Uma habilidade aprendida ainda na infância acabou se transformando em uma empresa familiar que atualmente fatura cerca de R$ 40 mil por mês. Essa é a trajetória da empreendedora Teruko Kato, que encontrou no crochê uma oportunidade para recomeçar depois de enfrentar um período de dificuldades financeiras.
Teruko aprendeu a fazer crochê aos 11 anos, mas durante boa parte da vida trabalhou em diferentes áreas. Foi manicure, esteticista, maquiadora e também vendeu bijuterias. O desejo de ter o próprio negócio, porém, permaneceu.
Em uma fase particularmente difícil, quando acumulava dívidas e precisava sustentar os filhos, ela voltou a produzir peças de crochê inicialmente como uma forma de ocupar a mente.
O passatempo rapidamente ganhou outro significado. A produção de sapatinhos para bebês começou a se acumular em casa e Teruko percebeu que poderia transformar o trabalho manual em fonte de renda.
Uma bicicleta virou a primeira loja
Sem dinheiro para investir em um estabelecimento comercial e sem se sentir confortável em montar uma barraca na rua, a empreendedora encontrou uma solução pouco convencional.
Ela adaptou uma bicicleta e passou a circular pela Avenida Paulista, em São Paulo, oferecendo os sapatinhos artesanais.
A estratégia permitiu que Teruko apresentasse diretamente os produtos aos consumidores e, com o tempo, identificasse um mercado promissor: presentes artesanais para recém-nascidos.
Depois de anos vendendo na rua, o negócio começou a participar de feiras voltadas ao universo da maternidade. A exposição ajudou a marca a conquistar novos clientes e ampliar a produção.
Filhas entram no negócio
O crescimento da empresa ganhou um novo impulso quando as filhas de Teruko passaram a participar da operação.
Bárbara Naomi, que estudava Publicidade, utilizou a própria empresa da família como objeto de trabalhos acadêmicos. A experiência acabou contribuindo para a criação de estratégias de comunicação e marketing que posteriormente foram aplicadas ao negócio.
Atualmente, Bárbara atua principalmente nas áreas de comunicação, conteúdo, fotografia, vídeos e redes sociais.
A presença digital ajudou a marca a alcançar consumidores que sequer estavam procurando inicialmente por sapatinhos de crochê. Vídeos publicados nas redes sociais passaram a apresentar os produtos e a história por trás da produção artesanal.
Sapatinhos inspirados em animais
Um dos diferenciais encontrados pela empreendedora foi apostar em modelos criativos e autorais.
A marca possui aproximadamente 50 modelos de sapatinhos inspirados em animais. Entre eles estão versões de ouriço, lobo-guará, baleia, tigre, onça, rato e coelho.
Cada peça é produzida manualmente e utiliza fio de algodão. O cuidado com o acabamento também é considerado parte importante do processo, já que os produtos são destinados a bebês.
O trabalho artesanal acabou agregando não apenas valor comercial, mas também um componente afetivo aos produtos.
Da bicicleta para uma loja própria
Depois de construir uma clientela, a família conseguiu dar outro passo importante: abrir uma loja física na região da Avenida Paulista.
O investimento inicial no espaço foi de aproximadamente R$ 25 mil. A localização teve um significado especial para Teruko, já que foi justamente naquela região que ela começou a vender seus produtos na bicicleta.
O estabelecimento também foi pensado para mostrar ao consumidor o processo artesanal. A ideia é permitir que os clientes percebam que as peças são realmente produzidas manualmente.
Negócio alcança clientes fora do Brasil
A divulgação pela internet fez a marca ultrapassar as fronteiras brasileiras.
Clientes passaram a encontrar os produtos pelas redes sociais e comprar as peças para presentear familiares e amigos que vivem em outros países.
Além dos sapatinhos, o negócio ampliou o catálogo e passou a produzir itens como naninhas, pelúcias e ponchos para bebês.
Atualmente, Teruko administra a empresa ao lado das filhas Bárbara e Laura Suemi, que também participa da operação.
Próximo desafio é crescer
Com o negócio consolidado, o principal desafio da família é aumentar a capacidade de produção sem perder o caráter artesanal que tornou os produtos conhecidos.
A empreendedora também já pensa em levar a marca para outros mercados internacionais. Paris e Nova York estão entre os destinos que ela considera estratégicos para uma futura expansão.
A história de Teruko mostra como uma habilidade aparentemente simples pode ganhar novo significado quando encontra uma necessidade e uma oportunidade de mercado.
O que começou como uma atividade para enfrentar um período difícil se transformou em uma empresa familiar, com presença digital, loja física, clientes internacionais e faturamento mensal de aproximadamente R$ 40 mil.
Mais do que vender sapatinhos, a trajetória da empreendedora revela uma lição comum ao empreendedorismo: valorizar aquilo que se sabe fazer pode ser o primeiro passo para transformar uma habilidade em negócio.
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