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Deputado Marcelo Aguiar é investigado após disparo de arma em casa noturna de São Paulo

Parlamentar também é alvo de apuração por suspeita de importunação sexual; apresentador Fred Bruno relatou ter sentido o impacto de um projétil no pé durante a confusão.

🕒 Publicado em 20/10/2026 às 05:56

Uma ocorrência registrada durante a madrugada desta segunda-feira (19) em uma casa noturna na Zona Sul de São Paulo colocou o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) no centro de uma investigação policial. As autoridades apuram as circunstâncias de um disparo de arma de fogo no estabelecimento, além de uma denúncia de possível importunação sexual contra mulheres que frequentavam o local.

O episódio aconteceu na casa noturna Santo, situada no bairro do Itaim Bibi. Conforme relatos de testemunhas e policiais que atenderam à ocorrência, o parlamentar teria apresentado sinais de embriaguez e abordado mulheres de maneira inconveniente antes de se envolver em uma discussão com frequentadores.

Durante a confusão, houve um disparo de arma de fogo, provocando pânico entre os clientes. Embora não haja confirmação oficial de pessoas feridas, o apresentador Fred Bruno, da TV Globo, relatou ter sentido um forte impacto no pé e uma sensação de queimação. Em vídeo divulgado após o episódio, ele afirmou que o caso precisa ser investigado e que eventuais responsabilidades não devem ficar sem apuração.

Testemunhas relatam abordagens inconvenientes

Uma frequentadora da casa noturna afirmou que o deputado teria tentado se aproximar de mulheres que não demonstravam interesse em suas investidas. Segundo o relato, ele segurava uma taça de vinho e tentava tocar nas mãos das frequentadoras, além de se aproximar fisicamente e mexer no cabelo de algumas delas.

Ainda conforme a testemunha, uma das mulheres procurou ajuda entre os amigos que estavam com ela. A situação teria motivado a intervenção de dois homens, que foram conversar com o parlamentar.

O registro da Polícia Militar aponta que a discussão começou depois que o deputado teria abordado uma mulher que estava acompanhada de um grupo de amigos.

De acordo com a descrição da ocorrência, os dois homens foram questionar a atitude do parlamentar. Durante o desentendimento, ele teria sacado uma arma de fogo e efetuado um disparo. As circunstâncias exatas do episódio, incluindo a possibilidade de o tiro ter sido acidental, serão investigadas.

Deputado afirma que disparo pode ter sido acidental

Em depoimento às autoridades, Marcelo Aguiar declarou que, caso o disparo tenha partido de sua arma, ele teria ocorrido de maneira acidental.

O parlamentar também afirmou que passou mal enquanto estava na casa noturna e levantou a possibilidade de que o mal-estar estivesse relacionado ao uso de medicamentos. Segundo sua versão, ele ouviu o disparo, mas não apresentou no depoimento a mesma descrição dos fatos relatada por testemunhas sobre as abordagens às mulheres e a suposta embriaguez.

A investigação deverá esclarecer o que aconteceu durante a discussão e se houve alguma tentativa de um dos envolvidos de pegar a arma do deputado antes do disparo.

Após o episódio, o gerente do estabelecimento acionou a Polícia Militar. Os agentes encontraram o parlamentar do lado de fora da casa noturna, retiraram a arma de sua posse e o conduziram à delegacia.

Conforme relatos dos policiais, Marcelo teria adormecido durante o transporte na viatura e chorado ao chegar ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros. Inicialmente, a ocorrência foi registrada como disparo de arma de fogo.

Parlamentar foi liberado após prestar esclarecimentos

O deputado foi liberado após os procedimentos policiais iniciais e responderá à investigação em liberdade. A situação jurídica foi influenciada pelas regras aplicáveis ao caso e pela condição de parlamentar, que também envolve prerrogativas específicas relacionadas ao exercício do mandato.

A pistola Glock G42, de calibre .380, pertencente ao deputado, foi apreendida para a realização de perícia pela Polícia Técnico-Científica. A arma, segundo as informações divulgadas, possui registro legal, e o parlamentar tem autorização para portá-la para defesa pessoal.

Entre os pontos que poderão ser esclarecidos durante a investigação estão a dinâmica do disparo e a existência de vestígios que ajudem a determinar como o tiro foi efetuado.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) também foi questionada sobre a realização de exames para identificar possíveis resíduos de disparo nas mãos do parlamentar e sobre a ausência de testes para verificar a presença de álcool em seu organismo.

Polícia também apura possível irregularidade em veículo

Outro aspecto relacionado ao caso envolve o automóvel utilizado pelo deputado para chegar à casa noturna. Informações divulgadas pela imprensa apontam uma possível irregularidade na utilização de uma placa identificada como oficial da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

O veículo estava estacionado nas proximidades do estabelecimento e não foi apreendido durante o atendimento da ocorrência.

Em manifestação oficial, a Secretaria da Segurança Pública informou que todas as circunstâncias serão apuradas, incluindo a possível utilização de placas adulteradas ou irregulares no automóvel. A pasta acrescentou que essa informação não havia sido comunicada à autoridade policial durante o atendimento inicial.

A investigação deverá verificar a situação do veículo e esclarecer se houve alguma infração relacionada à identificação utilizada.

Investigação depende de autorização judicial

A apuração do caso também envolve questões relacionadas ao foro por prerrogativa de função do deputado estadual. Conforme informações divulgadas pela imprensa, a unidade policial responsável pela investigação aguardava autorização do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para formalizar a abertura do inquérito.

O pedido de autorização já havia sido encaminhado à Justiça, conforme as informações disponíveis sobre o andamento do caso.

A Assembleia Legislativa de São Paulo informou que eventuais condutas do parlamentar poderão ser analisadas pela Comissão de Ética da Casa. Já a administração da casa noturna Santo declarou que está colaborando com as investigações.

Defesa atribui comportamento a reação a medicamentos

Em nota, a assessoria de Marcelo Aguiar afirmou que o deputado estava sob efeito de medicamentos fortes, que teriam provocado uma reação adversa. Segundo a versão apresentada, ele acabou se envolvendo em uma discussão durante a permanência no estabelecimento.

A defesa sustenta que os fatos serão esclarecidos ao longo da investigação. As circunstâncias relatadas pelas testemunhas, a versão apresentada pelo parlamentar e os resultados das perícias deverão ser considerados pelas autoridades na apuração das possíveis responsabilidades.

Até que os fatos sejam esclarecidos, as suspeitas de importunação sexual e as circunstâncias do disparo permanecem sob investigação.

Trajetória política e carreira musical

Marcelo Aguiar tem 53 anos, é casado e tem dois filhos. Além da atuação política, tornou-se conhecido como cantor de música gospel e integrou o Renascer Praise, grupo musical ligado à Igreja Renascer em Cristo, liderada por Sonia Hernandes e Estevam Hernandes.

Entre as músicas associadas à sua carreira estão Me Dá Poder de Filho e Eis-me Aqui. Sua trajetória artística contribuiu para sua projeção pública, especialmente entre o público evangélico.

Na política, foi eleito vereador da cidade de São Paulo em 2008, pelo Partido Social Cristão (PSC), com 41.506 votos. Em 2010, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília, após receber 98.842 votos. Nas eleições seguintes, não conseguiu retornar ao Parlamento federal.

Posteriormente, chegou à Assembleia Legislativa de São Paulo, onde passou a exercer o mandato de deputado estadual.

O caso envolvendo a ocorrência na casa noturna poderá ter desdobramentos tanto na esfera criminal quanto no âmbito político, dependendo dos resultados das investigações e das eventuais medidas adotadas pelas autoridades competentes.

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