O contato de adolescentes com cigarros eletrônicos foi um dos principais pontos abordados durante uma ação de conscientização realizada pela equipe da Unidade de Saúde do bairro Água Limpa, na sexta-feira (18), com estudantes do 9º ano da Escola Estadual Elmaz Gattas.
A atividade reuniu jovens entre 13 e 18 anos em uma conversa sobre tabagismo, com orientações, dinâmicas e espaço para perguntas. Além dos riscos associados ao cigarro convencional, os profissionais deram atenção especial aos chamados vapes e pods, dispositivos que têm despertado preocupação entre profissionais de saúde e educadores.
Durante a palestra, foram apresentados possíveis efeitos relacionados ao consumo desses produtos, além de orientações sobre prevenção e cuidados com a saúde. A equipe também chamou atenção para a possibilidade de o contato com dispositivos eletrônicos favorecer a experimentação de outras substâncias.
Estudantes relatam experiências
A conversa permitiu que os próprios alunos compartilhassem situações vivenciadas no cotidiano. Alguns relataram que já haviam recebido ofertas ou experimentado cigarros eletrônicos por curiosidade, influência de colegas ou atração pelos diferentes sabores comercializados nesses dispositivos.
A estudante Marina, de 13 anos, contou que já foi convidada por amigos a experimentar, mas decidiu não usar.
“Meus amigos sempre oferecem, mas eu não aceito. Eu vejo que não faz bem e prefiro não usar. Eles respeitam minha decisão e eu também falo para eles não experimentarem”, relatou.
Outra estudante, Miriam, de 14 anos, contou que chegou a experimentar um cigarro eletrônico e teve uma reação negativa.
Segundo ela, após o uso, apresentou tontura e permaneceu com tosse por aproximadamente duas semanas. O quadro levou a estudante a procurar atendimento médico para avaliação e tratamento. Depois da experiência, ela afirmou que não voltou a utilizar o dispositivo.
Equipe destaca importância do diálogo
Para os profissionais responsáveis pela ação, conversar diretamente com os adolescentes é uma estratégia importante de prevenção, principalmente diante dos relatos de jovens que já tiveram contato com os dispositivos.
A palestra foi realizada nos períodos da manhã e da tarde. Segundo a responsável técnica pela atividade, a equipe se surpreendeu com a quantidade de estudantes que relataram algum tipo de contato com cigarros, especialmente os eletrônicos.
“É muito importante conversar com eles de forma aberta, sem julgamento, porque muitos já tiveram contato ou receberam ofertas. Ficamos impressionados com a quantidade de jovens que já tiveram alguma experiência”, destacou.
A proposta, segundo a equipe, é criar um ambiente em que os adolescentes possam esclarecer dúvidas e compreender os possíveis impactos do consumo antes que a experimentação se transforme em um comportamento frequente.
Dispositivos foram apreendidos na escola
Durante a atividade, um dos inspetores da unidade escolar apresentou aos profissionais de saúde uma sacola contendo diversos dispositivos eletrônicos conhecidos popularmente como “pods” ou “vapes”.
Os produtos haviam sido apreendidos dentro da própria escola, evidenciando que o tema já faz parte da realidade enfrentada pela comunidade escolar.
A presença dos dispositivos também serviu como ponto de partida para ampliar a conversa com os estudantes sobre os riscos associados ao consumo e sobre a importância de buscar informações confiáveis antes de experimentar.
Saúde e escola atuam em conjunto
Por ser uma escola militar, a Escola Estadual Elmaz Gattas já desenvolve ações próprias de orientação e conscientização junto aos estudantes.
A participação da equipe da Unidade de Saúde do Água Limpa complementou esse trabalho ao aproximar os profissionais da área da saúde do cotidiano escolar.
A iniciativa também abriu espaço para que os adolescentes pudessem falar sobre situações vivenciadas entre colegas, tirar dúvidas e receber orientações diretamente dos profissionais.
A expectativa é que ações educativas desse tipo contribuam para fortalecer a prevenção ao tabagismo entre os jovens e ampliem o diálogo entre família, escola e serviços de saúde.




