Na madrugada do dia 15 de julho de 2024, o fogo que atingiu o Shopping Popular de Cuiabá transformou em cinzas os sonhos e mercadorias de centenas de empreendedores. O incêndio, que começou em um box do piso inferior, se alastrou rapidamente e destruiu por completo o prédio de dois andares, deixando um rastro de prejuízo emocional e financeiro. Um ano depois, os lojistas ainda enfrentam o desafio da reconstrução.
Atualmente, cerca de 80% dos pequenos comerciantes atuam em boxes improvisados ao lado da antiga estrutura, enquanto aguardam a finalização da nova sede, cuja entrega está prevista para 2026.
Superação e esperança
Henrique Carmindo de Selles, de 67 anos, é um dos empreendedores que viram seu negócio desaparecer em poucas horas. Ele lembra dos primeiros dias após o desastre, quando, junto a outros lojistas, operava em tendas expostas ao sol e com baixo movimento de clientes. Hoje, mesmo ainda em espaço provisório, conseguiu recuperar parte das vendas e trabalha com mais conforto em uma banca climatizada.
“Foi difícil. Perdemos tudo. Comecei do zero, sem mercadoria, e precisei de empréstimos para me reerguer. Mas aos poucos, as coisas estão voltando ao normal”, relata Selles, que investiu R$ 30 mil para reabastecer seu estoque.
Outro exemplo de resiliência é o de Wesley de Souza Silva, de 37 anos, que estava há 14 anos no local com sua loja de eletrônicos e acessórios. Ele descreve o incêndio como um dos episódios mais difíceis de sua vida e conta que contou com doações e uma vaquinha virtual para juntar os R$ 50 mil que precisou investir para retornar às atividades.
“Foi uma tragédia. Ainda estou superando. Mas estamos reconstruindo, passo a passo, tudo o que foi perdido”, relata.
Apesar das dificuldades, Wesley percebe uma retomada gradual no movimento e enxerga o futuro com otimismo. “Estamos mais organizados e com melhor estrutura. A expectativa é grande para o novo prédio. Queremos oferecer o melhor ambiente aos nossos clientes.”
Solidariedade e reconstrução coletiva
Com 19 anos de história como camelô, Adriano Maia, 38, também teve que recomeçar. Ele destaca o apoio de fornecedores, que ofereceram crédito e prazo estendido, e reforça a força da união entre os comerciantes.
“Passamos por dias difíceis. Mas a união da comunidade nos ajudou a levantar a cabeça. O que sabemos fazer é trabalhar. Quem visita a feira, de domingo a domingo, sempre encontra o que procura”, afirma Adriano.
Novo espaço em construção
A Associação do Shopping Popular, fundada em 1995, está investindo cerca de R$ 60 milhões na construção da nova sede. A obra, iniciada em dezembro de 2024, é financiada com capital de investidores e recursos dos próprios associados. O novo centro manterá as 319 vagas de estacionamento, mas ampliará a capacidade de 600 para 700 lojistas.
Segundo o presidente da Associação, Misael Galvão, o espaço provisório, climatizado e em funcionamento desde dezembro, tem recebido entre 20 mil e 30 mil visitantes por semana. Ainda que os números sejam inferiores aos de antes do incêndio, ele acredita que o movimento está retomando.
“Já conseguimos ver uma melhora significativa na frequência dos clientes. O comércio começa a respirar novamente”, afirmou Galvão em entrevista recente.




