A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor à 1h01, pelo horário de Brasília, desta quarta-feira (22). A medida amplia o custo de entrada de diversos itens nacionais no mercado norte-americano e preocupa setores da indústria diretamente afetados.
A sobretaxa foi definida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Entre as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano estão questões relacionadas ao comércio digital, acesso ao mercado de etanol, políticas ambientais e ao sistema brasileiro de pagamentos Pix.
A cobrança de 25% será aplicada adicionalmente às tarifas de importação já existentes. Dessa forma, um produto sujeito atualmente a uma alíquota de 5%, por exemplo, passará a ter uma carga tarifária total de 30% para ingressar no mercado dos Estados Unidos.
Mais de 2,1 mil produtos ficam fora da sobretaxa
Apesar do impacto da medida, mais de 2,1 mil produtos brasileiros ficaram isentos da tarifa adicional por serem considerados estratégicos para a economia norte-americana ou por não terem produção interna suficiente para atender à demanda do país.
Entre os produtos que permanecem fora da nova cobrança estão itens importantes da pauta de exportações brasileiras, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo bruto, aeronaves civis, medicamentos, fertilizantes e diversos minérios.
Por outro lado, segmentos como biocombustíveis, máquinas industriais, siderurgia, calçados, móveis, vestuário e parte da indústria de transformação estão entre os setores que poderão sentir diretamente os efeitos da nova política tarifária.
A medida também estabelece uma regra de transição. Mercadorias embarcadas antes da entrada em vigor da sobretaxa poderão entrar nos Estados Unidos sem a cobrança adicional, desde que atendam ao prazo estabelecido pelas autoridades norte-americanas.
Exportações brasileiras podem sofrer impacto bilionário
Estimativas apresentadas pelo governo federal apontam que aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos poderão ser afetadas pela nova tarifa.
Com base no desempenho comercial de 2024, o volume atingido seria equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões. Outras projeções indicam que o impacto sobre as exportações brasileiras poderá ser ainda maior caso a medida permaneça em vigor por um período prolongado.
Dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) também indicam que os produtos alcançados pela sobretaxa representam bilhões de dólares em vendas anuais ao mercado norte-americano.
Governo brasileiro prioriza negociação
Diante da entrada em vigor das novas tarifas, o governo brasileiro avalia medidas para reduzir os impactos sobre os setores exportadores e preservar empregos e investimentos.
Embora o Brasil disponha de instrumentos legais para responder a barreiras comerciais impostas por outros países, integrantes do governo indicam que a prioridade, neste momento, é buscar uma solução por meio da negociação diplomática e comercial.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que uma eventual resposta brasileira não deverá ocorrer de maneira automática.
“A ideia não é retaliação. Olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos”, declarou Alckmin após reunião com representantes de setores exportadores.
O governo federal também prepara medidas de apoio aos segmentos mais afetados pela nova política tarifária dos Estados Unidos. A expectativa é adotar instrumentos para preservar a competitividade das empresas brasileiras, proteger empregos e buscar novos mercados para os produtos nacionais.




