Durante pronunciamento em rede nacional nesta quinta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, chamando a medida de “chantagem inaceitável”. Ele reafirmou que o Brasil responderá com firmeza, porém dentro dos limites diplomáticos e institucionais.
Lula enfatizou que a resposta brasileira será guiada pelo diálogo multilateral, sem abrir mão da defesa da soberania nacional.
“Tentativas de pressionar o Brasil com informações falsas e ameaças econômicas são inaceitáveis e não condizem com uma relação respeitosa entre nações”, afirmou.
Separação dos Poderes e Estado de Direito
Sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula fez referência ao recente uso de seu julgamento como justificativa para a elevação das tarifas pelos EUA. O chefe do Executivo reforçou que o Brasil é um Estado Democrático de Direito, com instituições sólidas e um Judiciário independente.
“Ninguém está acima da lei. As decisões judiciais seguem o devido processo legal. Tentar interferir na Justiça brasileira é ferir a nossa soberania”, declarou.
O presidente também alertou para os perigos do uso indevido das redes sociais, criticando a disseminação de discursos de ódio, anticiência e ataques à democracia. Segundo ele, o governo continuará a combater práticas ilegais nas plataformas digitais para proteger os cidadãos.
Tentativas de Negociação Ignoradas
Lula revelou que o Brasil já buscava uma solução diplomática desde maio, quando foi imposta uma tarifa inicial de 10% sobre as exportações brasileiras. Foram realizadas mais de dez reuniões e enviada uma proposta formal ao governo norte-americano, que, segundo ele, respondeu com ameaças e desinformação.
“Esperávamos diálogo. O que recebemos foi pressão indevida, baseada em argumentos comerciais infundados”, destacou.
O governo brasileiro agora articula uma frente interna envolvendo setores produtivos, sindicatos e sociedade civil para reforçar sua posição diante das barreiras tarifárias. Lula defendeu o uso de todos os mecanismos legais disponíveis, incluindo o acionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a aplicação da Lei da Reciprocidade.
Críticas a Apoio Interno ao Tarifaço
O presidente expressou forte indignação com o apoio de parlamentares brasileiros às sanções norte-americanas.
“São traidores da pátria, que apostam na instabilidade e no prejuízo ao povo para obter ganhos políticos”, afirmou, sem mencionar nomes.
Regulação das Big Techs e Defesa do Pix
Lula também rebateu críticas feitas ao marco regulatório das plataformas digitais e ao sistema de pagamentos instantâneos Pix — ambos apontados como razões para a retaliação norte-americana.
“O Pix é do povo brasileiro e é um dos sistemas mais eficientes do mundo. Não aceitaremos qualquer tipo de ataque a esse patrimônio nacional”, disse.
Ele reforçou que todas as empresas, nacionais ou estrangeiras, devem obedecer à legislação brasileira para operar no país.
“A regulação digital não é censura, é soberania”, resumiu.
Dados Contradizem Alegações dos EUA
Lula apresentou números que, segundo ele, desmontam a tese de concorrência desleal usada por Washington. O presidente destacou que os EUA mantêm um superávit comercial de US$ 410 bilhões com o Brasil há mais de 15 anos.
Sobre a pauta ambiental, outra justificativa apresentada pelo governo Trump, Lula lembrou que o Brasil já reduziu pela metade o desmatamento na Amazônia desde 2023 e reiterou o compromisso de zerá-lo até 2030.
Mensagem Final: União e Respeito Internacional
Encerrando seu pronunciamento, Lula defendeu uma postura firme, mas pacífica, frente ao conflito comercial.
“Guerras tarifárias não têm vencedores. O Brasil acredita no multilateralismo e no respeito entre os povos. Que ninguém se esqueça: este país tem um só dono — o povo brasileiro”, concluiu.




