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Milei volta a atacar Lula e agrava crise diplomática entre Brasil e Argentina

Presidente argentino repete acusações contra o presidente brasileiro, enquanto Itamaraty mantém reação diplomática e reforça defesa da soberania nacional

🕒 Publicado em 03/08/2026 às 10:25

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (2), intensificando a tensão diplomática entre Brasil e Argentina. Em entrevista concedida à emissora argentina LN+, Milei reiterou acusações já feitas anteriormente contra o chefe do Executivo brasileiro e voltou a questionar decisões da Justiça relacionadas à Operação Lava Jato.

Durante a entrevista, o presidente argentino afirmou que Lula “não é inocente” e declarou que as condenações do petista foram anuladas por questões processuais. As declarações repetem o discurso adotado por Milei na última semana, quando participou de um evento político em São Paulo em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

Na ocasião, Milei utilizou termos ofensivos para se referir ao presidente brasileiro, classificando-o como “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista”.

Governo brasileiro reage

As novas declarações provocaram reação imediata do governo brasileiro.

O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para manifestar oficialmente o descontentamento do governo federal. Paralelamente, o Itamaraty chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli.

Em nota oficial, o governo brasileiro classificou o episódio como um fato “sem precedentes” nas relações diplomáticas entre os dois países.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil considera as declarações graves, mas informou que, por enquanto, não pretende adotar medidas mais severas, como a retirada definitiva dos representantes diplomáticos.

Lula endurece o discurso

Nos primeiros dias após o episódio, o presidente Lula evitou responder diretamente aos ataques. Questionado por jornalistas sobre Milei, limitou-se a responder de forma irônica:

“Quem é esse cara?”

Posteriormente, durante um evento do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Lula passou a adotar um tom mais firme e classificou como uma “patacoada” a participação do presidente argentino em um ato político realizado no Brasil.

Na ocasião, o presidente brasileiro afirmou que não pretende alimentar confrontos pessoais, destacando que sua relação institucional é com o Estado argentino e não com seu chefe de governo.

Lula também declarou que o Brasil não aceitará interferências externas em seu processo político e eleitoral.

Milei mantém posição

Na entrevista exibida neste domingo, Javier Milei afirmou que não considera suas declarações agressivas e defendeu que utilizou palavras espontâneas.

Segundo o presidente argentino, chamar alguém de “ladrão” seria menos grave do que a prática do crime em si, reforçando que não pretende recuar das críticas dirigidas ao presidente brasileiro.

As declarações ampliam o desgaste diplomático entre os dois países, que já enfrentam um dos momentos mais delicados de suas relações políticas nos últimos anos, embora os canais oficiais de diálogo entre os governos permaneçam abertos.

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