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Estudo aponta que consumo elevado de açúcar na primeira infância pode aumentar risco de demência

Pesquisa acompanhou mais de 64 mil pessoas no Reino Unido e sugere que reduzir o consumo de açúcar nos primeiros mil dias de vida pode favorecer a saúde cerebral na idade adulta

🕒 Publicado em 03/08/2026 às 10:43

Um estudo publicado na revista científica Neurology, da Academia Americana de Neurologia, aponta que o consumo elevado de açúcar nos primeiros anos de vida pode aumentar o risco de desenvolver demência na idade adulta. A pesquisa analisou dados de 64.737 pessoas nascidas no Reino Unido após a Segunda Guerra Mundial, aproveitando o período em que o país encerrou o racionamento de açúcar, em setembro de 1953.

Os pesquisadores investigaram como a exposição ao açúcar durante os primeiros mil dias de vida — período que inclui a gestação e os dois primeiros anos da infância — influencia a saúde cerebral décadas mais tarde.

Os participantes foram divididos em grupos de acordo com o período em que estiveram expostos ao racionamento do açúcar: apenas durante a gestação; durante a gestação e o primeiro ano de vida; durante a gestação e entre um e dois anos de idade; ou sem qualquer restrição.

Menor risco de demência

Os resultados mostraram que as pessoas que tiveram menor exposição ao açúcar durante a gestação e o primeiro ano de vida apresentaram um risco 21% menor de desenvolver demência por qualquer causa e um risco 23% menor de desenvolver doença de Alzheimer em comparação com aqueles que cresceram sem restrição ao consumo de açúcar.

Entre os participantes que permaneceram sob racionamento até os dois anos de idade, os benefícios foram ainda maiores. Nesse grupo, o risco de demência foi 23% menor, enquanto a probabilidade de desenvolver Alzheimer caiu 28%.

Além da redução do risco, os pesquisadores observaram que o início da doença ocorreu, em média, cerca de 2,5 anos mais tarde para os casos de demência em geral e aproximadamente 2,9 anos depois para a doença de Alzheimer.

Saúde cerebral preservada

A pesquisa também identificou sinais de melhor saúde cerebral entre os participantes que tiveram menor consumo de açúcar na primeira infância.

Exames de ressonância magnética mostraram maior volume de substância cinzenta, menor presença de lesões na substância branca e melhor desempenho em testes cognitivos relacionados à velocidade de processamento das informações e ao raciocínio.

Os cientistas observaram ainda que parte dessa proteção pode estar relacionada à menor incidência de diabetes tipo 2 e hipertensão arterial, doenças conhecidas por aumentar o risco de comprometimento cognitivo. Juntas, essas condições explicaram cerca de 25,5% da associação entre a restrição de açúcar na infância e a redução do risco de demência.

Primeiros mil dias são decisivos

Segundo os autores, os primeiros mil dias de vida representam uma fase crítica para o desenvolvimento do cérebro e podem influenciar a saúde ao longo de toda a vida.

Embora o estudo não prove uma relação direta de causa e efeito, os resultados reforçam a importância de reduzir o consumo de açúcar durante a gestação e nos primeiros anos de vida como estratégia potencial para preservar a saúde cerebral e diminuir o risco de doenças neurodegenerativas no futuro.

Os pesquisadores destacam que novas investigações serão necessárias para confirmar os mecanismos envolvidos, mas afirmam que os achados fortalecem as recomendações atuais de limitar a ingestão de açúcar na infância e incentivar hábitos alimentares mais saudáveis desde os primeiros anos de vida.

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