O Brasil reafirmou seu protagonismo internacional no combate à fome e na transformação dos sistemas alimentares durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU (UNFSS+4), realizada nesta segunda-feira (28) em Adis Abeba, na Etiópia. Com foco em soluções urbanas sustentáveis e inclusão social, o país compartilhou os resultados de políticas públicas que contribuíram diretamente para sua retirada do Mapa da Fome, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
A delegação brasileira, liderada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), apresentou iniciativas como a Estratégia Alimenta Cidades, o laboratório de inovação AlimentaLAB e o Marco de Políticas Públicas sobre Sistemas Alimentares e Clima, a ser lançado em outubro.
“Assim como o SUS salvou vidas na pandemia, o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) também salvou milhões de vidas”, destacou o ministro Wellington Dias, durante coletiva no evento.
Alimenta Cidades: foco nas periferias e justiça alimentar
A secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Lilian Rahal, ressaltou que o Alimenta Cidades busca garantir o acesso a alimentos saudáveis nas periferias urbanas e entre as populações mais vulneráveis. A estratégia, lançada em 2023 e agora em sua segunda fase, prevê expansão para 91 municípios, alcançando cerca de 77 milhões de pessoas.
“Mais de 85% dos brasileiros vivem em áreas urbanas e cerca de 25 milhões enfrentam os chamados desertos alimentares, onde não há acesso a alimentos frescos e nutritivos”, explicou Lilian.
Entre as ações implementadas estão o fortalecimento da agricultura urbana, o uso de compras públicas para alimentação escolar, a criação de cozinhas solidárias e o combate ao desperdício de alimentos.
Novo marco sobre clima e alimentação chega em outubro
Representando o MDS, Márcia Muchagata, gerente de projeto, anunciou que o Brasil lançará, ainda em 2025, um marco de políticas públicas que integra alimentação e clima. A proposta foi construída com base em revisões científicas, diálogo com a sociedade civil e articulação intersetorial.
“Trata-se de um instrumento que une o Direito Humano à Alimentação com justiça climática e soberania alimentar, propondo caminhos concretos para uma governança democrática e sustentável dos sistemas alimentares”, afirmou Márcia.
O novo marco se baseia em dois pilares centrais: integração entre políticas públicas e prevenção de conflitos de interesse, com ênfase na participação social.
Inovação e cooperação: AlimentaLAB
Outro destaque brasileiro no evento foi o AlimentaLAB, laboratório de inovação promovido pelo MDS que mapeia e compartilha boas práticas em políticas alimentares locais. Por meio de chamadas públicas, o projeto identifica soluções eficazes em municípios brasileiros, estimulando cooperação Sul-Sul e fortalecendo capacidades regionais.
“Transformar os sistemas alimentares não é apenas uma questão técnica, mas um desafio político baseado no reconhecimento da alimentação como um direito humano”, defendeu Lilian.
Resultados concretos: Brasil fora do Mapa da Fome
As iniciativas apresentadas refletem o novo direcionamento do governo brasileiro na luta contra a fome. O país foi oficialmente retirado do Mapa da Fome da ONU, resultado de uma política integrada que prioriza redução da pobreza, geração de emprego e renda, e fortalecimento da agricultura familiar.
Com uma abordagem baseada na inclusão, sustentabilidade e inovação, o Brasil demonstrou que é possível alinhar o combate à fome com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), construindo sistemas alimentares mais justos e resilientes.

Fonte: Agência GOV.




