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Doação de órgãos realizada no HMC pode transformar despedida em esperança para outras famílias

Captação mobilizou mais de 50 profissionais e permitiu o encaminhamento de fígado, rins e córneas para pacientes de diferentes estados

🕒 Publicado em 02/09/2026 às 17:11

Em meio a um momento de profunda dor, uma família de Cuiabá tomou uma decisão capaz de mudar a história de outras pessoas. Na manhã desta quarta-feira (2), o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) realizou a captação de múltiplos órgãos e tecidos de um paciente de 51 anos, que sofreu traumatismo craniano após uma queda de aproximadamente 1,5 metro.

O procedimento foi realizado por equipes do HMC, com participação de profissionais especializados que viajaram de Campo Grande (MS). Ao todo, mais de 50 pessoas estiveram envolvidas na operação, que começou às 10h50.

Corredor da honra marcou homenagem ao doador

Antes do início da captação, os profissionais do hospital formaram o chamado corredor da honra, também conhecido como corredor de aplausos. A iniciativa é uma forma de prestar homenagem ao doador e demonstrar respeito à família, que autorizou a doação mesmo diante da perda de um familiar.

O momento foi marcado por emoção e reconhecimento à decisão da família.

Órgãos serão destinados a diferentes estados

Durante a captação foram retirados um fígado, dois rins e córneas. Os órgãos terão diferentes destinos.

  • O fígado será encaminhado para Mato Grosso do Sul;
  • O rim direito seguirá para o Rio Grande do Sul;
  • O rim esquerdo será destinado a Pernambuco;
  • As córneas permanecerão em Mato Grosso para atender pacientes que aguardam por transplante.

Segundo as informações divulgadas pelo hospital, a doação poderá representar uma nova oportunidade para quatro pessoas que aguardam por transplante, além de beneficiar pacientes que necessitam de córneas.

Setembro Verde reforça importância da conscientização

A captação acontece durante o Setembro Verde, período dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.

A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, ressaltou que a decisão da família demonstra solidariedade em um momento de grande sofrimento e destacou a necessidade de discutir o assunto dentro de casa.

A orientação é que as pessoas que desejam ser doadoras conversem previamente com seus familiares e deixem clara essa vontade.

Mais de 50 profissionais participaram da operação

A diretora-geral de Saúde Pública, Kelluby Oliveira, destacou a mobilização das equipes para que todo o procedimento pudesse ser realizado e ressaltou o significado do corredor da honra.

Para ela, a homenagem representa uma demonstração de respeito ao paciente e de gratidão à família que autorizou a doação.

Diagnóstico de morte encefálica segue protocolo rigoroso

O médico Eduardo Andraus, responsável técnico do HMC, explicou que a retirada de órgãos somente ocorre depois da confirmação da morte encefálica, condição considerada irreversível e diagnosticada por meio de protocolos específicos.

De acordo com o especialista, os exames e avaliações são realizados de forma criteriosa para confirmar a ausência das funções cerebrais. Após a confirmação e a autorização da família, é possível iniciar os procedimentos necessários para preservar os órgãos e viabilizar o transplante.

Família precisa autorizar a doação

No Brasil, a doação de órgãos de uma pessoa falecida depende da autorização dos familiares. Por isso, manifestar em vida o desejo de ser doador é importante, mas também é fundamental conversar com os parentes sobre essa decisão.

A mobilização realizada no HMC nesta quarta-feira mostra como uma decisão tomada em meio à dor pode representar esperança para quem espera por um transplante. Para os pacientes que receberão os órgãos e tecidos captados, a atitude dessa família poderá significar uma nova oportunidade de vida.

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