A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (29), a segunda fase da Operação Rede Oculta, que investiga um grupo criminoso suspeito de aplicar golpes eletrônicos e lavar o dinheiro obtido ilegalmente. A ação resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva, buscas domiciliares e medidas de sequestro de bens.
Ao todo, foram expedidas 20 ordens judiciais pelo Núcleo do Juízo das Garantias da Regional 1 de Cuiabá contra cinco investigados. Entre as determinações estão cinco mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões, sequestro de veículos e autorização para quebra do sigilo telemático dos aparelhos recolhidos.
A operação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande (DEE-VG), com apoio do Núcleo de Inteligência da unidade.
Quatro investigados foram presos
Entre os presos estão uma influenciadora digital, de 24 anos, e o companheiro dela, de 26, moradores do bairro Tijucal, em Cuiabá. Também foram detidos uma mulher de 35 anos, residente no bairro São Benedito, em Várzea Grande, e o marido dela, de 41 anos.
Segundo a Polícia Civil, o homem de 41 anos já havia sido preso anteriormente por suspeita de envolvimento em fraudes eletrônicas, mas foi colocado em liberdade e acabou detido novamente nesta segunda fase da operação.
O quinto investigado ainda não foi localizado e é considerado foragido.
Durante a ação, a Justiça determinou o sequestro de um Toyota Corolla Cross híbrido, registrado em nome de uma terceira pessoa, mas que, conforme as investigações, era utilizado efetivamente pelos suspeitos.
Os celulares apreendidos passarão por extração e análise de dados, procedimento autorizado judicialmente.
Investigações começaram em 2023
A primeira fase da Operação Rede Oculta foi realizada em 27 de maio de 2024, quando foram cumpridas 30 ordens judiciais contra 15 investigados em Cuiabá e Várzea Grande.
Na ocasião, os policiais apreenderam bens e aparelhos celulares, incluindo um Jeep Compass avaliado em aproximadamente R$ 153 mil.
As investigações tiveram início em 2023, após o recebimento de denúncias anônimas. A análise do material recolhido na primeira etapa, os laudos periciais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e os dados financeiros obtidos mediante autorização judicial ajudaram a aprofundar a apuração e identificar a atuação dos alvos desta nova fase.
Falsos anúncios e golpes por Pix
De acordo com a investigação, o grupo abordava vítimas pela internet, principalmente em redes sociais e plataformas de compra e venda. Entre as modalidades utilizadas estariam anúncios falsos de veículos, o golpe do falso parente e o do falso funcionário de banco.
Após as transferências via Pix, os valores eram divididos entre diversas contas bancárias de terceiros, em quantias inferiores a R$ 10 mil. Posteriormente, o dinheiro era concentrado em uma das pessoas investigadas, que realizava novas redistribuições.
A polícia apura que os recursos eram convertidos em bens de alto valor, como veículos e joias, que seriam exibidos nas redes sociais.
Até o momento, o prejuízo relacionado às vítimas identificadas chega a R$ 414.093. Há registros de vítimas em Mato Grosso e também nos estados do Rio de Janeiro e do Pará.
Suspeitos teriam recrutado pessoas para ceder contas bancárias
Conforme a Polícia Civil, uma das mulheres presas seria responsável por coordenar um subnúcleo do grupo e recrutar pessoas dispostas a ceder contas bancárias para movimentar os valores obtidos com os golpes.
Outra investigada, que se apresentava nas redes sociais como influenciadora digital, publicava conteúdos exibindo um padrão de vida que, segundo os investigadores, seria incompatível com a renda declarada.
A apuração também aponta que o homem de 41 anos teria continuado a orientar a movimentação dos recursos mesmo durante o período em que esteve no sistema prisional, contando com o auxílio da esposa, igualmente presa nesta fase da operação.
Ele também é apontado pela investigação como integrante de uma facção criminosa. Durante a ação, foi encontrada com ele uma pequena quantidade de entorpecentes, e a ocorrência resultou na lavratura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por posse de drogas para consumo pessoal.
Os investigados foram indiciados por suspeita de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Polícia destaca avanço da investigação
O delegado Ruy Peral, responsável pela operação, afirmou que a segunda fase foi resultado do trabalho iniciado a partir de denúncias anônimas e aprofundado com análises técnicas e financeiras.
Segundo ele, a ação busca atingir tanto os suspeitos de executar os golpes quanto o patrimônio que teria sido adquirido com o dinheiro das vítimas.
A Polícia Civil prossegue com a análise dos aparelhos apreendidos e com as diligências relacionadas ao investigado que permanece foragido.




