cura da doença, por isso a biópsia líquida para detecção precoce é tão promissora”, explicou.

Teste não substitui exames tradicionais

Apesar da possibilidade de detectar sinais relacionados a diversos tipos de câncer, o Galleri não substitui os exames de rastreamento já estabelecidos.

A orientação é que o teste seja utilizado em conjunto com estratégias existentes, como mamografia e colonoscopia, entre outros exames indicados de acordo com cada caso.

O oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein, Dr. Fernando Moura, reforçou que o exame deve atuar como uma ferramenta complementar.

“Hoje, o rastreamento de rotina é recomendado para apenas cinco tipos de câncer: mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata. O Galleri não deve substituir esses exames, mas ser utilizado em conjunto com as estratégias existentes de rastreamento do câncer”, afirmou.

O que acontece após o resultado?

Quando o exame identifica um sinal compatível com a presença de câncer, o resultado não significa, por si só, que o paciente tenha a doença.

Nesse caso, são necessários exames adicionais e direcionados para investigar a possível origem do sinal e confirmar ou descartar a existência de um tumor.

Já quando o resultado é negativo, a orientação apresentada é manter o acompanhamento médico de rotina e os exames de rastreamento recomendados.

Cenário do câncer no Brasil

A chegada do teste ocorre em um cenário de crescimento da incidência de câncer no país. Segundo estimativa citada na fonte, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta cerca de 781 mil novos casos por ano no Brasil até 2028.

A proposta de exames de detecção precoce é identificar possíveis sinais da doença em uma fase em que ainda não existem sintomas, aumentando as possibilidades de investigação e tratamento.

O Galleri, entretanto, deve ser entendido como uma ferramenta adicional de avaliação, sem substituir o acompanhamento médico nem os exames preventivos indicados para cada faixa etária e perfil de risco.

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