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NOTÍCIAAquecimento global contribuiu para colapso de geleira que causou enchentes no Himalaia

Aquecimento global contribuiu para colapso de geleira que causou enchentes no Himalaia

Estudo internacional aponta que o aumento das temperaturas alterou as condições das montanhas e favoreceu a instabilidade que antecedeu a tragédia

🕒 Publicado em 17/09/2026 às 09:05

O cenário de transformação das regiões de alta montanha ganhou mais um alerta com a análise de um desastre ocorrido em agosto no Nepal e na China. Um estudo internacional concluiu que as mudanças provocadas pelo aquecimento global contribuíram para criar condições que favoreceram o colapso de uma geleira e as consequentes enchentes catastróficas na região.

A pesquisa foi realizada pela World Weather Attribution (WWA), grupo formado por cientistas de diferentes países que investiga a influência das mudanças climáticas em fenômenos extremos.

Segundo os pesquisadores, o episódio apresenta uma característica diferente de eventos em que o clima extremo é a causa imediata da tragédia. Nesse caso, os efeitos do aquecimento global teriam atuado durante décadas, modificando progressivamente o ambiente e deixando a região mais vulnerável.

Os especialistas classificaram o fenômeno como uma “crise composta”, resultado da combinação de diferentes fatores ambientais e geológicos.

Aquecimento alterou geleiras e áreas congeladas

De acordo com a análise, o aumento das temperaturas ao longo das últimas décadas provocou o recuo das geleiras e elevou o limite de congelamento em aproximadamente 100 metros de altitude a cada década.

O processo ganhou intensidade pouco antes do desastre. Os meses de julho e agosto de 2026 foram apontados como os mais quentes já registrados localmente.

Com o aumento do calor, o degelo avançou também para áreas de permafrost localizadas no interior de fraturas das rochas.

Esse processo é considerado importante porque o material congelado contribui para manter unidas determinadas estruturas de montanhas em regiões de grande altitude. Com o descongelamento, essas áreas podem perder estabilidade e ficar mais suscetíveis a desmoronamentos.

O que é permafrost?

O permafrost é uma camada de solo, sedimento ou rocha que permanece congelada por longos períodos.

Em ambientes de alta montanha, o congelamento pode contribuir para a estabilidade de encostas e paredes rochosas. Quando as temperaturas aumentam e esse material começa a descongelar, a estrutura pode sofrer alterações.

No caso analisado pelos pesquisadores, o degelo ocorreu em um ambiente que já vinha passando por transformações relacionadas ao recuo das geleiras.

Desastre teve influência de diferentes fatores

Ben Clarke, pesquisador de Eventos Climáticos Extremos e Mudanças Climáticas do Imperial College London e um dos autores do estudo, explicou que a pesquisa ajuda a compreender como o aquecimento do planeta está modificando os ambientes de alta montanha.

Segundo ele, o desastre não foi classificado como um evento climático extremo em si, mas os efeitos acumulados das mudanças climáticas podem ser identificados nas transformações ocorridas ao longo do tempo.

Além das alterações ambientais, os cientistas consideram que fatores geológicos também podem ter desempenhado um papel na instabilidade da região.

Terremoto de 2015 pode ter contribuído

O Nepal está localizado em uma área de elevada atividade sísmica. Por isso, os pesquisadores avaliam que o grande terremoto registrado em 2015 pode ter deixado a encosta mais vulnerável.

A combinação entre alterações provocadas pelo aquecimento, recuo das geleiras, descongelamento do permafrost e condições geológicas locais pode ter contribuído para reduzir a estabilidade da formação montanhosa.

Os cientistas ressaltam que não se trata de atribuir o desastre a uma única causa, mas de compreender como diferentes processos podem se combinar e aumentar os riscos em regiões de alta montanha.

Himalaia passa por transformação ambiental

Para Walter Immerzeel, hidrólogo especializado em regiões montanhosas da Universidade de Utrecht e integrante do estudo, o caso pode representar uma amostra de mudanças mais amplas que vêm ocorrendo no Himalaia.

A combinação entre o avanço do degelo em grandes altitudes, a retração das geleiras e temperaturas elevadas pode comprometer a estabilidade de estruturas rochosas.

Os pesquisadores alertam que essas transformações exigem atenção especial porque podem produzir consequências relevantes para comunidades localizadas em áreas montanhosas e para regiões situadas abaixo dessas encostas.

O estudo reforça, assim, a necessidade de acompanhar as mudanças físicas provocadas pelo aquecimento global em ambientes de alta montanha, onde alterações aparentemente graduais podem contribuir para aumentar riscos associados a deslizamentos, colapsos e enchentes repentinas.

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