A relação comercial entre Estados Unidos e Canadá ganhou novos contornos neste fim de semana, após declarações do presidente americano Donald Trump e movimentos do governo canadense em direção à União Europeia. Enquanto Washington sinaliza a possibilidade de novas tarifas, Ottawa trabalha para diversificar seus parceiros comerciais e reduzir a dependência do mercado norte-americano.
No domingo (13), Trump voltou a criticar o governo canadense e classificou o país como o mais difícil entre aqueles com os quais já negociou. Apesar do tom duro, o presidente americano afirmou que o Canadá teria interesse em alcançar um entendimento comercial com os Estados Unidos.
“Considero o Canadá o pior país para negociar. O mais difícil. Dito isso, eles estão desesperados para fechar um acordo”, declarou Trump a jornalistas.
As declarações ocorrem em meio ao agravamento das tensões comerciais entre os dois países, que vêm trocando medidas tarifárias sobre produtos comercializados entre as duas economias.
Canadá busca novos parceiros comerciais
Diante do aumento das dificuldades nas relações com Washington, o primeiro-ministro canadense Mark Carney afirmou que pretende avançar nas conversas com a União Europeia para estabelecer uma relação considerada diferenciada.
A proposta é criar uma “aliança única” entre o Canadá e o bloco europeu. Segundo informações divulgadas pelo Wall Street Journal, autoridades europeias e canadenses avaliam a possibilidade de o país norte-americano receber um eventual status de membro associado da União Europeia.
A possibilidade seria inédita e ainda dependeria da criação de um novo modelo de participação, já que a União Europeia tradicionalmente não demonstra flexibilidade em relação às suas regras formais de adesão.
Para o Canadá, a aproximação com os europeus pode representar uma alternativa estratégica diante da crescente instabilidade comercial com os Estados Unidos.
Tarifas continuam no centro da disputa
A relação entre Ottawa e Washington se deteriorou desde o retorno de Trump à Casa Branca. Divergências sobre comércio e outras questões políticas contribuíram para o aumento das tensões entre os dois governos.
A disputa já resultou na aplicação de tarifas sobre dezenas de bilhões de dólares em mercadorias negociadas entre os dois países.
Trump também voltou a afirmar que pretende ampliar a cobrança sobre produtos automotivos canadenses. Segundo o presidente americano, novas tarifas sobre carros, caminhões e peças automotivas importados do Canadá deverão entrar em vigor a partir de 1º de janeiro.
O republicano ainda indicou que outras medidas tarifárias poderão ser anunciadas futuramente e voltou a colocar o setor automobilístico no centro das críticas ao Canadá.
Trump fala em possível acordo
Apesar da escalada no discurso, Trump havia adotado uma postura mais conciliadora apenas um dia antes.
No sábado (12), o presidente americano afirmou que o Canadá estaria interessado em alcançar um acordo comercial com os Estados Unidos e sugeriu que um entendimento poderia ser anunciado em breve.
A declaração foi feita após uma reunião com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheal Martin, em Dublin.
Na ocasião, Trump também voltou a acusar o Canadá de prejudicar agricultores americanos por meio da cobrança de tarifas sobre produtos agrícolas.
“O Canadá está muito interessado em fechar um acordo”, afirmou o presidente dos Estados Unidos.
Trump acrescentou que o governo canadense deveria tratar melhor os agricultores americanos e retirar as tarifas aplicadas aos produtos do setor.
“Provavelmente vocês verão um acordo com o Canadá em breve”, declarou.
Relação entre os países entra em período decisivo
As declarações aparentemente contraditórias de Trump — ora indicando que um acordo pode ser alcançado rapidamente, ora classificando o Canadá como um dos parceiros mais difíceis para negociar — mostram o grau de incerteza que envolve as conversas comerciais.
Enquanto os Estados Unidos avaliam novas tarifas, o Canadá procura ampliar sua rede de parceiros internacionais. A aproximação com a União Europeia surge, nesse cenário, como uma tentativa de Ottawa de fortalecer sua posição e reduzir os impactos de uma eventual intensificação da disputa com Washington.
O futuro das negociações entre os dois países deverá depender principalmente das discussões sobre tarifas, produtos agrícolas e setor automotivo, áreas que continuam entre os principais pontos de conflito.




