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NOTÍCIAInsônia crônica pode aumentar riscos de demência, AVC e doenças cardíacas

Insônia crônica pode aumentar riscos de demência, AVC e doenças cardíacas

Dificuldades frequentes para dormir podem comprometer a memória, a concentração e a saúde cardiovascular. Especialistas alertam para a importância de identificar os sintomas e buscar tratamento adequado.

🕒 Publicado em 22/10/2026 às 10:10

Dormir mal de forma recorrente pode trazer consequências que vão muito além do cansaço ao longo do dia. A insônia crônica está associada a problemas que afetam o funcionamento do cérebro e a saúde cardiovascular, incluindo um risco maior de demência, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças cardíacas.

A dificuldade para dormir também é um problema frequente entre os brasileiros. Estimativas citadas por especialistas indicam que quase um terço dos adultos que vivem nas capitais do país apresenta algum sintoma de insônia, como demora para adormecer, interrupções constantes do sono durante a madrugada ou despertar antes do horário previsto sem conseguir voltar a dormir.

Embora uma noite mal dormida possa provocar irritação, sonolência e dificuldade de concentração, a repetição desses episódios merece atenção. Quando os problemas persistem, podem prejudicar a qualidade de vida e estar associados a consequências importantes para a saúde.

Como a falta de sono afeta o cérebro

O sono exerce funções essenciais para o organismo, incluindo a consolidação da memória, a regulação de diferentes processos metabólicos e a manutenção da saúde cerebral.

Durante o sono, especialmente em determinadas fases do descanso profundo, ocorre uma intensa atividade de manutenção do cérebro. Um dos mecanismos estudados envolve a circulação do líquido cefalorraquidiano, também conhecido como líquor, que participa da remoção de resíduos do tecido cerebral.

Esse processo contribui para eliminar substâncias acumuladas durante o funcionamento do organismo. Entre elas estão proteínas como a beta-amiloide e a tau, que são investigadas por sua relação com doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer.

Quando o sono é insuficiente ou apresenta interrupções frequentes, esses mecanismos podem ser afetados. A preocupação dos pesquisadores está nos possíveis efeitos da privação de sono prolongada, especialmente quando associada a outros fatores de risco.

O neurologista Diego Carvalho explica que o problema não está relacionado a uma única noite mal dormida, mas à repetição da falta de descanso adequado ao longo do tempo.

Segundo o especialista, a recuperação insuficiente pode favorecer processos associados ao acúmulo de proteínas no cérebro, contribuindo para alterações que prejudicam a saúde dos neurônios.

Insônia pode estar associada a maior risco de demência

A relação entre problemas persistentes de sono e declínio cognitivo tem sido investigada em diferentes pesquisas.

De acordo com Diego Carvalho, um estudo da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, apontou que pessoas com mais de 60 anos que apresentam insônia crônica tiveram um risco aproximadamente 40% maior de desenvolver demência nos cinco anos seguintes.

O dado reforça a importância de investigar dificuldades frequentes para dormir, principalmente entre pessoas mais velhas.

O especialista ressalta, entretanto, que os efeitos não aparecem necessariamente de forma imediata. A preocupação está relacionada à persistência do problema e à possibilidade de consequências acumuladas ao longo dos anos.

Com o envelhecimento, alterações na qualidade do sono podem se tornar mais difíceis de reverter, o que torna importante reconhecer os sintomas e buscar orientação profissional.

É importante destacar que a associação entre insônia e demência não significa que todas as pessoas com dificuldades para dormir desenvolverão a doença. O risco individual depende de diferentes fatores, e a relação entre sono e declínio cognitivo continua sendo objeto de estudos.

Falta de sono também preocupa pela saúde do coração

Os efeitos da insônia não se restringem ao cérebro. A dificuldade crônica para dormir também está associada a alterações que podem comprometer a saúde cardiovascular.

Segundo Diego Carvalho, pessoas que convivem com problemas persistentes de sono podem apresentar maior risco de eventos como AVC e outras doenças cardíacas.

Além das possíveis consequências a longo prazo, a privação de sono interfere diretamente na rotina. Cansaço excessivo, redução da atenção, irritabilidade e dificuldade para manter a concentração estão entre os efeitos que podem prejudicar as atividades profissionais e pessoais.

O impacto pode ser particularmente preocupante em tarefas que exigem atenção contínua e respostas rápidas.

Patrick, de 35 anos, que trabalha com reabilitação física, relatou que o cansaço provocado pelas noites mal dormidas chegou a comprometer sua atenção durante o trabalho.

Em um dos episódios, ele percebeu que estava tão exausto que quase não conseguiu manter os olhos abertos durante um atendimento. A situação evidenciou os riscos que a sonolência excessiva pode representar para a segurança de quem trabalha e das pessoas atendidas.

A artista plástica e designer de joias Vitória, de 30 anos, também relata consequências da privação de sono. Segundo ela, a sensação de fraqueza e o esgotamento de energia afetam seu bem-estar.

Os relatos mostram como os problemas de sono podem interferir não apenas na saúde, mas também na disposição e na capacidade de realizar tarefas cotidianas.

Quando a dificuldade para dormir exige tratamento?

Nem toda noite mal dormida significa que uma pessoa tenha insônia crônica. O sinal de alerta aparece quando a dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo se repete e começa a prejudicar o funcionamento durante o dia.

O psiquiatra Alexandre Azevedo, do laboratório do sono da Universidade de São Paulo (USP), explica que a insônia deve ser investigada quando os sintomas ocorrem pelo menos três vezes por semana, durante três meses, acompanhados de cansaço, fadiga ou prejuízo nas atividades diárias.

Nessas situações, procurar avaliação médica é importante para identificar as possíveis causas do problema e definir a abordagem mais adequada.

O tratamento não depende necessariamente do uso de medicamentos. Segundo o especialista, as intervenções comportamentais devem ser consideradas na abordagem da insônia, conforme as necessidades de cada paciente.

Entre as medidas que podem ajudar a melhorar a qualidade do sono estão:

  • Reduzir o uso de telas antes de dormir: diminuir a exposição a celulares, computadores e televisores no período noturno pode ajudar a preparar o organismo para o descanso.
  • Evitar cafeína à noite: café, energéticos e outras bebidas com cafeína podem dificultar o adormecimento, especialmente em pessoas mais sensíveis à substância.
  • Manter horários regulares: procurar dormir e acordar em horários consistentes ajuda a organizar o ritmo biológico.
  • Aumentar a exposição à luz natural durante o dia: a claridade natural contribui para a regulação do ciclo de sono e vigília.
  • Buscar orientação profissional: dificuldades persistentes precisam ser avaliadas para identificar fatores que estejam prejudicando o descanso.

Essas medidas podem fazer parte do tratamento, mas não substituem uma avaliação individual quando os sintomas são frequentes ou provocam prejuízos importantes.

Cuidar do sono também é cuidar da saúde

A insônia não deve ser considerada apenas um desconforto passageiro quando passa a fazer parte da rotina. A dificuldade persistente para dormir pode comprometer a disposição, a memória, a concentração e o desempenho nas atividades diárias, além de estar associada a problemas de saúde mais graves.

Por isso, identificar os sintomas e procurar ajuda no momento adequado são atitudes importantes para evitar que o problema se prolongue.

Manter hábitos regulares, reduzir fatores que dificultam o descanso e seguir as orientações de profissionais de saúde são medidas que podem contribuir para melhorar a qualidade do sono.

Dormir bem é uma necessidade fundamental para o funcionamento do organismo. Quando o descanso deixa de ser reparador de forma recorrente, o corpo dá sinais que não devem ser ignorados.

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