Em meio às altas temperaturas registradas em Cuiabá, a piscina semiolímpica da Emeb Maria Dimpina Lobo Duarte ganhou uma função que vai muito além do lazer. O espaço é utilizado pelos estudantes da unidade e também recebe atividades do Centro de Referência Paralímpico de Cuiabá, ampliando o acesso ao esporte, à inclusão e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.
A estrutura funciona por meio de uma parceria entre o município e o Centro de Referência Paralímpico, com apoio da Secretaria Municipal de Esportes. A iniciativa permite que pessoas com deficiência tenham acesso à natação e a outras atividades esportivas, além de oferecer aos alunos da escola uma alternativa de atividade física e convivência.
Para a diretora da unidade, Fernanda Rosa Alves de Lima, a piscina representa um ganho importante para a rotina escolar.
“O espaço proporciona aos estudantes uma nova possibilidade de atividade física, importante diante das altas temperaturas registradas em Cuiabá. Também tem papel importante no atendimento às crianças neurodivergentes da nossa escola e ao público externo, que é do Centro Paralímpico”, explicou.
Natação contribui para desenvolvimento e bem-estar
Além dos benefícios físicos, as atividades realizadas na piscina contribuem para aspectos emocionais e comportamentais dos alunos.
Segundo Fernanda, a prática esportiva auxilia no desenvolvimento da autonomia, no controle das emoções e na convivência com diferentes situações.
“O esporte é uma das melhores atividades para trabalhar vários sentimentos, como a perda, a vitória, a alegria e a frustração. A natação entra nesse contexto, acalma e proporciona bem-estar”, afirmou.
Os alunos da Emeb utilizam a piscina duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras. Já às segundas, quartas e sextas-feiras, o espaço é destinado às atividades do Centro de Referência Paralímpico.
A natação é conduzida pela professora de Educação Física Kelly Regina da Silva Almeida, integrante do projeto.
Centro Paralímpico oferece seis modalidades
O Centro de Referência Paralímpico mantém parceria com municípios para ampliar o acesso de crianças e jovens com deficiência ao esporte.
Atualmente, Mato Grosso conta com três polos do projeto, entre eles o de Cuiabá. Na capital, são oferecidas seis modalidades: natação, atletismo, bocha, parabadminton, tiro com arco e tênis de mesa.
A natação é realizada na Emeb Maria Dimpina, enquanto as demais modalidades são oferecidas no Complexo Dom Aquino.
“O projeto atende crianças com deficiência intelectual, física e visual. O objetivo é levar o esporte para dentro dos municípios e ampliar essas oportunidades”, explicou Kelly.
Atividade ajuda crianças autistas
Entre as ações realizadas na escola está a aquatividade, voltada especificamente para crianças autistas.
As atividades são desenvolvidas de maneira lúdica, com exercícios de adaptação ao ambiente aquático, interação e estímulo à estabilidade emocional.
Para garantir um atendimento mais individualizado e seguro, cada turma possui no máximo 12 crianças.
Claudinéia Domingas da Silva é mãe de um menino de 7 anos, autista, que participa do projeto há aproximadamente dois meses. Depois de esperar por uma vaga, ela considera a oportunidade uma conquista importante para a família.
“É um sonho. É muito caro pagar particular e não tenho condições. Sem dúvidas, é uma grande oportunidade. Ele já apresenta melhoras no comportamento. Precisaria de mais locais como este”, contou.
Segundo Claudinéia, muitas famílias enfrentam dificuldades para encontrar atividades acessíveis para crianças neurodivergentes.
Famílias relatam mudanças
Rosenda Silva Batista da Costa também acompanha os resultados da atividade. O filho dela, de 26 anos, participa do projeto e, segundo ela, apresenta um desenvolvimento cognitivo semelhante ao de uma criança de 4 anos.
“Ele ama a piscina, o que ajuda muito no desenvolvimento físico e psicológico, além de acalmá-lo”, relatou.
Para Beatriz Melo Oliveira, a natação também trouxe mudanças para a filha de 13 anos, que possui deficiência intelectual e outras condições que demandam acompanhamento constante.
Segundo a mãe, a atividade contribuiu para melhorar a coordenação motora, o humor e também para combater o excesso de peso.
“O projeto ajuda muito. Sem a piscina aqui seria muito difícil. Já precisei me deslocar de ônibus com ela para fazer outras atividades em Várzea Grande. Moro no Jardim União, em Cuiabá, e aqui facilita bastante”, destacou.
Atendimento chega a dezenas de crianças
As atividades do Centro Paralímpico são distribuídas em diferentes horários. As turmas funcionam às 8h, 9h e 10h, no período da manhã, e às 14h, 15h e 16h, à tarde.
A quantidade de participantes varia conforme as condições climáticas, questões de saúde e outros fatores. O atendimento pode alcançar entre 30 e 40 crianças por período.
A piscina também já foi aberta à comunidade aos domingos. Na ocasião, o espaço recebeu principalmente adolescentes e jovens interessados em atividades esportivas e de lazer.
A iniciativa fazia parte da proposta de ampliar o acesso da população a espaços públicos para a prática de atividades físicas, utilizando também a quadra esportiva da unidade.
Atualmente, porém, a abertura aos domingos está suspensa para manutenção e tratamento da água, além da reorganização das atividades realizadas durante a semana.
Da iniciação ao esporte de competição
Além de promover inclusão e iniciação esportiva, o projeto também pode abrir caminho para atletas que desejam avançar para níveis mais especializados de treinamento e competição.
A experiência mostra que uma estrutura escolar pode assumir diferentes funções quando integrada a políticas públicas de esporte e inclusão.
“A piscina vai além de uma estrutura escolar e continua atendendo estudantes, crianças neurodivergentes e pessoas com deficiência, contribuindo para o desenvolvimento emocional e a interação social. O espaço demonstra como a integração entre escola, esporte e comunidade pode gerar oportunidades e inclusão”, destacou o secretário municipal de Educação, Reginaldo Teixeira.
A iniciativa transforma a piscina da escola em um espaço de convivência, aprendizado e inclusão, aproximando educação, esporte e comunidade e criando oportunidades para crianças e jovens que, muitas vezes, teriam dificuldade de acesso a atividades especializadas.




