A longa permanência em operações marítimas deixou marcas visíveis no porta-aviões USS Abraham Lincoln. Ao chegar ao porto de Laem Chabang, na Tailândia, na quarta-feira (3), o navio chamou atenção pela grande quantidade de ferrugem espalhada pelo casco, especialmente nas áreas próximas à linha d’água.
Com quase 1.100 pés de comprimento, o porta-aviões passou 286 dias no mar desde que deixou sua base em San Diego, em novembro do ano passado, segundo informações da Marinha dos Estados Unidos.
Durante esse período, o USS Abraham Lincoln também participou de meses de operações militares e de bloqueio no Oriente Médio envolvendo o Irã.
Desgaste é comum em longas missões
Apesar da aparência, especialistas afirmam que a presença de ferrugem em determinadas partes do casco não necessariamente indica um problema extraordinário.
Carl Schuster, ex-capitão da Marinha dos Estados Unidos que serviu em três porta-aviões da classe Nimitz, explicou que embarcações submetidas a longos períodos de operação contínua no mar ficam naturalmente expostas à corrosão provocada pela água salgada.
Segundo ele, a ferrugem próxima à linha d’água é especialmente difícil de combater durante uma missão, porque o trabalho exige que o navio esteja parado e em condições adequadas para que as equipes possam atuar diretamente no casco.
Recuperação pode levar cerca de um mês
De acordo com a avaliação do especialista, a recuperação completa das áreas afetadas exigiria um trabalho de conservação significativo.
O procedimento envolve a remoção da ferrugem, aplicação de camadas de primer anticorrosivo e, posteriormente, pintura naval. Schuster estima que, para eliminar toda a corrosão visível, poderiam ser necessários cerca de 30 dias de trabalho.
Entretanto, como a parada do porta-aviões na Tailândia deve durar apenas alguns dias, a prioridade deverá ser dada aos pontos considerados mais críticos.
A região da proa e as partes dianteiras do casco estão entre as áreas que podem receber atenção primeiro, devido ao maior desgaste provocado pelo deslocamento da embarcação e pelo contato constante com a água salgada.
Parada na Tailândia será momento de descanso
O USS Abraham Lincoln atracou em Laem Chabang, no Golfo da Tailândia, ao sul de Bangcoc, para uma escala prevista de aproximadamente uma semana.
Além dos trabalhos de manutenção considerados prioritários, a parada representa uma oportunidade de descanso para a tripulação, que vinha enfrentando um longo período de operações sem uma escala completa.
Serviços que não exigem que o navio esteja atracado podem ser realizados durante a navegação. Já intervenções na linha d’água dependem de condições mais estáveis, sem a movimentação provocada pelas ondas.
Especialista alerta para risco de deixar a corrosão avançar
Embora a ferrugem seja esperada em embarcações submetidas a operações prolongadas, Schuster ressalta que o problema precisa ser tratado antes que provoque danos estruturais.
A corrosão pode comprometer componentes de aço quando não recebe manutenção adequada. Por isso, áreas como conveses, passarelas e estruturas de segurança precisam ser acompanhadas durante o processo de conservação.
A recomendação é controlar os pontos de corrosão o quanto antes, evitando que pequenos focos se transformem em problemas maiores e mais caros de reparar.
Longa missão também trouxe outras dificuldades
O desgaste do casco não é o único problema relatado durante o prolongado período de operação do porta-aviões.
O USS Abraham Lincoln também esteve associado a relatos sobre dificuldades de moral entre os militares e problemas relacionados ao abastecimento. Além disso, pelo menos um integrante da tripulação caiu ao mar durante o período de missão.
As condições enfrentadas pelos marinheiros chegaram a provocar críticas, embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha minimizado as preocupações relacionadas à duração do deslocamento.
Trump já criticou ferrugem em navios da Marinha
A preocupação com a aparência e a conservação dos navios militares americanos não é recente.
Durante o governo Trump, o então secretário da Marinha, John Phelan, relatou que o presidente cobrava frequentemente a retirada dos navios dos estaleiros de manutenção e a realização dos reparos necessários.
A ferrugem, segundo relatos de Phelan, era um dos pontos que incomodavam o presidente.
Para os próprios marinheiros, porém, o combate à corrosão está longe de ser uma tarefa agradável. Segundo Schuster, trabalhos de controle da ferrugem estão entre as atividades menos populares dentro de um navio de guerra.
Mesmo assim, após meses de exposição ao ambiente marítimo e de participação em operações militares, a manutenção do USS Abraham Lincoln se torna necessária para preservar a estrutura e garantir que o porta-aviões possa continuar operando com segurança.




