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Mirtilo: a ‘fruta do milhão’ que pode transformar a agricultura em Mato Grosso

Com variedades adaptadas ao clima quente, cultivo do blueberry chega ao estado com potencial de até R$ 1,5 milhão por hectare

🕒 Publicado em 19/07/2025 às 08:17

Antes restrito às regiões mais frias do Brasil, o mirtilo – também conhecido como blueberry – está conquistando novos territórios. Com a introdução de variedades adaptadas ao clima tropical, a frutinha de alto valor comercial desponta como uma oportunidade inédita para pequenos e médios produtores em estados como Mato Grosso.

O presidente da Associação dos Produtores de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir-MT), Hugo Garcia, tem liderado as discussões sobre o potencial do mirtilo no estado. Recentemente, em visita técnica a uma plantação em São Paulo, ele destacou o retorno financeiro impressionante que a cultura pode proporcionar.

“Estamos falando de uma cultura que, em condições ideais, pode render até R$ 1,5 milhão por hectare. Vi de perto uma área com 6.500 plantas, cada uma produzindo cerca de 1 kg. Com o quilo sendo vendido por R$ 90 em São Paulo, são quase R$ 600 mil em menos de meio hectare. É uma oportunidade real e acessível, inclusive para a agricultura familiar”, afirmou Garcia.

Clima quente já não é obstáculo

A expansão da cultura do mirtilo no Brasil está sendo impulsionada pelo desenvolvimento de cultivares que não dependem de baixas temperaturas para florescer. Já é possível encontrar plantações produtivas em regiões do Nordeste, no Cerrado e até na África. Isso abre espaço para que estados como Mato Grosso integrem essa cadeia produtiva promissora.

De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), cerca de 52% do mirtilo comercializado na Ceagesp – o maior entreposto de hortifrúti do país – já é nacional, embora parte significativa ainda venha de países como Chile, Argentina e Peru.

Mercado aquecido e diversificado

O blueberry é uma fruta valorizada tanto no mercado interno quanto no externo. Dependendo da época do ano, variedade e apresentação (in natura, congelada ou processada), os preços variam entre R$ 8 e R$ 200 por quilo. Além disso, seu uso vai muito além da fruticultura tradicional.

Atualmente, o mirtilo também é matéria-prima para geleias, sucos, vinhos, cosméticos, suplementos e até chope artesanal. Em estados como Santa Catarina, a cultura já impulsiona o turismo rural, com colheitas abertas ao público e experiências gastronômicas exclusivas.

Produção nacional ainda é pequena, mas promissora

A área plantada com mirtilo no Brasil está estimada entre 250 e 500 hectares, com uma produção que pode chegar a 750 toneladas por ano. Os principais produtores ainda são os estados do Sul e Sudeste, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, mas novos polos vêm surgindo em Goiás, Distrito Federal, Bahia e Pernambuco.

Com apoio técnico e incentivo à inovação, entidades como a Aprofir-MT acreditam que Mato Grosso pode se tornar referência nacional na produção do “mirtilo tropical”. O foco é ampliar o acesso à fruta para agricultores familiares e empreendedores do campo que buscam diferenciação e alto valor agregado.

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