A possibilidade de construir um túnel na região do Portão do Inferno, ao longo da MT-251 — rodovia que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães — ainda está longe de ser uma certeza. O projeto, que surgiu como alternativa ao corte da encosta, poderá ter um custo mais elevado e enfrenta indefinições dentro do próprio governo estadual.
Nesta quinta-feira (17), o secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Marcelo de Oliveira, conhecido como Padeiro, levantou dúvidas sobre a viabilidade da proposta, afirmando que a decisão final dependerá de estudos técnicos a serem concluídos nas próximas semanas. “Pode ser, pode não ser. Talvez dentro de 15, 20 dias a gente tenha a resposta”, disse o secretário.
A declaração pegou de surpresa o governador Mauro Mendes (União), que havia confirmado publicamente a escolha do túnel como solução definitiva. Segundo Mendes, a proposta foi apresentada oficialmente por técnicos da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra) durante reunião, e recebeu sua autorização para ser desenvolvida. “Se ele falou isso, é diferente do que foi dito para mim na última reunião”, comentou o governador, durante agenda em Várzea Grande nesta sexta-feira (18).
Ainda segundo Mendes, o novo modelo proposto — o túnel — é mais caro do que o plano original de retaludamento (recorte do paredão e estabilização da encosta), mas ainda mais barato do que outras opções já descartadas. No entanto, a mudança de solução exigiria a rescisão do contrato atual com a empresa Lotufo Engenharia e Construções LTDA e a realização de uma nova licitação, o que poderia atrasar ainda mais a execução da obra.
Investimento já realizado
Até o momento, o governo estadual já desembolsou cerca de R$ 10 milhões em serviços realizados com base no projeto anterior, que foi considerado inviável e descartado nesta semana. O contrato original previa um valor total de R$ 29,5 milhões, mas com os aditivos, o investimento previsto chegou a R$ 37,6 milhões.
Enquanto a definição não vem, o trecho da MT-251 continua operando com interdições parciais e riscos frequentes de deslizamentos, gerando apreensão entre motoristas e prejuízos ao turismo e à economia de Chapada dos Guimarães.
Nesta semana, uma audiência pública foi realizada no município para discutir os impactos do problema e cobrar agilidade nas decisões do governo.





