Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira (3), pressionados pelo aumento das tensões militares entre Estados Unidos e Irã. O mercado acompanha com preocupação a possibilidade de que a intensificação dos confrontos provoque novas interrupções no fluxo de petróleo e gás na região.
Por volta das 9h50, no horário de Brasília, o petróleo Brent, referência internacional, avançava mais de 1%, sendo negociado acima de US$ 96 por barril. O WTI, referência nos Estados Unidos, também registrava alta superior a 1%, ultrapassando US$ 92.
Na sessão anterior, o Brent já havia encerrado o dia com valorização de aproximadamente 1%.
Conflito aumenta preocupação dos investidores
A nova alta ocorre depois de Estados Unidos e Irã protagonizarem a maior sequência de ataques desde julho. A movimentação militar reacendeu entre os investidores o temor de uma expansão do conflito para outras áreas do Oriente Médio.
Para Daniela Hathorn, analista sênior de mercado da Capital.com, o petróleo voltou a incorporar um prêmio relacionado aos riscos geopolíticos.
A avaliação é de que uma elevação persistente das cotações pode acrescentar pressão sobre a inflação mundial, justamente em um momento no qual os mercados discutem os próximos passos da política monetária norte-americana.
Novos ataques elevam risco para o mercado
Segundo Mark Schaefer, diretor da corretora Liquidity Energy, os ataques recentes representam uma mudança importante depois de aproximadamente um mês de relativa estabilidade.
As forças norte-americanas teriam atingido sistemas de radar e estruturas relacionadas à capacidade iraniana de instalar minas, enquanto o Irã respondeu com ataques contra posições dos Estados Unidos em diferentes pontos da região.
O principal receio para o mercado de petróleo está relacionado a uma possível alteração nos fluxos físicos de energia caso os combates continuem ou se intensifiquem.
Estreito de Ormuz é ponto de atenção
Um dos principais focos de preocupação é o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
Antes do agravamento do conflito, a rota era responsável pelo transporte de aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.
Com as restrições provocadas pelo conflito, o transporte marítimo na região foi severamente afetado, aumentando a preocupação dos países importadores com a disponibilidade de combustíveis e os custos de abastecimento.
Países recorrem a reservas e buscam alternativas
Governos de diferentes partes do mundo vêm adotando medidas para tentar reduzir os impactos sobre os preços da energia.
Entre as estratégias estão a busca por fornecedores alternativos e a utilização de estoques estratégicos de petróleo. O problema é que essas reservas também não são ilimitadas, o que aumenta a preocupação caso as interrupções no abastecimento se prolonguem.
Para os investidores, o comportamento do petróleo nas próximas sessões dependerá principalmente da evolução dos confrontos e de seus efeitos sobre as rotas de transporte e a oferta global.
Enquanto não houver sinais claros de redução das tensões, o mercado deverá continuar incorporando um componente de risco geopolítico às cotações da commodity.




