A decisão de João Fonseca de interromper sua participação nas competições restantes da temporada de 2026 repercutiu no tênis brasileiro. O ex-tenista e comentarista Fernando Meligeni comentou o afastamento do atleta e sugeriu que ele procure Gustavo Kuerten, o Guga, para conversar sobre os desafios de lidar com a exposição pública e as cobranças do esporte profissional.
Durante o podcast New Balls Please!, nesta segunda-feira (20), Meligeni avaliou que, além dos problemas físicos enfrentados ao longo do ano, o jovem tenista pode estar lidando com o impacto das mudanças provocadas pelo crescimento da carreira e pela atenção recebida do público e da imprensa.
Para o comentarista, os resultados obtidos por Fonseca em 2026 demonstram que a temporada não pode ser considerada negativa do ponto de vista esportivo. Ele destacou as boas atuações do brasileiro, incluindo a vitória sobre Novak Djokovic, e ponderou que a adaptação à nova realidade pode representar um desafio para atletas jovens.
Meligeni aponta pressão da fama como um desafio
Na avaliação de Meligeni, a situação de João Fonseca pode estar relacionada não apenas à confiança em quadra, mas também à dificuldade de administrar a repercussão em torno de sua carreira.
O ex-tenista levantou a possibilidade de que o atleta esteja sentindo o impacto da rápida transformação em sua rotina, com mais compromissos, exposição e expectativas sobre seu desempenho.
Meligeni também mencionou a fadiga como um possível fator, ressaltando que a trajetória de um jogador profissional envolve desafios que vão além da preparação técnica e física.
Sugestão é conversar com Gustavo Kuerten
Durante o comentário, Meligeni recomendou que Fonseca procure Gustavo Kuerten para compartilhar experiências e compreender melhor os desafios relacionados à fama.
Segundo ele, Guga passou por um período de grande exposição pública durante sua carreira e poderia contribuir com conselhos a partir da própria trajetória no circuito profissional.
A sugestão, conforme explicou o comentarista, não seria necessariamente realizar treinamentos juntos, mas passar alguns dias em contato com o ex-número 1 do mundo, conversando sobre as exigências da carreira e a convivência com os holofotes.
A declaração reforça a importância do apoio e da troca de experiências entre atletas de diferentes gerações, especialmente em momentos de mudança na trajetória profissional.
Pausa pode afetar posição no ranking mundial
Mesmo com o encerramento antecipado da temporada, João Fonseca subiu uma posição no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), chegando ao 28º lugar, conforme os dados citados na reportagem original.
O cenário, porém, pode mudar nas próximas atualizações. O brasileiro tem 1.750 pontos e poderá perder 500 referentes ao título conquistado no ATP 500 da Basileia, na Suíça, além de outros 50 pontos relacionados ao Masters 1000 de Paris.
A perda de pontuação pode provocar uma queda significativa no ranking, dependendo dos resultados dos demais tenistas e da atualização dos pontos válidos para a classificação mundial.
Lesões influenciaram o planejamento para 2027
A temporada de 2026 também foi marcada por problemas físicos para Fonseca. O brasileiro sentiu um incômodo na região abdominal, que contribuiu para sua retirada do Masters 1000 de Cincinnati e para sua ausência no US Open. Ao longo do ano, também enfrentou dificuldades na lombar, no punho direito e no ombro.
Inicialmente, o objetivo do atleta era se recuperar a tempo de defender o título na Basileia e disputar o Masters 1000 de Paris, encerrando a temporada em quadra.
Entretanto, após avaliar sua condição física em conjunto com a equipe, Fonseca decidiu priorizar a recuperação e a preparação para 2027. A escolha busca permitir que ele retome as competições em melhores condições para enfrentar os desafios do circuito profissional.
A pausa marca uma etapa de reorganização na carreira do jovem brasileiro, que precisará conciliar a recuperação física com a preparação para a próxima temporada e as exigências de atuar entre os principais nomes do tênis mundial.




