O grupo rebelde Houthi, apoiado pelo Irã, intensificou os ataques contra a Arábia Saudita e advertiu que está preparado para sustentar um conflito prolongado. As ofensivas recentes tiveram como alvos aeroportos civis e instalações militares sauditas, ampliando as tensões na região.
Na sexta-feira (9), a autoridade de aviação civil saudita informou que três cidadãos do país morreram e pessoas de diferentes nacionalidades ficaram feridas em dois ataques contra o Aeroporto Internacional King Khalid, em Riad, ocorridos na quinta-feira (8). As autoridades também relataram danos materiais.
Os Houthis reivindicaram uma nova onda de ataques contra os aeroportos de Riad e Najran, próximo à fronteira com o Iêmen, além da Base Aérea King Khalid, utilizada pela Força Aérea Real Saudita. Segundo o grupo, foram empregados mísseis balísticos e de cruzeiro, que teriam provocado danos e interrupções no tráfego aéreo.
Imagens divulgadas nas redes sociais e verificadas pela CNN mostraram fumaça sobre o Terminal 4 do aeroporto de Riad e o que aparentava ser uma aeronave saudita danificada. Testemunhas também relataram ter ouvido explosões na capital.
Na quinta-feira, as autoridades sauditas informaram que dois mísseis balísticos lançados em direção a Riad foram interceptados e destruídos. A queda de destroços teria provocado danos em um jardim de infância e em uma clínica médica.
A Missão dos Estados Unidos na Arábia Saudita declarou estar acompanhando os ataques e recomendou que cidadãos americanos redobrem a atenção. O órgão também alertou para a possibilidade de cancelamentos de voos, fechamento do espaço aéreo e outras restrições às viagens.
Funcionários do governo americano passaram a precisar de autorização especial para utilizar o aeroporto de Riad e continuam proibidos de viajar em um raio de aproximadamente 32 quilômetros da fronteira saudita com o Iêmen.
Líder Houthi promete manter ofensiva
Em um discurso transmitido pela televisão na quinta-feira, o líder dos Houthis, Abdul Malik al-Houthi, afirmou que o grupo continuará atacando alvos sauditas e enfrentando forças apoiadas por Riad no território iemenita.
O dirigente também advertiu a Arábia Saudita contra a continuidade de sua campanha militar no Iêmen e declarou que o movimento possui capacidade para resistir durante um período prolongado.
“O povo iemenita possui hoje toda a determinação e os elementos de força, independentemente de quanto tempo a guerra dure”, afirmou al-Houthi.
Os Houthis controlam grande parte do norte do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa. Desde 2015, o grupo enfrenta o governo iemenita internacionalmente reconhecido e forças apoiadas por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita.
Nas últimas semanas, os rebeldes ameaçaram ampliar os ataques contra instalações petrolíferas e aeroportos sauditas. O grupo também emitiu alertas a funcionários, engenheiros e trabalhadores do setor petrolífero, recomendando que evitem locais que possam se tornar alvos militares.
Al-Houthi afirmou que as perdas sauditas aumentarão enquanto o país mantiver suas operações militares e o bloqueio ao Iêmen.
Ofensiva militar amplia combates no Iêmen
A escalada ocorre paralelamente à operação denominada “Amanhecer do Iêmen”, conduzida por forças do governo iemenita apoiadas pela Arábia Saudita. A ofensiva tem como objetivo recuperar territórios conquistados pelos Houthis.
Os combates se intensificaram ao longo da costa ocidental do Iêmen e nas proximidades do Estreito de Bab al-Mandeb, passagem estratégica para o transporte marítimo entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.
Forças governamentais afirmaram ter recuperado posições próximas a Bab al-Mandeb, Mocha e Dhubab. Os Houthis, entretanto, contestaram as informações sobre os avanços militares.
Na quinta-feira, o governo iemenita declarou que suas forças realizaram 1.729 ataques de precisão contra posições do grupo rebelde durante a ofensiva. Segundo as autoridades, as ações resultaram na morte de 1.370 combatentes e na destruição ou inutilização de aproximadamente 300 veículos e outros equipamentos militares.
Os Houthis, por sua vez, acusaram a Arábia Saudita de realizar 59 ataques aéreos e disparos de mísseis contra Sanaa e outras províncias nas 24 horas anteriores, alegando que houve vítimas civis.
As informações divulgadas pelas partes envolvidas não puderam ser verificadas de forma independente pela CNN. O grupo rebelde também rejeitou relatos de perdas expressivas no campo de batalha.
Aeroporto de Áden também foi atingido
No início da semana, mísseis lançados pelos Houthis caíram nas proximidades do Aeroporto Internacional de Áden, principal aeroporto utilizado pelo governo iemenita reconhecido internacionalmente.
Segundo autoridades governamentais, o episódio obrigou um voo comercial procedente do Cairo a mudar sua rota.
Em resposta, a coalizão liderada pela Arábia Saudita anunciou, na quarta-feira, uma operação de grande escala contra posições militares dos Houthis. A ofensiva teria atingido 82 alvos nas províncias de Saada, Hodeidah, Al-Jawf e Marib.
De acordo com a coalizão, entre os alvos estavam depósitos de mísseis, centros de comando, instalações de comunicação e estoques de armamentos.
A intensificação das ofensivas aumenta os riscos para a população civil e para a aviação comercial, além de ampliar as preocupações com a segurança das rotas marítimas estratégicas da região.




