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NOTÍCIAOperação investiga esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis

Operação investiga esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis

Mandado foi cumprido em empresa de Várzea Grande durante ação que apura estruturas financeiras utilizadas para ocultar patrimônio e origem de recursos

🕒 Publicado em 24/09/2026 às 13:49

Uma empresa do setor de combustíveis localizada em Várzea Grande foi alvo de uma ação do Ministério Público nesta quinta-feira (24), durante a Operação Crédito Oculto. A diligência contou com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso (Gaeco-MT), além do apoio da Receita Federal e do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam-MT).

A operação é coordenada pelo Gaeco de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.

A ofensiva também recebeu apoio dos Gaecos do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.

Ao todo, estão sendo cumpridos 29 mandados de busca e apreensão relacionados a 13 pessoas físicas e 24 empresas.

Investigação é desdobramento da Operação Carbono Oculto

Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), a Operação Crédito Oculto surgiu a partir das investigações da Operação Carbono Oculto.

O objetivo é apurar a existência de estruturas financeiras que teriam sido utilizadas para lavagem de capitais e ocultação dos verdadeiros beneficiários de empresas e ativos relacionados à aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

De acordo com os investigadores, o esquema teria utilizado diferentes instrumentos do mercado financeiro e empresarial, entre eles fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, fintechs e empresas de fachada.

A suspeita é de que essas estruturas tenham dificultado a identificação da origem dos recursos e dos reais responsáveis pelos negócios.

Estrutura teria ocultado proprietários de usina

Um dos primeiros mecanismos identificados na investigação teria sido criado para esconder os verdadeiros proprietários de uma usina sucroalcooleira localizada no interior de São Paulo.

Posteriormente, novas estruturas societárias e financeiras teriam sido incorporadas ao modelo para dificultar a identificação dos responsáveis pelo empreendimento e permitir a realização de operações de grande valor.

Entre os elementos analisados está uma transação estimada em R$ 370 milhões, envolvendo direitos creditórios da usina.

Segundo o MPSP, recursos provenientes de fundos controlados pelo mesmo grupo investigado teriam sido utilizados nas operações, com o objetivo de conferir aparência regular às transações e dificultar a identificação dos beneficiários econômicos.

Aquisição de distribuidora está entre os pontos investigados

As análises financeiras realizadas durante a apuração também apontaram para uma estrutura utilizada na aquisição de uma distribuidora de combustíveis.

Conforme os investigadores, a operação teria envolvido uma rede formada por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada.

A hipótese investigada é de que essa estrutura tenha sido utilizada para afastar os recursos de sua suposta origem ilícita e dificultar a identificação dos financiadores efetivos da operação.

Movimentação de R$ 11,6 bilhões

Outro ponto destacado pelos investigadores é a movimentação financeira de uma empresa utilizada na operação relacionada à aquisição da usina.

Segundo os levantamentos, a companhia teria movimentado aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.

Para a investigação, o volume movimentado, associado aos demais elementos reunidos no caso, reforça os indícios de possíveis práticas de lavagem de capitais, ocultação patrimonial e dissimulação da origem dos recursos.

As medidas realizadas nesta quinta-feira têm como objetivo reunir novos elementos para esclarecer o funcionamento das estruturas e identificar a participação de pessoas e empresas eventualmente envolvidas.

Atuação do Gaeco em Mato Grosso

O Gaeco-MT é uma força-tarefa permanente coordenada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT).

O grupo reúne integrantes do Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo.

Na Operação Crédito Oculto, a atuação em Mato Grosso ocorreu em cooperação com as instituições responsáveis pela investigação em São Paulo e com órgãos federais e estaduais que participam da operação.

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