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Petróleo dispara com novas tensões entre EUA e Irã e Brent supera US$ 96

Mercado reage à intensificação dos ataques no Oriente Médio e teme novos impactos sobre o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz

🕒 Publicado em 03/09/2026 às 09:18

Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira (3), pressionados pelo aumento das tensões militares entre Estados Unidos e Irã. O mercado acompanha com preocupação a possibilidade de que a intensificação dos confrontos provoque novas interrupções no fluxo de petróleo e gás na região.

Por volta das 9h50, no horário de Brasília, o petróleo Brent, referência internacional, avançava mais de 1%, sendo negociado acima de US$ 96 por barril. O WTI, referência nos Estados Unidos, também registrava alta superior a 1%, ultrapassando US$ 92.

Na sessão anterior, o Brent já havia encerrado o dia com valorização de aproximadamente 1%.

Conflito aumenta preocupação dos investidores

A nova alta ocorre depois de Estados Unidos e Irã protagonizarem a maior sequência de ataques desde julho. A movimentação militar reacendeu entre os investidores o temor de uma expansão do conflito para outras áreas do Oriente Médio.

Para Daniela Hathorn, analista sênior de mercado da Capital.com, o petróleo voltou a incorporar um prêmio relacionado aos riscos geopolíticos.

A avaliação é de que uma elevação persistente das cotações pode acrescentar pressão sobre a inflação mundial, justamente em um momento no qual os mercados discutem os próximos passos da política monetária norte-americana.

Novos ataques elevam risco para o mercado

Segundo Mark Schaefer, diretor da corretora Liquidity Energy, os ataques recentes representam uma mudança importante depois de aproximadamente um mês de relativa estabilidade.

As forças norte-americanas teriam atingido sistemas de radar e estruturas relacionadas à capacidade iraniana de instalar minas, enquanto o Irã respondeu com ataques contra posições dos Estados Unidos em diferentes pontos da região.

O principal receio para o mercado de petróleo está relacionado a uma possível alteração nos fluxos físicos de energia caso os combates continuem ou se intensifiquem.

Estreito de Ormuz é ponto de atenção

Um dos principais focos de preocupação é o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.

Antes do agravamento do conflito, a rota era responsável pelo transporte de aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.

Com as restrições provocadas pelo conflito, o transporte marítimo na região foi severamente afetado, aumentando a preocupação dos países importadores com a disponibilidade de combustíveis e os custos de abastecimento.

Países recorrem a reservas e buscam alternativas

Governos de diferentes partes do mundo vêm adotando medidas para tentar reduzir os impactos sobre os preços da energia.

Entre as estratégias estão a busca por fornecedores alternativos e a utilização de estoques estratégicos de petróleo. O problema é que essas reservas também não são ilimitadas, o que aumenta a preocupação caso as interrupções no abastecimento se prolonguem.

Para os investidores, o comportamento do petróleo nas próximas sessões dependerá principalmente da evolução dos confrontos e de seus efeitos sobre as rotas de transporte e a oferta global.

Enquanto não houver sinais claros de redução das tensões, o mercado deverá continuar incorporando um componente de risco geopolítico às cotações da commodity.

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