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MPF denuncia suposta fraude milionária na Unimed Cuiabá com uso de empresa de fachada

Ex-diretores da cooperativa médica são acusados de 26 crimes de estelionato; prejuízo estimado é de R$ 2,7 milhões

🕒 Publicado em 29/07/2025 às 11:33

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta semana uma suposta fraude milionária na Unimed Cuiabá, ocorrida durante a gestão do ex-presidente Rubens de Oliveira Júnior. De acordo com as investigações, R$ 2,7 milhões foram repassados entre 2020 e 2023 a uma empresa de fachada, Alyander Bielik Rubio Ltda., sem comprovação de qualquer serviço prestado.

Segundo a denúncia, os valores foram transferidos em 26 parcelas mensais, por meio de um contrato firmado em 2019, com objeto de prestação de serviços como manutenção de piscinas, fornos e máquinas industriais. Contudo, não há registros de que tais serviços tenham sido executados, conforme depoimentos de ex-funcionários da Unimed e uma ata notarial que embasaram o inquérito.

O caso é um desdobramento da Operação Bilanz, deflagrada pela Polícia Federal em outubro de 2024, que resultou na prisão de seis ex-gestores e colaboradores da cooperativa médica, incluindo:

  • Rubens de Oliveira Júnior (ex-presidente)
  • Suzana dos Santos Palma (ex-diretora administrativa)
  • Ana Paula Parizzoto (superintendente)
  • Jaqueline Larrea (ex-assessora jurídica)
  • Eroaldo de Oliveira (ex-CEO)
  • Tatiana Bassan (contadora)

Empresa de fachada e serviços duplicados

O MPF aponta que os serviços descritos no contrato já eram executados por outra empresa, Organização Morena, o que indica duplicidade contratual. A denúncia ainda destaca a tentativa de ocultar as irregularidades com a produção de um documento de rescisão contratual com data retroativa, assinado por gestores que já não tinham poderes legais à época.

As investigações concluíram que os envolvidos praticaram 26 crimes de estelionato (art. 171 do Código Penal), com continuidade delitiva, o que pode aumentar significativamente as penas, caso haja condenação.

Auditoria revelou rombo de R$ 400 milhões

As irregularidades vieram à tona após a nova diretoria da Unimed Cuiabá, presidida pelo médico Carlos Bouret, determinar uma auditoria independente nas contas da cooperativa. O levantamento apontou que o balanço financeiro de 2022 havia sido maquiado: o relatório oficial indicava superávit de R$ 370 mil, mas a auditoria apontou um rombo de aproximadamente R$ 400 milhões.

A denúncia já foi recebida pela Justiça Federal, que deve decidir nas próximas semanas sobre o andamento do processo e possíveis novas medidas judiciais.

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