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NOTÍCIAVárzea Grande precisa de bilhões para superar déficit histórico no saneamento

Várzea Grande precisa de bilhões para superar déficit histórico no saneamento

Audiência pública debate novo plano para água e esgoto, enquanto estudo aponta investimentos de até R$ 3,2 bilhões até 2060

🕒 Publicado em 13/08/2026 às 09:56

A dimensão dos problemas enfrentados por Várzea Grande na área de saneamento básico foi colocada em evidência durante uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (12), no Ginásio Fiotão. O encontro discutiu a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem para a concessão dos serviços de abastecimento de água do município.

Durante a audiência, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu uma mudança profunda na gestão do setor e afirmou que a recuperação da infraestrutura exigirá investimentos bilionários e articulação política para viabilizar os recursos.

Segundo ele, o município enfrenta um problema construído ao longo de décadas e precisará de um amplo processo de reestruturação para alcançar níveis adequados de atendimento.

Estudo prevê até R$ 3,2 bilhões em investimentos

Os números apresentados durante a audiência fazem parte de um levantamento técnico elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).

O estudo estima que sejam necessários investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, considerando ações previstas até 2060.

A projeção considera a necessidade de ampliar significativamente a infraestrutura existente, principalmente na área de esgotamento sanitário.

Entre os principais objetivos está alcançar 90% de cobertura de esgoto até 2033. Para atingir essa meta, a rede de coleta precisaria crescer de aproximadamente 403 quilômetros para 1.584 quilômetros.

Isso representa quase quatro vezes a extensão atualmente existente.

Para Sérgio Ricardo, o tamanho do desafio demonstra que a solução não poderá depender apenas dos recursos disponíveis no orçamento municipal.

O conselheiro defendeu a articulação entre diferentes níveis de governo para buscar financiamentos e investimentos capazes de transformar a infraestrutura de saneamento da cidade.

Perdas de água chegam a quase 60%

Outro problema apontado durante a audiência está relacionado à eficiência do sistema de abastecimento.

Segundo os dados apresentados, quase 60% da água produzida é perdida antes de chegar adequadamente aos consumidores.

O levantamento também aponta que apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água.

A situação tem reflexos diretos na rotina dos moradores.

Falta de água faz parte da rotina de moradores

De acordo com o estudo, 73,9% da população relatam enfrentar falta de água diariamente ou semanalmente.

O aposentado Benedito da Costa, morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados, relatou durante a audiência as dificuldades enfrentadas pela comunidade.

Segundo ele, moradores dependem do abastecimento realizado por caminhões-pipa para conseguir manter o fornecimento de água durante a semana.

O relato expôs uma realidade que, segundo os dados apresentados, ainda afeta diversas famílias do município.

Plano deverá seguir para a Câmara Municipal

A audiência pública realizada no Fiotão corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande para atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico.

A próxima fase será o encaminhamento do documento à Câmara Municipal, onde o plano deverá ser analisado pelos vereadores.

Após a tramitação, a expectativa é que o planejamento seja aprovado e transformado em lei.

A prefeita Flávia Moretti destacou a importância de transformar o planejamento em uma política permanente, que não fique condicionada às mudanças de administração.

A intenção é estabelecer metas e diretrizes que possam ser acompanhadas ao longo dos próximos anos, independentemente de quem esteja no comando do município.

TCE-MT acompanha solução para contratos

Os problemas relacionados ao saneamento de Várzea Grande também vêm sendo discutidos em uma mesa técnica do Tribunal de Contas de Mato Grosso.

A iniciativa foi solicitada pela Prefeitura e começou em dezembro de 2025. O objetivo é construir uma solução técnico-jurídica para questões relacionadas ao contrato firmado com o Consórcio Lumevix.

O acordo envolve a implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, incluindo a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).

Obras estão paralisadas há anos

O contrato foi firmado em 2016, com previsão inicial de conclusão das obras em 12 meses.

Entretanto, quase nove anos depois, os trabalhos permanecem paralisados.

Entre os fatores apontados estão disputas judiciais, reprogramações financeiras, dificuldades relacionadas ao licenciamento ambiental e baixa evolução física das obras.

A situação integra o conjunto de desafios que precisam ser enfrentados para ampliar a cobertura de esgoto e melhorar a infraestrutura de saneamento do município.

Desafio é transformar planejamento em execução

Com a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico, Várzea Grande passa a ter um diagnóstico mais detalhado das necessidades do setor e uma projeção dos investimentos necessários para os próximos anos.

O principal desafio, a partir das próximas etapas, será transformar as metas estabelecidas no planejamento em obras, investimentos e melhorias efetivas para a população.

A discussão envolve não apenas a ampliação das redes de água e esgoto, mas também a redução das perdas, a melhoria da distribuição e a criação de uma estrutura capaz de garantir a continuidade dos serviços.

Para um município que enfrenta problemas históricos no abastecimento e no tratamento de esgoto, o avanço do plano representa uma etapa importante na busca por soluções de longo prazo.

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