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Coreia do Norte pode ampliar envio de tropas para apoiar a Rússia na guerra

País asiático já enviou milhares de militares para o conflito e avalia novos desdobramentos da parceria com Moscou

🕒 Publicado em 20/09/2026 às 07:36

A aproximação militar entre Coreia do Norte e Rússia ganhou uma nova dimensão desde o envio de tropas norte-coreanas para a região de Kursk, no território russo. Depois de sofrer milhares de baixas durante os combates, o contingente enviado por Pyongyang passou por adaptações e passou a atuar em conjunto com as forças russas para conter as operações ucranianas na região.

Agora, novas informações apontam para a possibilidade de um aumento significativo da participação norte-coreana no conflito. Em agosto, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que até 50 mil militares norte-coreanos poderiam ser enviados para a Rússia, acima de uma estimativa anterior de 30 mil.

A movimentação ocorre enquanto Moscou e Pyongyang aprofundam uma parceria que envolve interesses militares, econômicos e estratégicos.

O que aconteceu com os primeiros militares enviados?

A Coreia do Norte deslocou cerca de 13 mil soldados para participar dos combates ao lado da Rússia no fim de 2024. Segundo estimativas apresentadas no material, até 3 mil deles morreram durante as operações.

Apesar das perdas, os militares norte-coreanos passaram a adaptar suas formas de atuação ao ambiente de guerra moderno, marcado principalmente pelo uso intenso de drones.

A Diretoria Central de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia, conhecida pela sigla HUR, estima que aproximadamente 8,5 mil militares norte-coreanos ainda estejam em território russo. Eles estariam distribuídos em quatro brigadas integradas ao chamado Grupo de Forças “Norte”.

Segundo a inteligência ucraniana, a principal função desse contingente atualmente é ajudar na proteção da fronteira russa na região de Kursk. A mesma fonte afirma não ter identificado unidades norte-coreanas atuando em áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia.

O pesquisador Yang Uk, do Instituto Asan, na Coreia do Sul, também avalia que parte dos norte-coreanos permaneça na Rússia em funções relacionadas à defesa territorial, enquanto equipes de engenharia e trabalhadores poderiam estar presentes em outras áreas.

Uma experiência inédita para Pyongyang

O envolvimento em Kursk representa uma operação de grande escala para as Forças Armadas norte-coreanas. Embora o país já tenha enviado militares e pilotos para conflitos internacionais no passado, o número mobilizado para a Rússia tornou a operação uma das maiores experiências militares externas de sua história.

Durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973, cerca de 1,5 mil militares e instrutores norte-coreanos foram enviados ao Egito. Na década de 1960, aproximadamente 87 pilotos do país teriam participado dos combates no Vietnã do Norte.

A experiência adquirida na Rússia, entretanto, possui uma característica diferente: os militares norte-coreanos estão tendo contato direto com uma guerra marcada pelo uso de drones, sistemas de vigilância e novas formas de combate.

Segundo Yang Uk, essa experiência permite que os militares do país conheçam na prática aspectos do combate contemporâneo que dificilmente seriam obtidos apenas por meio de treinamento.

Tropas de elite enfrentaram grandes perdas

Os soldados enviados para a Rússia pertencem ao Storm Corps, unidade considerada de elite das Forças Armadas norte-coreanas.

Relatos de militares ucranianos que enfrentaram essas tropas apontam que os norte-coreanos inicialmente sofreram perdas significativas. A adaptação ao campo de batalha, especialmente diante da presença constante de drones, teria sido um dos principais desafios.

Um soldado ucraniano identificado pelo codinome “Sultão”, integrante da 95ª Brigada de Ataque Aéreo, relatou que os militares norte-coreanos utilizavam grandes grupos de ataque e mantinham movimentação constante.

Também foram relatadas dificuldades de comunicação entre as tropas norte-coreanas e russas, além de problemas relacionados aos equipamentos utilizados pelos soldados.

De acordo com os relatos apresentados no material, alguns militares norte-coreanos teriam sido encontrados sem equipamentos considerados básicos para proteção, como capacetes, coletes e roupas adequadas para o inverno.

