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Netanyahu mantém força política após eleição e dificulta avanço da oposição em Israel

Com disputa parlamentar indefinida, bloco de direita segue à frente, enquanto partidos árabes conquistam representação histórica e complicam as negociações para a formação de um novo governo.

🕒 Publicado em 29/10/2026 às 10:13

O primeiro-ministro interino de Israel, Benjamin Netanyahu, demonstrou força eleitoral entre os eleitores judeus, mesmo sem garantir maioria parlamentar para seu bloco político. Com mais de 90% das urnas apuradas, projeções das principais emissoras israelenses indicavam que a aliança de direita, extrema-direita e partidos ultraortodoxos obteria 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento do país.

O grupo de oposição liderado por Gadi Eisenkot aparecia com 48 assentos, enquanto os partidos que representam os árabes israelenses poderiam conquistar 19 cadeiras, resultado considerado inédito. A distribuição das vagas, porém, não oferecia um caminho simples para a formação de um governo alternativo.

Sem o apoio dos partidos árabes, a oposição teria dificuldades para reunir os votos necessários para assumir o poder. A possibilidade de uma aliança formal com essas siglas enfrenta resistência de diversos líderes políticos judeus.

Os números ainda poderiam sofrer alterações com a conclusão da apuração. Mesmo assim, o desempenho da oposição ficou abaixo das expectativas apontadas pelas pesquisas anteriores à votação.

Netanyahu pode continuar no comando

Com o cenário parlamentar indefinido, Netanyahu permaneceria à frente do governo interino durante as negociações para a formação de uma nova coalizão. A situação poderia se prolongar até a realização de outra eleição, caso os partidos não chegassem a um acordo.

Segundo Guy Lurie, pesquisador do Instituto da Democracia de Israel, um governo interino mantém formalmente poderes semelhantes aos de uma administração regular. Entretanto, deve agir com moderação e possui menos liberdade para tomar determinadas decisões.

Entre as questões que podem continuar sob responsabilidade do governo estão as decisões relacionadas à segurança nacional e aos conflitos militares envolvendo Israel.

Segurança e confronto com o Irã dominam discurso

Ao discursar para apoiadores do Likud, seu partido, durante a madrugada, Netanyahu defendeu a formação de um governo nacional forte, alinhado à direita.

O premiê também destacou os resultados das operações militares israelenses e mencionou a possibilidade de novas ações conjuntas com os Estados Unidos contra o Irã. Segundo ele, Israel e seu aliado norte-americano teriam uma oportunidade histórica para neutralizar definitivamente o que classificou como uma ameaça iraniana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também comentou o desempenho eleitoral de Netanyahu. Antes da votação, Trump havia defendido a permanência do líder israelense no poder, argumentando que os dois poderiam concluir as ações contra o Irã. Após os resultados preliminares, afirmou que Netanyahu havia se saído muito bem e que seu apoio contribuiu para o desempenho do aliado.

A perspectiva de continuidade da política de segurança do governo provocou reações em outros países do Oriente Médio.

Em Teerã, capital iraniana, imagens do aiatolá Ali Khamenei e do ex-líder do Hezbollah Hassan Nasrallah, ambos mortos, foram exibidas em cartazes que remetiam aos confrontos com Israel e aos ataques militares recentes.

O iraniano Abdollah Karimi, de 50 anos, manifestou preocupação com a possibilidade de novas ofensivas militares.

No Egito, o resultado eleitoral também provocou frustração entre pessoas que esperavam uma mudança na orientação política israelense. O advogado Outhman Selim, de 62 anos, afirmou que tinha esperança de que uma derrota de Netanyahu afastasse o país da extrema-direita.

Eisenkot alerta para uso político da segurança

Gadi Eisenkot reconheceu que Netanyahu continuaria como primeiro-ministro interino, mas advertiu que o atual cenário poderia abrir espaço para o uso político de questões relacionadas à segurança nacional.

O líder oposicionista pediu que representantes das forças de segurança e do serviço público mantivessem sua independência diante de eventuais pressões do governo.

A equipe de Netanyahu já havia rejeitado acusações de que o primeiro-ministro estaria utilizando o conflito com o Irã para obter vantagens políticas. Até o momento descrito no relato, o gabinete não havia respondido a um novo pedido de comentário sobre as declarações de Eisenkot.

Mercados reagem à incerteza política

A falta de uma maioria parlamentar definida também repercutiu no mercado financeiro israelense.

O shekel, moeda nacional, registrou desvalorização de aproximadamente 1,6%, enquanto os principais índices da Bolsa de Valores de Tel Aviv recuaram mais de 3%.

A reação refletiu a preocupação dos investidores com a possibilidade de prolongamento da instabilidade política e com as incertezas em torno da composição do próximo governo.

Eleição evidencia avanço da direita israelense

O resultado eleitoral reforçou uma transformação política observada ao longo dos anos em Israel: o fortalecimento da direita entre os eleitores judeus e a redução do espaço ocupado pelos partidos de centro-esquerda.

A oposição a um Estado palestino independente também passou a reunir diferentes partidos judeus, dificultando a retomada de propostas de paz baseadas na criação de dois Estados, defendida internacionalmente desde a década de 1990.

A votação ocorreu após os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, quando cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 foram feitas reféns, segundo os números citados no relato. Os acontecimentos desencadearam uma sequência de conflitos envolvendo Israel, Gaza e o Líbano, além da escalada militar com o Irã.

A guerra em Gaza provocou destruição em larga escala e milhares de mortes de palestinos. Autoridades de saúde do território estimaram o número de mortos em aproximadamente 74 mil, conforme os dados mencionados na reportagem original. O conflito também ampliou o isolamento internacional de Israel.

Netanyahu enfrenta ainda um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional, relacionado a acusações de crimes de guerra que ele rejeita. Em Israel, o primeiro-ministro também responde a acusações de corrupção, que nega.

Participação eleitoral elevada e mobilização árabe

A participação nas urnas chegou a 77,7%, o maior índice em mais de duas décadas, segundo os dados apresentados no relato. O comparecimento foi especialmente expressivo entre os cidadãos israelenses de origem palestina, que representam mais de um quinto da população.

Parte desse eleitorado foi mobilizada pela oposição ao que considera manifestações de racismo por integrantes do governo de Netanyahu. Entre eles está um líder partidário que já foi condenado por incitação ao ódio racial contra árabes.

Na sede da Lista Conjunta, aliança de partidos árabes, apoiadores comemoraram as projeções eleitorais. A candidata Faten Gattas declarou que o grupo continuaria se posicionando contra a ocupação e o racismo.

A oposição israelense já conseguiu derrubar Netanyahu em uma ocasião anterior com o apoio de um pequeno partido árabe. Desta vez, porém, o desempenho abaixo do esperado do bloco de Eisenkot pode tornar indispensável o apoio da própria Lista Conjunta para viabilizar uma alternativa de governo.

A dificuldade está na resistência histórica de grande parte das lideranças políticas judaicas em estabelecer alianças formais com partidos árabes. Assim, apesar da representação expressiva conquistada por esses grupos, o resultado não garante sua participação em uma eventual coalizão governista.

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