O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) inicia, nesta sexta-feira (28), um novo projeto voltado à capacitação de membros e servidores para o uso responsável da inteligência artificial. Intitulada “Diálogos com a Inteligência Artificial – Da rotina das Promotorias às soluções possíveis”, a iniciativa será lançada pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, em parceria com o Centro de Apoio Operacional de Defesa de Dados Pessoais e Inteligência Artificial (CAOIA).
A primeira edição ocorrerá em Cáceres, a 225 quilômetros de Cuiabá, durante a reunião de polo da Procuradoria-Geral de Justiça. A capacitação será conduzida pelo promotor de Justiça Leoni Carvalho Neto.
IA aplicada à rotina das Promotorias
Com formato itinerante, o projeto acompanhará reuniões de polo realizadas em diferentes regiões de Mato Grosso. A proposta é aproximar os integrantes do MPMT das principais ferramentas de inteligência artificial generativa e mostrar como elas podem ser utilizadas em atividades do cotidiano profissional.
Entre os objetivos estão estimular a inovação, melhorar a organização das informações, aumentar a produtividade e encontrar soluções para tarefas recorrentes nas Promotorias de Justiça.
A formação terá caráter introdutório e prático, permitindo que os participantes conheçam as possibilidades e também as limitações das novas tecnologias.
Ferramentas e técnicas
Durante os encontros, serão apresentados conceitos básicos de inteligência artificial generativa e explicações sobre o funcionamento dos chamados modelos de linguagem de grande escala (LLMs).
Os participantes também aprenderão técnicas para elaborar comandos e prompts mais eficientes e terão contato com ferramentas utilizadas atualmente, como:
- Microsoft 365 Copilot;
- Claude;
- Gemini;
- NotebookLM.
As soluções serão exploradas em atividades relacionadas à pesquisa, análise de documentos, produção e revisão de textos e criação de assistentes personalizados.
Capacitação com situações reais
Um dos diferenciais do projeto será a utilização de situações próximas à realidade das Promotorias.
Além da parte teórica, os participantes realizarão atividades destinadas à resolução de demandas reais dos gabinetes. A ideia é permitir que eles experimentem as ferramentas e identifiquem quais recursos podem ser incorporados às suas rotinas.
Entre as possibilidades estão a sistematização de informações, organização de estudos, análise de documentos extensos e desenvolvimento de soluções personalizadas para apoiar as atividades institucionais.
Uso ético e proteção de dados
A capacitação não ficará restrita aos aspectos tecnológicos. O projeto também dará atenção especial ao uso ético, crítico e seguro da inteligência artificial.
Segundo o coordenador do Ceaf, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro, a formação reforçará cuidados relacionados à proteção de dados pessoais, ao sigilo funcional e à confidencialidade das informações utilizadas nas ferramentas.
Outro ponto considerado fundamental será a supervisão humana sobre todo conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial, garantindo que a tecnologia seja utilizada como ferramenta de apoio, sem substituir a análise e a responsabilidade dos profissionais.
A iniciativa também observará os princípios estabelecidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).




