Os Estados Unidos se preparam para uma das principais disputas políticas de 2026. Marcadas para 3 de novembro, as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, vão renovar parte significativa da estrutura política do país e definir a composição do Congresso para os próximos dois anos.
Embora o presidente Donald Trump não seja candidato nesta votação, o resultado terá impacto direto sobre seu governo. O Partido Republicano, legenda do presidente, tenta manter o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, enquanto os democratas buscam conquistar espaço e ampliar sua influência no Legislativo.
Atualmente, os republicanos possuem maioria nas duas Casas, mas com uma margem relativamente pequena. Uma mudança no comando de qualquer uma delas poderá dificultar a aprovação de projetos do governo e ampliar a fiscalização das ações presidenciais.
O que são as eleições de meio de mandato?
As midterms recebem esse nome porque acontecem aproximadamente na metade do mandato presidencial, que nos Estados Unidos dura quatro anos. Diferentemente do sistema brasileiro, o Congresso americano passa por renovações parciais a cada dois anos.
Os deputados da Câmara dos Representantes cumprem mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem seis anos no cargo.
Por esse motivo, a cada eleição de meio de mandato, todas as 435 cadeiras da Câmara são disputadas, assim como aproximadamente um terço das vagas do Senado. Em 2026, serão escolhidos 35 dos 100 senadores.
A votação também inclui eleições para governador em 36 estados, além de disputas para cargos executivos em territórios americanos e no Distrito de Colúmbia.
Os parlamentares eleitos tomarão posse em janeiro de 2027. Já a próxima eleição presidencial está prevista para 2028.
Por que o resultado é importante para Donald Trump?
A composição do Congresso influencia diretamente a capacidade do presidente de implementar sua agenda política. Com uma maioria favorável nas duas Casas, Trump encontra melhores condições para negociar e aprovar propostas legislativas.
Entretanto, a vantagem republicana é estreita, e divergências entre integrantes do próprio partido já representaram obstáculos para o governo.
Caso os democratas conquistem a maioria em uma ou nas duas Casas, poderão dificultar a aprovação de determinadas propostas presidenciais, além de ampliar o poder de fiscalização sobre o Executivo.
Por isso, mesmo sem disputar cargos, Trump participa ativamente da campanha e tem buscado mobilizar recursos e apoio para os candidatos republicanos.
Desaprovação ao governo entra no cenário eleitoral
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apontou que 66% dos entrevistados desaprovavam o governo Trump, enquanto 31% declararam aprovação.
Segundo o levantamento, a insatisfação está relacionada principalmente à condução da economia e ao custo de vida nos Estados Unidos.
Os índices representam um desafio para os republicanos na reta final da campanha, mas não determinam, isoladamente, o resultado das eleições. A composição do Congresso dependerá dos resultados em centenas de disputas estaduais e distritais, cada uma com suas próprias características.
Como funciona o sistema eleitoral americano?
O modelo eleitoral dos Estados Unidos apresenta diferenças importantes em relação ao brasileiro.
No Senado, cada um dos 50 estados possui duas cadeiras, independentemente do tamanho de sua população. A Câmara dos Representantes, por sua vez, distribui as 435 vagas de acordo com a população dos estados.
Os deputados representam distritos eleitorais, que podem abranger cidades inteiras ou apenas determinadas regiões de um município. Estados mais populosos, portanto, possuem mais representantes na Câmara.
Antes da eleição geral, os partidos realizam primárias para definir seus candidatos. Embora republicanos e democratas concentrem grande parte das disputas, candidatos independentes também podem participar.
Outra diferença está na organização da votação: cada estado administra seu próprio processo eleitoral, incluindo regras de votação e apuração. Não existe um órgão nacional com as mesmas atribuições centralizadas do Tribunal Superior Eleitoral brasileiro.
Quando serão divulgados os resultados?
A votação principal está marcada para 3 de novembro. Em alguns estados, o processo de votação antecipada já começou, e eleitores também podem participar pelo correio, conforme as regras locais.
A apuração costuma começar após o encerramento das seções eleitorais, mas os horários variam entre os estados.
Os primeiros resultados devem aparecer na própria noite da eleição. No entanto, a definição do controle da Câmara e do Senado poderá demorar dias, especialmente em disputas acirradas ou em locais onde a contagem de votos enviados pelo correio leva mais tempo.
Disputa pelo Senado pode mudar a maioria
Atualmente, os republicanos possuem 53 cadeiras no Senado, enquanto os democratas contam com 47 senadores, incluindo dois independentes que costumam votar com a bancada democrata.
A disputa de 2026 poderá alterar essa composição. Projeções eleitorais citadas em levantamentos divulgados em outubro indicam que os democratas têm chances de conquistar a maioria, embora várias disputas permaneçam indefinidas.
