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Rivais do caos financeiro: como São Paulo e Corinthians caíram e o plano para sair da lama

Dívidas bilionárias colidem com queda de protagonismo – e a solução pode levar anos

🕒 Publicado em 19/07/2025 às 08:33

O clássico entre São Paulo e Corinthians neste sábado (19), no Morumbi, tem um enredo distante de rivalidade e mais próximo de crises. O Tricolor aparece perigando o Z‑4, enquanto o Alvinegro ocupa o 9º lugar, distante da liderança. Essa guinada do protagonismo esportivo para o endividamento tem uma raiz clara: gestão financeira falha, sustentada por dívida crescente.

De gigantes da América a reféns da dívida

Há pouco mais de uma década, em 2013, São Paulo e Corinthians eram os “donos da América”: um vencia a Sul‑Americana, o outro a Libertadores (e Mundial). Hoje, ambos se veem longe desse brilho, soterrados por déficits que minaram sua competitividade e equilíbrio operacional. O Corinthians encerrou 2024 com déficit de R$ 181,7 milhões e dívida total na ordem de R$ 2,5 bilhões, incluindo o pesado passivo do estádio Neo Química Arena. Já o São Paulo fechou o ano com prejuízo recorde de R$ 287,6 milhões – cinco resultados negativos em seis anos – e dívida que saltou de R$ 666,7 milhões em 2023 para R$ 968,3 milhões em 2024.

Em 2025, o déficit do São Paulo no primeiro semestre chegou a R$ 31,8 milhões, ainda que ligeiramente abaixo do esperado pelo orçamento.

Causa raiz: gastar além do que arrecada

O diagnóstico do economista Cesar Grafietti é direto: ambos os clubes buscaram protagonismo com elencos caros sem expandir receitas, preferindo o endividamento em vez da inovação fiscal. Essa abordagem gerou um ciclo vicioso: dívida alta trava a gestão, enquanto falta de competitividade afasta receitas e títulos.

Planos para retomar o controle (ou tentar)

São Paulo: apostou na criação de um FIDC em parceria com a Galapagos Capital e Outfield, captando cerca de R$ 135 milhões nos primeiros meses de 2025. Esses recursos foram usados para pagar dívidas, tributos e garantir fluxo de caixa. Além disso, o clube conta com mais de R$ 2 bilhões em receitas contratadas até 2030, sem considerar bilheteria, sócio‑torcedor ou venda de jogadores.

O foco agora é adotar limites de gastos, especialmente com elenco (teoricamente até R$350 milhões/ano), e buscar equilíbrio operacional. Esta é considerada a via tradicional de reestruturação, com controle fiscal rigoroso.

Corinthians: embora tenha receita anual superior a R$1 bilhão, o clube enfrenta dificuldades graves para pagar juros e amortizações. Os altos custos com a Arena e dívidas fiscais, trabalhistas e com agentes corroem suas finanças operacionais. A antecipação de R$30 milhões em direitos de transmissão evidencia que o caixa está apertado.

Grafietti argumenta que apenas medidas estruturais drásticas — como adesão à SAF ou recuperação judicial — podem salvar o clube, já que o modelo operacional atual não se sustenta mais.

O desafio político: clube vs. torcida organizada

Outra barreira apontada é a influência de torcidas organizadas nas decisões dos clubes. Diferentemente do Palmeiras, que tem mais autonomia de gestão, São Paulo e Corinthians enfrentam interferências internas que dificultam ações estratégicas de longo prazo. Grafietti defende que a mudança financeira precisa vir junto com uma mudança de governança e independência de influências externas.

Previsões duras: uma década para reconstruir

Mesmo com receitas bilionárias, o ritmo de reestruturação é lento. Especialistas estimam que leva de cinco a dez anos para que os clubes recuperem estabilidade e relevância frente a rivais como Palmeiras e Flamengo que já aproveitaram melhor o crescimento das receitas.

📊 Resumo em tabela

ClubeDéficit 2024Dívida totalEstratégia de reorganização
São PauloR$ 287,6 mi~R$ 968 miFIDC, limites de gastos, receitas até 2030
CorinthiansR$ 181,7 mi~R$ 2,5 bi (incl. Arena)Não controla custos, depende de SAF ou reestruturação judicial

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