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Câncer de intestino tem mais de 90% de chance de cura quando descoberto precocemente

Pesquisa mostra que muitos brasileiros ainda ignoram sinais como sangue nas fezes e desconhecem exames capazes de detectar a doença antes dos sintomas

🕒 Publicado em 22/07/2026 às 09:58

O diagnóstico precoce do câncer de intestino pode elevar as chances de cura para mais de 90%. Apesar disso, muitas pessoas ainda ignoram os primeiros sinais da doença ou demoram para procurar atendimento médico, reduzindo as possibilidades de identificar o tumor em seus estágios iniciais.

Uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus revelou que 67% dos entrevistados reconhecem a presença de sangue nas fezes como um possível sintoma de câncer colorretal, enquanto 80% consideram o sinal grave.

Mesmo diante desse conhecimento, o levantamento identificou um comportamento preocupante. Entre os 9% dos participantes que afirmaram já ter percebido sangue nas fezes, quase metade não procurou atendimento médico.

Preta Gil relatou demora para associar sintomas à doença

Durante o tratamento contra o câncer de intestino, a cantora Preta Gil relatou que também demorou a relacionar as alterações que apresentava à possibilidade de um tumor.

Segundo seus relatos, ela enfrentou aproximadamente seis meses de prisão de ventre intensa e percebeu mudanças nas fezes, incluindo presença de sangue e muco e alterações no formato. Naquele momento, porém, não imaginava que os sintomas poderiam estar relacionados ao câncer.

Situações semelhantes são frequentes. Algumas pessoas associam o sangramento exclusivamente a problemas considerados menos graves, como as hemorroidas, e acabam adiando a busca por avaliação médica.

Especialistas alertam, entretanto, que a presença de sangue nas fezes deve ser investigada, principalmente quando acompanhada de mudanças persistentes no funcionamento do intestino.

Casos aumentam entre pessoas com menos de 50 anos

Historicamente mais frequente entre pessoas acima dos 50 anos, o câncer colorretal também vem apresentando crescimento entre adultos mais jovens.

Levantamento do A.C.Camargo aponta que, no estado de São Paulo, os casos entre pessoas com menos de 50 anos aumentaram quase 3% ao ano entre 2000 e 2023.

Ainda não existe uma explicação definitiva para o crescimento da incidência nessa faixa etária. Entre os fatores investigados estão alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade e outros hábitos relacionados ao estilo de vida.

Exame pode detectar sangue invisível nas fezes

Uma das ferramentas utilizadas para o rastreamento do câncer colorretal é o teste imunológico fecal, conhecido pela sigla FIT. O exame identifica a presença de sangue oculto nas fezes, que não pode ser percebido a olho nu.

Apesar da importância desse tipo de rastreamento, a pesquisa aponta que cerca de dois terços dos brasileiros desconhecem a existência do exame.

Quando o teste apresenta resultado positivo, o paciente pode ser encaminhado para avaliação médica e realização de colonoscopia. O procedimento permite investigar alterações no intestino e também identificar e retirar determinados pólipos antes que possam evoluir para um tumor.

Atenção aos sinais pode contribuir para diagnóstico precoce

Alterações persistentes no hábito intestinal, presença de sangue nas fezes, mudanças no formato das fezes, dores abdominais recorrentes, perda de peso sem explicação e anemia podem estar entre os sinais que exigem avaliação médica.

Esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer, pois podem estar relacionados a diferentes condições de saúde. No entanto, a investigação adequada é fundamental para identificar a causa.

Quando diagnosticado nas fases iniciais, o câncer colorretal apresenta possibilidades significativamente maiores de tratamento e cura. Por isso, especialistas reforçam a importância de não ignorar alterações persistentes e de procurar orientação profissional para definir a necessidade e o momento adequado dos exames de rastreamento.

g1

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