O controle do Senado é importante porque a Casa participa da aprovação de leis, da análise de indicações para cargos federais e de outras decisões fundamentais para o funcionamento do governo americano.
Como o vice-presidente J.D. Vance é republicano e preside o Senado, ele pode desempatar votações em determinadas circunstâncias. Por isso, a quantidade de cadeiras necessária para controlar a Casa depende também da composição partidária e das regras aplicáveis a cada votação.
Câmara dos Representantes também está em disputa
Na Câmara, os republicanos possuem uma maioria apertada, o que torna o resultado de novembro especialmente relevante para o governo Trump.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro indicou que 47% dos entrevistados pretendiam votar em candidatos democratas, enquanto 35% declararam preferência por candidatos republicanos.
Projeções publicadas por instituições e plataformas de acompanhamento eleitoral também apontavam possibilidades de avanço democrata. Entretanto, os cenários variavam conforme a metodologia e as disputas consideradas.
O resultado dependerá especialmente das eleições em distritos competitivos, nos quais pequenas diferenças de votos podem determinar qual partido conquistará uma cadeira.
Eleições para governador ampliam a importância da votação
Além do Congresso, as eleições de novembro vão definir governadores em 36 estados americanos.
Também haverá disputas para governador em Guam, nas Ilhas Virgens Americanas e nas Ilhas Marianas do Norte. No Distrito de Colúmbia, os eleitores escolherão o prefeito de Washington.
Essas eleições estaduais são importantes porque os governos locais possuem influência sobre políticas públicas, administração, segurança, educação e outras áreas da vida cotidiana.
Em alguns estados, a disputa pelo governo também pode influenciar a organização política para as eleições nacionais seguintes.
Voto pelo correio gera debate
O voto pelo correio é permitido nos 50 estados americanos, mas as regras variam. Em 37 estados e no Distrito de Colúmbia, os eleitores podem solicitar uma cédula sem apresentar justificativa, segundo o levantamento citado na reportagem original.
O presidente Donald Trump defende mudanças nas regras de votação por correspondência e afirma que elas são necessárias para evitar fraudes eleitorais.
Por outro lado, estados e organizações de defesa do direito ao voto contestaram judicialmente algumas medidas federais, argumentando que a Constituição americana estabelece limites para a atuação presidencial na definição das regras eleitorais.
O tema se tornou parte importante do debate político e jurídico que antecede a votação.
Disputa pelo desenho dos distritos eleitorais
Outra questão que ganhou espaço na campanha é o redesenho dos distritos eleitorais, processo conhecido como redistricting.
O desenho dos distritos influencia a distribuição das cadeiras da Câmara entre os partidos, já que determina quais eleitores integram cada região eleitoral.
No Texas, os republicanos aprovaram mudanças no mapa eleitoral que, segundo as expectativas políticas citadas na reportagem original, poderiam favorecer a legenda. A iniciativa provocou reação na Califórnia, onde os democratas também promoveram alterações com o objetivo de ampliar suas chances eleitorais.
Outros estados também entraram nessa disputa, transformando a divisão dos distritos em um dos temas relevantes da corrida legislativa de 2026.
Campanha deve movimentar bilhões de dólares
As eleições de meio de mandato deste ano podem se tornar as mais caras da história americana. Os gastos e recursos arrecadados por candidatos e organizações políticas já ultrapassaram US$ 15 bilhões, segundo dados da Comissão Eleitoral Federal compilados pela NPR e citados na reportagem original.
Os recursos são utilizados em publicidade, mobilização de eleitores, pesquisas e outras atividades de campanha.
Embora candidatos democratas tenham arrecadado mais dinheiro em diversas disputas, organizações externas alinhadas aos republicanos também possuem recursos expressivos para financiar anúncios e apoiar candidaturas.
Em 20 de outubro, Trump anunciou que investiria mais de US$ 400 milhões para apoiar candidatos republicanos. Do lado democrata, o empresário Michael Bloomberg prometeu destinar US$ 80 milhões ao apoio de candidatos do partido, conforme informações atribuídas à Reuters.
O volume financeiro demonstra a importância estratégica que os dois partidos atribuem à eleição.
Resultado pode influenciar os próximos anos do governo
As midterms de 2026 vão além da renovação de cadeiras legislativas. O resultado poderá redefinir a relação entre a Casa Branca e o Congresso durante a segunda metade do mandato de Donald Trump.
A disputa envolve temas como economia, custo de vida, regras eleitorais, financiamento de campanhas e controle dos distritos legislativos.
A composição que emergir das urnas em novembro será decisiva para determinar o equilíbrio de forças políticas em Washington e as condições para a aprovação de propostas do governo a partir de janeiro de 2027.




