O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta sexta-feira (31), Carlos Alberto Gomes Bezerra a 36 anos de reclusão pelos assassinatos de Thays Machado e Willian César Moreno. O julgamento foi realizado no Fórum da Capital e foi presidido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) atuou na acusação por meio do promotor de Justiça Vinícius Gahyva, que sustentou a tese de que os crimes foram premeditados e motivados pela inconformidade do acusado com o fim do relacionamento com Thays Machado.
Após a análise das provas, o Conselho de Sentença acolheu integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público e reconheceu todas as qualificadoras atribuídas ao réu.
No homicídio de Willian César Moreno, os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Já no assassinato de Thays Machado, o Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa e feminicídio praticado em contexto de violência doméstica e de gênero.
Durante o julgamento, o Ministério Público apresentou elementos que apontam que o acusado monitorava a rotina da ex-companheira, acompanhava seus deslocamentos e mantinha registros sobre seus hábitos, fatos que, segundo a acusação, evidenciaram um comportamento de perseguição e controle antes do crime.
Nos debates em plenário, o promotor Vinícius Gahyva afirmou que as provas reunidas ao longo das investigações demonstraram um histórico de vigilância constante, ciúmes excessivos e inconformismo com o término do relacionamento.
Segundo o representante do Ministério Público, o conjunto probatório revelou que o acusado tratava a vítima como propriedade, comportamento que culminou na prática do feminicídio.
As investigações também identificaram 914 registros de chamadas telefônicas entre o acusado e Thays Machado entre o fim de dezembro de 2022 e a data do crime, além de documentos e anotações que reforçariam a tese de monitoramento da rotina da vítima.
Outro ponto destacado pela acusação foi que todos os disparos que atingiram Thays Machado ocorreram pelas costas, circunstância considerada como elemento que comprova a impossibilidade de defesa da vítima.
Ao final do julgamento, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira fixou a pena em 36 anos de reclusão e determinou a manutenção da prisão de Carlos Alberto Gomes Bezerra para cumprimento da condenação, conforme estabelecido na sentença.