Baixo número de prisioneiros chama atenção

Outro aspecto que chamou atenção durante os combates foi o número reduzido de militares norte-coreanos capturados vivos.

Apenas dois soldados norte-coreanos foram capturados vivos em confrontos com as forças ucranianas, apesar de estimativas indicarem que entre 11 mil e 14 mil militares do país tenham participado da campanha de Kursk.

Um terceiro soldado chegou a ser capturado, mas morreu posteriormente em consequência dos ferimentos.

Segundo relatos apresentados no material, alguns militares teriam recebido forte doutrinação para evitar a captura. Em depoimentos registrados posteriormente, prisioneiros afirmaram que consideravam a condição de prisioneiro de guerra inaceitável.

Um deles relatou ter permanecido ferido durante vários dias antes de ser capturado. Outro afirmou que se sentia culpado por ter sobrevivido aos combates e manifestou preocupação com possíveis consequências para seus familiares na Coreia do Norte.

Os dois manifestaram interesse em permanecer na Coreia do Sul, em vez de retornar ao país de origem.

Os ganhos econômicos da parceria

Além da dimensão militar, a cooperação com Moscou também representa uma oportunidade econômica para Pyongyang.

O pesquisador Lim Soo-ho, do Instituto de Estratégias de Segurança Nacional, em Seul, estima que a venda de armamentos e o envio de militares tenham proporcionado à Coreia do Norte cerca de US$ 10 bilhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 51,5 bilhões na conversão mencionada no material.

Para uma economia estimada em cerca de US$ 30 bilhões anuais, esse montante representa uma parcela significativa.

Em contrapartida pelo apoio militar, a Coreia do Norte recebe recursos como alimentos, petróleo e moeda estrangeira.

A relação com Moscou também diminuiu, segundo a análise apresentada, a dependência histórica de Pyongyang em relação à China.

A aproximação ficou evidente em setembro do ano passado, quando Kim Jong-un apareceu em Pequim ao lado do presidente chinês Xi Jinping e do presidente russo Vladimir Putin. O encontro marcou uma rara ocasião pública reunindo os três líderes.

Rússia também precisa de combatentes

A parceria atende a interesses dos dois lados.

Para a Rússia, o apoio estrangeiro ajuda a enfrentar a necessidade de reposição de efetivos após anos de guerra. Estimativas de agências de inteligência ucranianas e ocidentais citadas no material apontam que Moscou registra perdas mensais superiores à capacidade de recrutamento.

Por esse motivo, a Rússia passou a contar com combatentes estrangeiros de diferentes países, incluindo Colômbia, Quênia, Camarões e Coreia do Norte.

Para Pyongyang, por outro lado, o relacionamento oferece acesso a recursos, equipamentos e experiência militar em condições reais de combate.

Novas tropas podem mudar o cenário

A possibilidade de um novo envio de militares norte-coreanos mantém a atenção sobre a evolução da parceria entre os dois países.

Zelensky afirmou que preparativos estariam ocorrendo na região russa de Voronezh para receber novos contingentes e também acusou a Coreia do Norte de preparar o fornecimento de novos armamentos à Rússia.

O governo ucraniano também alerta para os possíveis efeitos dessa cooperação sobre a capacidade militar norte-coreana. Segundo Zelensky, a experiência obtida pela Coreia do Norte em uma guerra real pode contribuir para o desenvolvimento de seus equipamentos e para o treinamento de suas forças.

Até o momento descrito no material, não havia confirmação de tropas norte-coreanas combatendo diretamente em território ucraniano. Uma eventual ampliação dessa atuação poderia gerar novas repercussões diplomáticas, especialmente nas relações entre Ucrânia e Coreia do Sul.

A cooperação entre Moscou e Pyongyang, portanto, deixou de ser apenas uma relação pontual de apoio militar. Os dois países passaram a construir uma parceria que envolve recursos econômicos, armamentos, treinamento e experiência de combate, enquanto cada governo busca vantagens estratégicas em meio à continuidade da guerra.

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