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Maduro se oferece para ajudar Trump a capturar líderes do cartel Tren de Aragua

Presidente da Venezuela enviou carta a Donald Trump propondo cooperação no combate ao narcotráfico e defendendo diálogo direto para reduzir tensões entre os dois países

🕒 Publicado em 26/09/2025 às 19:22

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ofereceu ajuda ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para localizar e capturar líderes do cartel de drogas Tren de Aragua. A proposta foi feita no início de setembro, após os EUA intensificarem operações militares antinarcóticos no Caribe. A informação foi divulgada pela agência Bloomberg nesta quinta-feira (26).

Segundo a agência, Maduro busca retomar canais de diálogo com Washington e enviou uma carta diretamente a Trump. No documento, o líder venezuelano afirma que pode colaborar na localização dos chefes mais procurados do grupo criminoso, que atua em diversos países da América Latina e se tornou prioridade para o governo norte-americano.

A carta foi enviada poucos dias após um ataque militar dos EUA a uma embarcação venezuelana. Segundo Trump, o barco era utilizado por integrantes do cartel e transportava materiais ligados ao tráfico. Onze pessoas morreram na ação, que marcou o início de uma nova fase da ofensiva norte-americana contra o narcotráfico no Caribe.

Na carta, Maduro negou as acusações de envolvimento da Venezuela com o tráfico de drogas e afirmou que apenas 5% das drogas produzidas na Colômbia passam por seu país. Disse ainda que 70% dessas substâncias foram interceptadas e destruídas pelas autoridades venezuelanas.

“Presidente, espero que juntos possamos derrotar as falsidades que têm manchado nosso relacionamento, que deve ser histórico e pacífico”, escreveu Maduro no documento. Ele também elogiou a atuação do conselheiro norte-americano Richard Grenell, responsável por intermediar a retomada dos voos de deportação de migrantes ilegais entre os dois países.

As tensões entre os governos aumentaram desde que Trump reassumiu a presidência dos EUA e reforçou a presença militar americana no sul do Caribe. A operação inclui sete navios de guerra, um submarino nuclear e caças F-35 posicionados estrategicamente na região. O jornal The New York Times apontou que há cerca de 4.500 militares norte-americanos mobilizados.

Mesmo negando publicamente a intenção de promover uma mudança de regime, Trump intensificou as ações contra o governo venezuelano. Além da recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levem à prisão de Maduro, ataques a embarcações venezuelanas têm se tornado frequentes. No último sábado (20), o presidente americano alertou que a Venezuela deverá aceitar o retorno de todos os prisioneiros deportados ou enfrentará “consequências incalculáveis”.

O governo venezuelano, por sua vez, afirma que nenhuma das vítimas dos ataques pertence ao Tren de Aragua e classificou as ações como parte de uma campanha de desinformação. Maduro afirma que os EUA utilizam essas operações para justificar uma possível escalada militar.

Enquanto diplomatas e analistas discutem os próximos passos, setores do governo Trump parecem divididos. De um lado, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, defendem maior pressão. Do outro, Richard Grenell e aliados preferem manter abertos os canais diplomáticos.

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