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NOTÍCIABonito CineSur destaca produções sobre povos indígenas na quarta edição do festival

Bonito CineSur destaca produções sobre povos indígenas na quarta edição do festival

Evento reúne filmes de 13 países da América do Sul e promove debates sobre meio ambiente, diversidade cultural e audiovisual até 1º de agosto

🕒 Publicado em 24/07/2026 às 10:17

Começa nesta sexta-feira (24), em Bonito, no Mato Grosso do Sul, a quarta edição do Bonito CineSur, festival dedicado ao cinema e ao audiovisual sul-americano. Com programação gratuita até o dia 1º de agosto, o evento reunirá 32 produções de 13 países e terá como um dos destaques obras que abordam a história, a cultura e os desafios enfrentados pelos povos indígenas.

Segundo a organização, a presença desse tema na programação não foi planejada previamente, mas surgiu de forma natural durante o processo de seleção dos filmes inscritos.

O curador da Mostra Sul-Americana, Zé Geraldo Couto, explicou que a escolha das produções prioriza critérios como qualidade artística, relevância temática e capacidade de dialogar com diferentes públicos.

“A escolha final depende muito da oferta de filmes da temporada. Só então é possível identificar tendências e conexões entre as obras”, afirmou.

Povos originários ganham espaço em diferentes mostras

As produções com temática indígena estarão distribuídas em diversas categorias do festival, especialmente na Mostra Ambiental, na Mostra Sul-Mato-Grossense e em sessões especiais.

Entre os destaques está Aldeia de Nalike, documentário realizado por Claude Lévi-Strauss e Dina Lévi-Strauss em 1936, que registra o cotidiano do povo Kadiwéu, em Porto Murtinho (MS).

A obra será exibida com uma trilha sonora inédita, criada especialmente para esta edição do festival.

Outro destaque é Vípuxovuko-Aldeia, de Dannon Lacerda, que retrata a comunidade Terena de Campo Grande sob uma perspectiva que reúne ancestralidade, identidade e diversidade.

Novo olhar sobre o cinema indígena

O curador da Mostra Sul-Mato-Grossense, Marcos Pierry, destacou que o cinema indígena passou por uma transformação significativa nas últimas décadas.

Segundo ele, os povos originários deixaram de ser apenas personagens retratados por outros realizadores e passaram a produzir suas próprias narrativas.

Para Pierry, essa mudança amplia a diversidade de perspectivas e fortalece a valorização das culturas indígenas por meio do audiovisual.

Sessão especial terá presença de Almir Suruí

A programação também contará com a participação do líder indígena Almir Suruí, convidado para acompanhar a exibição especial do documentário Minha Terra Estrangeira, dirigido por João Moreira Salles e Louise Botkay.

O longa acompanha Almir Suruí e sua filha, Txai, em reflexões sobre a preservação da Amazônia, os conflitos territoriais e a resistência dos povos indígenas.

A sessão está marcada para a próxima terça-feira (28).

Produções internacionais ampliam debate

Além dos filmes brasileiros, o festival apresentará obras internacionais que abordam questões relacionadas aos povos originários.

Entre elas estão o curta colombiano Sukua, que acompanha um menino da etnia Cogui, e o documentário boliviano Uma Uñjirinaka – Cuidadorxs del Água, que retrata comunidades indígenas mobilizadas pela preservação dos recursos hídricos.

Cineasta Vincent Carelli será homenageado

O Bonito CineSur prestará homenagem ao cineasta Vincent Carelli, que receberá o Troféu Pantanal pelo conjunto de sua trajetória.

Responsável por documentários como Corumbiara e Martírio, Carelli também criou o projeto Vídeo nas Aldeias, iniciativa voltada à formação audiovisual de indígenas que, desde 1986, contribuiu para a produção de mais de 70 filmes realizados pelos próprios povos originários.

Segundo o cineasta, o protagonismo indígena atrás das câmeras representa um novo momento para o cinema brasileiro, permitindo que essas comunidades contem suas próprias histórias a partir de suas vivências e perspectivas.

Festival reúne produções de 13 países

Nesta edição, o Bonito CineSur exibirá 32 filmes produzidos na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Além das sessões de cinema, a programação inclui debates, palestras, oficinas, atividades formativas e encontros entre realizadores e o público.

Todas as atrações são gratuitas e serão realizadas no Centro de Convenções de Bonito, consolidando o festival como um dos principais espaços de integração do cinema sul-americano.

**Informações via Agência Brasil

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