O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta semana uma suposta fraude milionária na Unimed Cuiabá, ocorrida durante a gestão do ex-presidente Rubens de Oliveira Júnior. De acordo com as investigações, R$ 2,7 milhões foram repassados entre 2020 e 2023 a uma empresa de fachada, Alyander Bielik Rubio Ltda., sem comprovação de qualquer serviço prestado.
Segundo a denúncia, os valores foram transferidos em 26 parcelas mensais, por meio de um contrato firmado em 2019, com objeto de prestação de serviços como manutenção de piscinas, fornos e máquinas industriais. Contudo, não há registros de que tais serviços tenham sido executados, conforme depoimentos de ex-funcionários da Unimed e uma ata notarial que embasaram o inquérito.
O caso é um desdobramento da Operação Bilanz, deflagrada pela Polícia Federal em outubro de 2024, que resultou na prisão de seis ex-gestores e colaboradores da cooperativa médica, incluindo:
- Rubens de Oliveira Júnior (ex-presidente)
- Suzana dos Santos Palma (ex-diretora administrativa)
- Ana Paula Parizzoto (superintendente)
- Jaqueline Larrea (ex-assessora jurídica)
- Eroaldo de Oliveira (ex-CEO)
- Tatiana Bassan (contadora)
Empresa de fachada e serviços duplicados
O MPF aponta que os serviços descritos no contrato já eram executados por outra empresa, Organização Morena, o que indica duplicidade contratual. A denúncia ainda destaca a tentativa de ocultar as irregularidades com a produção de um documento de rescisão contratual com data retroativa, assinado por gestores que já não tinham poderes legais à época.
As investigações concluíram que os envolvidos praticaram 26 crimes de estelionato (art. 171 do Código Penal), com continuidade delitiva, o que pode aumentar significativamente as penas, caso haja condenação.
Auditoria revelou rombo de R$ 400 milhões
As irregularidades vieram à tona após a nova diretoria da Unimed Cuiabá, presidida pelo médico Carlos Bouret, determinar uma auditoria independente nas contas da cooperativa. O levantamento apontou que o balanço financeiro de 2022 havia sido maquiado: o relatório oficial indicava superávit de R$ 370 mil, mas a auditoria apontou um rombo de aproximadamente R$ 400 milhões.
A denúncia já foi recebida pela Justiça Federal, que deve decidir nas próximas semanas sobre o andamento do processo e possíveis novas medidas judiciais.




