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Operação investiga desvio de quase R$ 2,8 milhões em combustíveis em Mato Grosso

Polícia Civil cumpre 23 ordens judiciais em quatro municípios após identificar mais de 6,5 mil abastecimentos suspeitos envolvendo cartões corporativos de concessionária de rodovias.

🕒 Publicado em 04/11/2026 às 09:21

Uma investigação sobre possíveis irregularidades no uso de recursos destinados à manutenção de rodovias estaduais levou a Polícia Civil de Mato Grosso a deflagrar, nesta quarta-feira (4), a Operação Rota Paralela. A apuração busca esclarecer um suposto esquema de desvio de combustíveis que envolveria funcionários e terceiros ligados às atividades de uma concessionária responsável pela administração de estradas estaduais.

Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 23 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, medidas cautelares, bloqueio de recursos financeiros e restrições de veículos. As diligências são realizadas em Cuiabá, Várzea Grande, Colíder e Alto Taquari.

A operação é conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), com apoio de equipes das Delegacias de Alto Araguaia e Colíder.

Entre as determinações judiciais estão sete mandados de busca e apreensão, seis medidas cautelares diversas da prisão, seis bloqueios de ativos financeiros e quatro restrições judiciais de veículos.

Também foi autorizado o sequestro e arresto de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 2.796.942,48. A decisão permite ainda o acesso aos dados armazenados em dispositivos eletrônicos que eventualmente sejam recolhidos durante as buscas.

Investigação identificou mais de 6,5 mil operações suspeitas

O caso começou a ser investigado depois que a própria concessionária identificou possíveis irregularidades na utilização de cartões corporativos destinados exclusivamente ao abastecimento de veículos e equipamentos utilizados nos serviços de conservação e manutenção das rodovias.

De acordo com a Polícia Civil, o suposto esquema funcionaria por meio de registros de abastecimentos fictícios ou incompatíveis com as atividades da empresa. A prática permitiria a retirada irregular de combustíveis e a geração de créditos em estabelecimentos comerciais.

As apurações também indicam que funcionários responsáveis pelo gerenciamento dos cartões corporativos teriam utilizado suas funções para viabilizar as operações suspeitas, possivelmente com a participação de outras pessoas envolvidas na destinação dos combustíveis.

Análise apontou movimentação de quase R$ 2,8 milhões

Durante o trabalho investigativo, foram analisadas 26.113 transações de abastecimento realizadas entre janeiro de 2024 e julho de 2025.

Desse total, 6.520 operações apresentaram indícios de irregularidades, movimentando aproximadamente R$ 2,8 milhões.

Entre as situações consideradas suspeitas pelos investigadores estão:

  • Abastecimentos registrados durante a madrugada;
  • Operações sucessivas em períodos incompatíveis com a capacidade dos veículos;
  • Utilização de cartões vinculados a equipamentos que não justificariam os volumes de combustível registrados;
  • Registros de abastecimento incompatíveis com as atividades operacionais da concessionária.

Medidas buscam aprofundar investigação e recuperar recursos

As ordens judiciais foram solicitadas com base nos elementos reunidos durante a investigação e autorizadas pelo Poder Judiciário.

Segundo a Polícia Civil, as medidas têm como finalidade aprofundar a apuração, esclarecer a participação individual dos envolvidos, preservar provas e viabilizar a recuperação dos valores que teriam sido desviados.

A investigação segue em andamento para identificar todos os possíveis participantes do esquema e esclarecer a extensão das irregularidades.

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