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Nepal ultrapassa 1,2 mil mortos após inundações e resgate enfrenta corrida contra o tempo

Mais de 4,2 mil pessoas continuam desaparecidas; equipes procuram trabalhadores que podem estar presos em túneis de usinas hidrelétricas

🕒 Publicado em 02/09/2026 às 11:02

As equipes de resgate que atuam no Nepal enfrentam uma corrida contra o tempo diante da dimensão da tragédia provocada pelas recentes inundações. O número de mortos chegou a 1.204, segundo atualização divulgada nesta quarta-feira (2) pela Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do país.

O balanço também aponta que aproximadamente 4.216 pessoas continuam desaparecidas.

Do outro lado da fronteira, no território chinês, pelo menos 21 pessoas morreram, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pela emissora estatal CCTV.

A situação permanece especialmente delicada em áreas montanhosas, onde equipes nepalesas e especialistas estrangeiros trabalham para localizar possíveis sobreviventes e vítimas.

Centenas de trabalhadores continuam desaparecidos

Uma das maiores preocupações das equipes de emergência está relacionada aos trabalhadores de projetos hidrelétricos instalados ao longo do rio Trishuli.

Cerca de 640 trabalhadores estão desaparecidos em diferentes empreendimentos da região, de acordo com informações divulgadas pela autoridade nepalesa responsável pela gestão de riscos.

Ainda não está determinado quantos deles estavam dentro dos túneis das usinas quando as águas atingiram as instalações.

A possibilidade de haver pessoas presas em estruturas subterrâneas aumenta a urgência das operações. Os túneis das usinas são profundos e construídos com estruturas reforçadas, o que pode oferecer alguma proteção, mas também torna o trabalho de localização e acesso mais complexo.

China reabre estrada até a fronteira

Na China, uma importante etapa para ampliar as operações de busca foi concluída com a reabertura total da estrada que dá acesso à passagem de Gyirong, na fronteira com o Nepal.

A recuperação da via permite que veículos e equipamentos pesados cheguem à principal área atingida pelo desastre.

Anteriormente, os danos provocados na rodovia nacional G216 impediam o deslocamento terrestre de grandes máquinas. Por isso, equipamentos e suprimentos precisaram ser transportados por aeronaves para atender as equipes que trabalhavam nas áreas mais afetadas.

Com a estrada novamente liberada, máquinas de grande porte começaram a chegar à região onde funcionava o complexo chinês de inspeção de fronteira.

Cães farejadores e equipamentos procuram sinais de vida

As autoridades chinesas reforçaram as equipes que atuam no local com escavadeiras, dispositivos de detecção de sinais vitais e cães farejadores.

Imagens divulgadas pela CCTV mostram o trabalho de máquinas e socorristas na área devastada.

A utilização desses equipamentos busca aumentar as chances de encontrar pessoas soterradas ou presas sob estruturas destruídas.

Chuvas e terreno instável dificultam resgates

Apesar do reforço na operação, as condições do terreno continuam sendo um dos principais obstáculos.

As equipes trabalham em um desfiladeiro estreito e montanhoso, cercado por encostas instáveis e próximo a um rio de forte correnteza.

As chuvas persistentes também dificultam o deslocamento dos socorristas e aumentam os riscos durante as buscas.

Além da lama e dos destroços deixados pela inundação, existe preocupação com novos deslizamentos de terra nas áreas atingidas.

Risco de novos desastres diminuiu, mas não desapareceu

As autoridades vinham acompanhando a situação de lagos localizados nas regiões mais altas das montanhas. Esses reservatórios naturais poderiam representar um novo risco caso houvesse rompimento e uma grande quantidade de água descesse em direção às áreas já devastadas.

Segundo as autoridades, o perigo relacionado a esses lagos diminuiu.

Mesmo assim, os deslizamentos de terra continuam sendo uma ameaça, principalmente devido às chuvas e à instabilidade das encostas.

Operação entra em momento decisivo

Com mais de 1,2 mil mortes confirmadas no Nepal e milhares de desaparecidos, as equipes de emergência tentam aproveitar a ampliação do acesso terrestre para acelerar as buscas.

A chegada de máquinas pesadas à região de Gyirong representa um avanço importante para remover grandes volumes de lama e destroços.

Ao mesmo tempo, a possibilidade de encontrar sobreviventes entre os trabalhadores das usinas hidrelétricas mantém as equipes mobilizadas, apesar das dificuldades provocadas pelo terreno e pelas condições meteorológicas.

A dimensão da tragédia, porém, ainda não foi completamente determinada. O número de vítimas e desaparecidos pode mudar à medida que novas áreas sejam acessadas e as autoridades consigam cruzar registros, relatos de familiares e informações das equipes de resgate.

cnnbrasil

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