As doenças cardiovasculares continuam representando um importante desafio para a saúde pública brasileira. Até 16 de outubro de 2026, o país havia acumulado 318.945 mortes relacionadas a essas enfermidades, segundo o Cardiômetro, ferramenta da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O levantamento equivale a uma média de 1.194 óbitos por dia, aproximadamente 50 por hora.
Os dados integram o novo Hub de Doenças Cardiovasculares, plataforma desenvolvida pela SBC em parceria com a World Heart Federation (WHF). A iniciativa reúne informações epidemiológicas para ampliar o acesso a indicadores sobre a mortalidade cardiovascular e contribuir para o planejamento de ações de prevenção e assistência à saúde.
Projeções apontam aumento das mortes até 2030
As estimativas disponíveis na plataforma indicam que o número anual de mortes por doenças cardiovasculares poderá aumentar 10,8% até 2030, caso sejam mantidas as tendências observadas nas últimas duas décadas.
Nesse cenário, o total de óbitos passaria de 417.550, registrado em 2024, para uma estimativa de 462.573 em 2030.
O cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, coordenador da plataforma, ressalta que essas projeções representam cenários possíveis, e não previsões definitivas. Segundo ele, mudanças nos fatores de risco, no acesso ao diagnóstico e ao tratamento e na implementação de políticas públicas podem alterar os resultados.
A evolução dos indicadores dependerá, portanto, de medidas capazes de reduzir a ocorrência das doenças e melhorar o atendimento às pessoas afetadas.
Prevenção pode reduzir os riscos
Entre as principais medidas para diminuir a mortalidade cardiovascular estão o controle da hipertensão arterial e do diabetes, a redução do tabagismo, o combate à obesidade e ao sedentarismo e a identificação precoce de problemas cardíacos.
O atendimento rápido também é fundamental em emergências como o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC), situações em que o tempo de resposta pode influenciar diretamente as chances de sobrevivência e recuperação.
De acordo com Antonio Luiz Pinho Ribeiro, os avanços na prevenção e no tratamento contribuíram para uma redução expressiva da taxa de mortalidade cardiovascular nas últimas décadas.
Em 2000, o índice era de 306,4 mortes por 100 mil habitantes. Em 2024, a taxa caiu para 195 óbitos por 100 mil habitantes, uma redução de aproximadamente 36%.
Os números demonstram que intervenções na área da saúde podem contribuir para melhorar os indicadores, embora a manutenção desses resultados dependa da continuidade das ações de prevenção e assistência.
Alagoas lidera taxa de mortalidade entre os estados citados
O novo Hub também permite comparar os indicadores de mortalidade cardiovascular entre as unidades da Federação, evidenciando diferenças regionais.
Conforme os dados apresentados pela plataforma, Alagoas registra a maior taxa entre os estados destacados, com 245,5 mortes por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem o Amapá, com 225,1, e Mato Grosso do Sul, com 220,4 óbitos por 100 mil habitantes.
A comparação dos indicadores estaduais pode ajudar pesquisadores e gestores públicos a identificar desigualdades e direcionar políticas de prevenção e atendimento conforme as necessidades de cada região.
Plataforma reúne dados e estimativas sobre saúde cardiovascular
O Hub de Doenças Cardiovasculares foi apresentado durante a abertura do 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro em conjunto com o Congresso Mundial de Cardiologia.
A ferramenta reúne séries históricas de mortalidade observadas entre 2000 e 2024, além de estimativas epidemiológicas e projeções para os próximos anos. Os usuários podem consultar indicadores por estado, sexo e faixa etária, visualizar comparações e exportar informações.
Para compor os dados, a plataforma utiliza registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, estimativas populacionais disponibilizadas pelo DataSUS com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e estimativas do estudo Global Burden of Disease (GBD) 2023.
A iniciativa pretende facilitar o acesso a informações confiáveis para profissionais de saúde, pesquisadores, jornalistas, gestores públicos e outros interessados no tema.
Com a reunião de diferentes bases de dados em um único ambiente, a expectativa é contribuir para a análise da situação cardiovascular brasileira e para o desenvolvimento de estratégias que reduzam os fatores de risco e a mortalidade associada a essas doenças.
**Informações via Agência Brasil




