A negociação para renovar o contrato de Memphis Depay com o Corinthians provocou reação entre credores do clube paulista e reacendeu o debate sobre a situação financeira do Timão. O novo acordo prevê vencimentos na casa de R$ 2 milhões por mês, além do parcelamento, em longo prazo, de uma dívida de aproximadamente R$ 44 milhões com o atacante holandês.
Os valores acertados com o camisa 10 desagradaram parte dos credores que aguardam o recebimento de débitos pendentes. Entre eles está o Cuiabá Esporte Clube, cujo presidente, Cristiano Dresch, criticou publicamente a postura da diretoria corintiana.
“Eles continuam vivendo como se não estivessem devendo e não pagando”, afirmou o dirigente.
Cuiabá tenta manter transfer ban
Além da renovação contratual de Memphis Depay, o Cuiabá também contesta a tentativa do Corinthians de derrubar o transfer ban imposto pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A punição foi aplicada após o clube deixar de pagar uma das parcelas do acordo coletivo firmado com diversos credores. A prestação, no valor aproximado de R$ 8 milhões, venceu em 17 de julho.
Como alternativa, o Corinthians apresentou proposta para quitar a parcela em atraso até o dia 31 de agosto e antecipar o pagamento da parcela seguinte para 17 de outubro, alegando boa-fé na negociação.
O Cuiabá, no entanto, informou que está articulando outros credores para solicitar que a CNRD mantenha a punição pelo período mínimo previsto no regulamento.
Segundo Cristiano Dresch, a manutenção do transfer ban é importante para preservar a credibilidade das decisões da Câmara.
Clube enfrenta outras pendências
Além da punição nacional aplicada pela CNRD, o Corinthians também responde a processos na Fifa relacionados ao descumprimento de obrigações financeiras.
Entre eles está a dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, referente à contratação do volante José Martínez, estimada em cerca de R$ 7,7 milhões.
O clube também foi condenado em processos envolvendo pendências relacionadas aos atletas José Martínez, Charles e Talles Magno.
No caso do volante Charles, adquirido junto ao Midtjylland, da Dinamarca, a dívida gira em torno de R$ 6 milhões e pode resultar em nova punição internacional.
Já em relação ao atacante Talles Magno, o Corinthians foi condenado ao pagamento de US$ 850 mil pela prorrogação do empréstimo junto ao New York City FC. Com juros e multa contratual, o valor atualizado ultrapassa R$ 5 milhões.
Acordo coletivo reúne diversos credores
O acordo firmado pelo Corinthians junto à CNRD contempla dívidas com clubes, empresários, atletas e empresas ligadas ao futebol.
Entre os principais credores estão:
- Link Assessoria Esportiva – R$ 19 milhões, além de 350 mil euros;
- Cuiabá Esporte Clube – R$ 18 milhões;
- Jadson – R$ 13 milhões;
- Fabian Balbuena – R$ 4,4 milhões;
- Think Ball – R$ 3,5 milhões;
- José Parrales – R$ 2,5 milhões;
- All Soccer Marketing Esportivo – R$ 1,7 milhão;
- Grêmio Osasco – R$ 1,6 milhão;
- Renato Bittar Arrellaga – R$ 1,5 milhão;
- Ferreira Representações Profissionais – R$ 1,4 milhão;
- FMS Gestão Esportiva – R$ 1,4 milhão;
- Daisy Valeria Ferreira Brandino – R$ 1,4 milhão;
- Criciúma Esporte Clube – R$ 1 milhão;
- DB Sports – R$ 1 milhão;
- Magnitude Brazil Esportes – R$ 600 mil;
- Manuel Damásio Garcia – R$ 285 mil;
- Left Sports do Brasil – R$ 250 mil;
- Sociedade Esportiva Palmeirinha – R$ 48 mil;
- Esporte Clube União Suzano – R$ 42 mil.
Enquanto busca solucionar os passivos financeiros e reverter as punições impostas pelos órgãos esportivos, o Corinthians segue sua temporada com compromissos decisivos pela Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Libertadores.




