Facilitar o entendimento das informações públicas, reduzir barreiras na comunicação e ajudar a população a conhecer seus direitos são alguns dos objetivos da linguagem simples. O tema esteve em pauta nesta quinta-feira (8), durante o 2º Circuito de Palestras de Linguagem Simples, realizado em Cuiabá pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), por meio da Escola de Governo.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) participou do evento apresentando uma iniciativa da TV Assembleia que busca tornar os assuntos parlamentares mais acessíveis ao público.
Os jornalistas Priscila Almeida e Álvaro Molina apresentaram o projeto “Como é que é?”, que explica expressões e conceitos utilizados no Legislativo por meio de vídeos curtos, com linguagem direta e adaptada às redes sociais.
A proposta nasceu da necessidade de aproximar a população das atividades parlamentares, principalmente das pessoas que não estão familiarizadas com os termos técnicos utilizados no cotidiano da Assembleia.
Priscila Almeida destacou que o principal desafio é transformar assuntos complexos em informações de fácil compreensão, sem comprometer a qualidade do conteúdo. Para ela, tornar a informação acessível é uma das funções essenciais do jornalismo.
Álvaro Molina ressaltou que o formato também estimula a participação do público. Segundo o jornalista, os comentários, as perguntas e os pedidos de esclarecimento recebidos pela equipe demonstram o interesse dos cidadãos em compreender melhor o funcionamento do Parlamento.
Linguagem simples facilita o acesso aos serviços públicos
A palestra principal do circuito foi conduzida pela educadora e comunicadora Heloísa Fischer, fundadora da Comunica Simples e referência nacional no tema. Ela explicou que a linguagem simples coloca o cidadão no centro da comunicação e contribui para que as informações públicas sejam compreendidas por quem precisa utilizá-las.
A especialista chamou a atenção para os desafios relacionados à digitalização dos serviços públicos. Com o aumento dos atendimentos realizados pela internet, muitas pessoas precisam interpretar orientações e preencher solicitações sem o auxílio direto de um servidor.
Nesse contexto, informações confusas podem dificultar o acesso a serviços e direitos. Por isso, segundo Heloísa, não basta disponibilizar documentos e procedimentos em plataformas digitais: é necessário garantir que o conteúdo seja compreendido com facilidade.
Ela também destacou os avanços de Mato Grosso na adoção da linguagem simples pela administração pública estadual. A mudança, conforme a especialista, exige uma transformação cultural que considere as necessidades da população e a responsabilidade das instituições de se comunicar com clareza.
Comunicação clara reduz burocracia
A coordenadora do Escritório Central de Processos de Negócios da Seplag, Regina Godoy, ressaltou que a linguagem simples pode melhorar o atendimento ao cidadão e aumentar a eficiência dos procedimentos administrativos.
O excesso de termos técnicos e expressões burocráticas pode dificultar a interpretação de documentos, atrasar processos e obrigar as pessoas a procurar ajuda para compreender informações que deveriam ser acessíveis.
De acordo com Regina, uma comunicação mais objetiva permite que os cidadãos identifiquem seus direitos, entendam os requisitos necessários para solicitar serviços e evitem deslocamentos desnecessários aos órgãos públicos.
A programação também contou com apresentações de experiências desenvolvidas por outras instituições, incluindo iniciativas aplicadas ao Judiciário e à administração pública.
A participação da TV Assembleia reforçou a importância de utilizar diferentes formatos de comunicação para aproximar as instituições da sociedade e facilitar o acesso à informação.
Mais do que substituir palavras difíceis por expressões simples, a linguagem simples busca garantir que as mensagens sejam compreendidas e cumpram sua função: orientar a população, facilitar o acesso aos serviços públicos e ampliar a participação dos cidadãos na vida pública.




