A Câmara dos Deputados pagou R$ 807,5 mil a Gabriela Batista Pagidis, que figura como secretária parlamentar no gabinete do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) desde 2017, mas que, segundo apuração jornalística, atua exclusivamente em clínicas privadas de fisioterapia em Brasília.
A profissional de saúde, de 30 anos, trabalha em pelo menos duas clínicas da capital federal: o Instituto Costa Saúde, na Asa Norte, onde atende às segundas e quartas-feiras, e o Centro Clínico Bandeirantes, no Núcleo Bandeirante, onde cumpre expediente às terças e quintas à tarde. Além disso, foi vista frequentando academia e espaços de lazer em dias e horários que deveriam ser destinados ao trabalho parlamentar.
Ainda assim, Gabriela consta como funcionária ativa no gabinete de Motta desde junho de 2017, com salários que variaram entre R$ 1.550,66 e R$ 16.714,06 ao longo dos anos. A soma dos valores recebidos ultrapassa R$ 807 mil, apenas no atual cargo.
Antes disso, entre 2014 e 2017, ela esteve lotada no gabinete do então deputado Wilson Filho, hoje secretário de Educação da Paraíba e aliado político de Motta. Considerando os dois períodos, os valores públicos repassados à funcionária fantasma somam cerca de R$ 890,5 mil.
Além do vínculo questionável com a Câmara, Gabriela frequentou a Universidade de Brasília (UnB) entre 2014 e 2019, cursando fisioterapia em regime integral — rotina incompatível com a jornada de trabalho de secretária parlamentar. Ela ainda concluiu duas pós-graduações durante esse período.
Câmara diz que controle de ponto é do gabinete
A equipe de reportagem solicitou, via Lei de Acesso à Informação (LAI), os registros de acesso de Gabriela à Câmara. Em resposta, a Casa informou que não registra entrada de servidores com crachá, que o credenciamento veicular não exige frequência e que o controle de jornada é responsabilidade do próprio gabinete.
Outras funcionárias fantasmas no mesmo gabinete
O gabinete de Hugo Motta é citado ainda por manter outras duas funcionárias em situação semelhante. Louise Lacerda, filha de um ex-vereador do Republicanos na Paraíba, cursa medicina em tempo integral em João Pessoa. Já Monique Magno exerce cargo de assistente social na Prefeitura da capital paraibana há quatro anos — ambos os vínculos simultâneos à nomeação no gabinete parlamentar.
Defesa do deputado
Em nota oficial, o gabinete de Hugo Motta afirmou que o deputado “preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários, inclusive os que atuam remotamente e são dispensados do ponto, conforme as normas internas da Câmara dos Deputados.”




