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NOTÍCIAEl Niño deve aumentar extremos climáticos e preocupa Mato Grosso na primavera

El Niño deve aumentar extremos climáticos e preocupa Mato Grosso na primavera

Boletim nacional prevê chuva acima da média no Sul e cenário mais seco e quente no Centro-Oeste, com atenção para déficit hídrico e queimadas

🕒 Publicado em 02/09/2026 às 10:59

A chegada da primavera deve trazer condições climáticas bastante diferentes entre as regiões brasileiras. O novo boletim do Painel El Niño 2026-2027 aponta que a influência do fenômeno poderá favorecer chuvas mais intensas no Sul, enquanto áreas do Centro-Oeste e do centro-norte do país devem enfrentar períodos mais secos, temperaturas elevadas e maior risco de incêndios.

Em Mato Grosso, o cenário merece atenção. A previsão indica possibilidade de chuvas abaixo da média, especialmente no estado, acompanhada de temperaturas acima do normal. A combinação pode aumentar a deficiência hídrica e elevar as condições favoráveis à ocorrência e propagação de queimadas.

O boletim reúne informações de órgãos federais responsáveis pelo acompanhamento meteorológico, climático, hidrológico e de riscos naturais no Brasil.

Boletim reúne dados de diferentes órgãos

A atualização é elaborada conjuntamente pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O documento reúne dados de monitoramento, previsões climáticas e análises sobre possíveis consequências do fenômeno para diferentes setores e regiões do país.

Nesta edição, o período analisado passou a ser setembro, outubro e novembro, abrangendo praticamente toda a primavera. O boletim anterior considerava agosto, setembro e outubro.

Sul concentra risco de chuvas intensas

Enquanto Mato Grosso e outras áreas do Centro-Oeste entram no radar por causa do tempo seco, a principal preocupação no Sul está relacionada ao excesso de chuva.

A análise de períodos anteriores marcados por El Niño forte ou muito forte indica maior possibilidade de episódios de precipitação intensa e grandes volumes acumulados em intervalos curtos.

Esse cenário pode aumentar o risco de enchentes, inundações, enxurradas, alagamentos e movimentos de massa.

O Rio Grande do Sul apresenta o sinal mais consistente de aumento dos extremos de precipitação. Santa Catarina também aparece como área de atenção, principalmente em regiões como Oeste, Meio-Oeste, Planalto, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul.

No Paraná, a tendência é considerada mais irregular, mas determinadas áreas, como sudoeste e centro-sul, Região Metropolitana de Curitiba, Serra do Mar e litoral, também merecem atenção.

Outro fator considerado importante é a pouca presença de déficit hídrico na região. Em julho, apenas 4% da área do Sul estava em condição de seca fraca, concentrada no leste paranaense.

Nordeste enfrenta avanço das condições de seca

No Nordeste, o cenário previsto é diferente. A região tende a registrar chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, combinação que pode aumentar a deficiência hídrica.

Os dados de julho já apontavam uma piora em relação ao mês anterior. A parcela do Nordeste submetida à condição de seca moderada passou de 40% em junho para 45% em julho.

A continuidade do período seco pode pressionar o abastecimento de água e a segurança hídrica, principalmente em áreas onde os reservatórios ainda não recuperaram seus níveis.

Segundo os dados apresentados no boletim, 71 dos 358 açudes monitorados pela ANA estavam com menos de 20% da capacidade, sendo que 47 tinham armazenamento inferior a 10%.

Sudeste também preocupa

O Sudeste aparece entre as regiões que exigem acompanhamento durante os próximos meses.

Em julho, 89% da região estava sob algum nível de condição de seca, enquanto 2% já apresentava seca grave.

Com a influência do El Niño, as temperaturas tendem a permanecer acima da média. O aumento do calor pode elevar a evaporação e contribuir para a perda de umidade do solo.

Caso a estação chuvosa demore a se estabelecer ou registre volumes inferiores aos esperados, a situação hídrica poderá se deteriorar entre a primavera e o verão.

Mato Grosso aparece entre as áreas de atenção

No Centro-Oeste, a previsão de precipitações abaixo da média chama atenção principalmente em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Para o setor agrícola, o cenário pode dificultar o estabelecimento inicial das culturas de verão. Por outro lado, o tempo mais seco pode facilitar a conclusão de algumas atividades de colheita.

O principal ponto de preocupação, entretanto, está relacionado à combinação entre baixa precipitação e temperaturas elevadas, que favorece o aumento do risco de incêndios.

O boletim aponta 514 municípios classificados em nível de Alerta Alto e outros 706 em Alerta, abrangendo aproximadamente 5,85 milhões de quilômetros quadrados.

Os níveis mais elevados de risco estão concentrados principalmente em Mato Grosso, no sul do Amazonas, no Pará e em áreas próximas.

Seca avança em áreas protegidas

A evolução das condições de seca também já é observada em áreas consideradas ambiental e socialmente vulneráveis.

O número de Unidades de Conservação em condição de seca severa passou de sete para 14.

Entre as áreas indígenas, a quantidade aumentou de três para 17. O agravamento foi registrado principalmente em regiões do Pará, Tocantins, Mato Grosso e Amazonas.

A redução da umidade da vegetação e do solo aumenta a preocupação com a propagação do fogo, além de dificultar a recuperação dos níveis dos rios em determinadas áreas.

Amazônia ainda não repete situação de anos anteriores

Apesar das preocupações para a primavera, o boletim destaca que a Amazônia não apresenta, neste momento, uma condição hidrológica excepcionalmente baixa generalizada como a observada em 2023 e 2024.

Os níveis dos rios variam entre as diferentes áreas da região, com pontos específicos apresentando condições mais críticas.

Para setembro, outubro e novembro, entretanto, a previsão indica chuvas abaixo da média em partes do Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas, Acre, norte de Mato Grosso, norte e centro de Tocantins e Rondônia.

As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a Amazônia Legal e também no Pantanal.

Esse conjunto de fatores pode atrasar o início da estação chuvosa no centro e sul da Amazônia e prolongar características do período seco em determinadas localidades.

Primavera pode registrar mais ondas de calor

Outro aspecto destacado pelo Painel El Niño é a possibilidade de aumento na frequência de ondas de calor.

Historicamente, entre setembro e novembro são esperados aproximadamente dois a três episódios. Em anos sob influência do El Niño, porém, a estimativa sobe para cerca de três a cinco ondas de calor.

O boletim também observa que esses eventos vêm se tornando mais frequentes mesmo em anos sem El Niño, possivelmente em razão do aquecimento global.

Ainda assim, os dados indicam uma associação estatística entre o fenômeno climático e uma maior ocorrência desses episódios.

Cenário exige acompanhamento

As projeções mostram que os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o território brasileiro.

Enquanto o Sul deve permanecer sob maior atenção para chuvas intensas e eventos extremos, regiões como Mato Grosso, Nordeste e partes da Amazônia enfrentam perspectivas de menor volume de chuva e temperaturas mais elevadas.

Para Mato Grosso, o acompanhamento das condições climáticas será especialmente importante durante a primavera, principalmente diante dos riscos associados à seca, déficit hídrico e incêndios florestais.

cnnbrasil

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