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NOTÍCIARússia acelera construção de base militar para lançar drones contra a Ucrânia

Rússia acelera construção de base militar para lançar drones contra a Ucrânia

Instalação na região de Rostov foi construída em cerca de seis semanas e poderá ampliar a capacidade de ataques russos com aeronaves não tripuladas mais rápidas e difíceis de interceptar.

🕒 Publicado em 15/10/2026 às 10:06

A Rússia está perto de concluir uma nova instalação militar próxima à fronteira com a Ucrânia, que poderá ampliar a capacidade de lançamento de drones de ataque contra o território ucraniano. A avaliação é de especialistas em defesa consultados pela agência Reuters, que analisou imagens de satélite da região.

Localizada em Rostov, no sudoeste russo, a estrutura teria sido construída em aproximadamente seis semanas. O terreno, que ainda estava vazio no fim de agosto, deu lugar a um complexo militar com cerca de 0,9 quilômetro quadrado, área equivalente a aproximadamente 126 campos de futebol.

A construção ocorre em um momento de aumento do uso de drones russos movidos a jato, considerados um desafio adicional para as defesas ucranianas por atingirem velocidades de até 600 km/h.

Com a guerra em larga escala entrando no quinto ano, autoridades ucranianas avaliam que a Rússia poderá intensificar os ataques com drones e mísseis durante os próximos meses, especialmente no inverno europeu.

Nova base poderá receber drones Geran-4 e Geran-5

Segundo Mike Monnik, diretor-executivo da empresa de inteligência DroneSec, as imagens de satélite indicam que a instalação poderá ser utilizada para lançar os modelos Geran-4 e Geran-5, apresentados como os mais novos drones russos movidos a jato.

Na parte oeste do complexo, foram identificadas oito plataformas com estruturas semelhantes a trilhos de lançamento. A instalação poderá ampliar uma rede russa que já conta com pelo menos 11 locais fixos utilizados em operações com drones contra a Ucrânia.

Monnik afirmou que o ritmo das obras demonstra a capacidade russa de colocar rapidamente em funcionamento estruturas voltadas a operações ofensivas.

Na avaliação do especialista, a instalação está próxima de ser concluída, e a entrada em operação poderá ocorrer nas próximas semanas, dependendo do andamento dos trabalhos e da preparação dos equipamentos.

Capacidade de lançamento preocupa especialistas

De acordo com a análise da DroneSec, a nova base poderá ter capacidade para lançar pelo menos 100 drones a jato em um período de 24 horas. Esse número, porém, representa uma estimativa, e a capacidade efetiva dependerá de fatores como disponibilidade de equipamentos, suprimentos e objetivos militares.

A instalação também chamou a atenção de Rob Jordan, diretor de programas do centro de estudos de defesa RUSI. Segundo ele, as plataformas de concreto e os possíveis trilhos de decolagem observados nas imagens apresentam características compatíveis com estruturas de lançamento dos drones da família Geran.

Jordan destacou a rapidez da construção e avaliou que o empreendimento demonstra a confiança russa na capacidade de realizar ataques de longo alcance contra alvos localizados no território adversário.

A proximidade com outras estruturas militares também pode favorecer a proteção da instalação. O complexo fica a aproximadamente 3,5 quilômetros da base aérea russa de Millerovo, onde está sediado o 31º Regimento de Aviação de Caça da Guarda.

Segundo a DroneSec, a localização pode colocar a nova estrutura dentro do perímetro de proteção antiaérea associado à base aérea, o que representaria um obstáculo adicional para eventuais ataques ucranianos.

Drones mais rápidos dificultam a defesa ucraniana

O avanço da nova instalação ocorre paralelamente ao aumento do emprego de drones movidos a jato pelas forças russas.

Dados militares ucranianos divulgados pela Reuters indicaram que o uso desses equipamentos cresceu aproximadamente seis vezes ao longo de três meses durante o verão europeu. Kiev e a região próxima à capital estiveram entre os alvos mais frequentes no período analisado.

A velocidade desses drones representa um desafio para a Ucrânia, que desenvolveu aeronaves não tripuladas interceptadoras de baixo custo para combater modelos anteriores, mais lentos e equipados com motores a pistão.

Com os novos equipamentos, os sistemas de interceptação precisam lidar com alvos que se deslocam mais rapidamente, reduzindo o tempo disponível para detectar, acompanhar e neutralizar as ameaças.

Por esse motivo, Kiev busca alternativas para adaptar suas defesas à evolução tecnológica dos armamentos empregados pela Rússia.

Construção ocorre em meio a tensões com a Otan

A expansão da infraestrutura militar russa também acontece em um cenário de deterioração das relações entre Moscou e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Governos europeus acusam a Rússia de intensificar ações de sabotagem, incursões de drones e ataques cibernéticos contra países do continente. Em setembro, Moscou também teria advertido sobre a possibilidade de recorrer a armas nucleares caso a Otan tentasse isolar o enclave russo de Kaliningrado.

Para Mike Monnik, a combinação entre a produção em escala de drones a jato, o desenvolvimento tecnológico desses equipamentos e as limitações dos sistemas de defesa contra aeronaves não tripuladas representa um desafio para os países ocidentais.

O especialista avalia que a capacidade de mobilizar rapidamente meios para executar ataques de grande escala com sistemas aéreos não tripulados pode criar vulnerabilidades estratégicas para integrantes da aliança militar.

A preocupação não se limita ao conflito na Ucrânia. A expansão das capacidades russas também levanta questões sobre a preparação dos países europeus para enfrentar ameaças aéreas de baixo custo e em grande quantidade.

Imagens de satélite mostram avanço das obras

A rapidez da construção foi evidenciada por imagens de satélite analisadas pela Reuters. Registros de 31 de agosto mostravam veículos em uma área ainda sem sinais aparentes de obras. Na manhã seguinte, novas imagens indicavam que os trabalhos haviam começado.

O complexo ocupa aproximadamente 0,9 quilômetro quadrado. Em uma das análises divulgadas, duas das oito plataformas identificadas já apresentavam trilhos instalados, enquanto outras duas estavam em fase de preparação para receber estruturas semelhantes.

As imagens também registraram novas intervenções no terreno ao longo de vários dias, indicando a continuidade das obras.

Embora a instalação ainda estivesse em construção nas imagens analisadas, especialistas avaliam que sua conclusão poderá ampliar a estrutura logística utilizada pela Rússia para realizar ataques com drones contra a Ucrânia.

O impacto efetivo da nova base dependerá de sua entrada em operação, dos equipamentos disponíveis e da forma como será incorporada às estratégias militares russas.

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