Com a proximidade das Eleições Gerais de 2026, a quantidade de informações que circula pelas redes sociais e aplicativos de mensagens aumenta, assim como a preocupação com conteúdos falsos ou manipulados. Para ajudar os eleitores a reconhecer possíveis tentativas de desinformação, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) lançaram uma nova campanha de educação midiática.
A iniciativa faz parte de um Acordo de Cooperação Técnica firmado entre as duas instituições e reúne ações educativas, informativas e de utilidade pública voltadas à orientação do eleitorado e à divulgação de informações relacionadas ao processo eleitoral.
A campanha corresponde à segunda etapa do projeto Comunicação Cidadã – Eleições Gerais 2026 e começou a ser divulgada nesta semana.
Entre os materiais produzidos estão vídeo de 60 segundos, spots para rádio, anúncios para jornais e revistas, banners, carrosséis e conteúdos destinados às redes sociais.
Campanha alerta para conteúdos fora de contexto
A proposta utiliza situações comuns no ambiente digital para mostrar como uma informação verdadeira também pode ser utilizada de maneira enganosa quando apresentada parcialmente.
Entre os exemplos estão declarações retiradas do contexto original, fotografias antigas divulgadas como se fossem atuais, títulos exagerados e conteúdos modificados por ferramentas de inteligência artificial.
A gerente de Marketing da ALMT, Noemia Almeida, explica que essa abordagem deu origem ao conceito “A verdade recortada”.
A ideia é mostrar que uma informação pode ter seu significado alterado quando apenas uma parte do conteúdo é apresentada ao público.
Segundo a organização, a campanha procura orientar o eleitor sem culpabilizá-lo, estimulando uma postura mais crítica diante das informações recebidas diariamente.
Do celular à urna
Os materiais também abordam temas diretamente relacionados ao período eleitoral.
Entre os assuntos estão informações falsas sobre pesquisas eleitorais, urna eletrônica e locais de votação, além da utilização de conteúdos antigos apresentados como acontecimentos recentes.
A campanha chama atenção ainda para materiais produzidos ou alterados por inteligência artificial.
Um dos conteúdos trata das chamadas deepfakes, tecnologia que pode reproduzir rostos, vozes e imagens com alto grau de semelhança, dificultando a identificação de uma manipulação.
A orientação é ter cuidado especialmente com conteúdos que provoquem uma reação imediata, como indignação, medo ou surpresa, e verificar a origem da informação antes de compartilhá-la.
Checagem é apontada como principal ferramenta
Para o assessor de Comunicação Social do TRE-MT, Daniel Dino, o objetivo não é transformar o cidadão em especialista em tecnologia, mas incentivar o hábito de conferir as informações antes de repassá-las.
Entre os cuidados sugeridos estão observar quem produziu o conteúdo, verificar se existe uma fonte identificada e procurar a mesma informação em veículos de comunicação confiáveis.
Quando o assunto estiver relacionado à Justiça Eleitoral, a recomendação é consultar diretamente os canais oficiais da instituição.
A estratégia considera ainda a velocidade com que informações circulam em redes sociais e grupos de mensagens, onde uma publicação pode alcançar um grande número de pessoas em pouco tempo.
Prebunking: informação antes da desinformação
Uma das estratégias utilizadas pela campanha é o prebunking, conceito que consiste em apresentar antecipadamente ao público algumas técnicas frequentemente utilizadas para produzir ou disseminar conteúdos enganosos.
A intenção é fazer com que o cidadão reconheça determinados padrões antes de ser exposto a uma informação falsa.
Dessa forma, a campanha busca fortalecer a capacidade de análise dos eleitores diante de conteúdos que possam surgir durante o período eleitoral.
Combate à desinformação e democracia
A presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, destaca que o acesso a informações confiáveis está relacionado à liberdade de escolha do eleitor.
Na avaliação da magistrada, a formação da opinião do cidadão precisa ocorrer a partir de informações que possam ser verificadas, especialmente em um período em que diferentes conteúdos disputam a atenção do público.
A parceria entre as instituições também permite ampliar o alcance da iniciativa, reunindo o conhecimento técnico da Justiça Eleitoral e a estrutura de comunicação da Assembleia Legislativa.
Segunda etapa do projeto
A atual campanha é a segunda fase do projeto Comunicação Cidadã – Eleições Gerais 2026.
A primeira etapa foi realizada em abril e teve como objetivo orientar os eleitores sobre o prazo para emissão, transferência e regularização do título de eleitor.
Agora, a iniciativa concentra esforços na educação midiática e na prevenção da desinformação durante o processo eleitoral.
Comunicação integrada
O secretário de Comunicação Social da ALMT, coronel Henrique Santos, ressaltou a importância da cooperação entre as instituições durante o período eleitoral.
A Assembleia dispõe de diferentes canais de comunicação, como televisão, rádio, redes sociais e outras plataformas, que serão utilizados para ampliar a divulgação dos conteúdos da campanha.
A expectativa é alcançar diferentes públicos em Mato Grosso e incentivar uma atitude simples, mas importante: antes de acreditar ou compartilhar, verificar.
Com a aproximação das eleições, a orientação é que os eleitores tenham atenção redobrada diante de mensagens recebidas por redes sociais e aplicativos, especialmente quando o conteúdo apresentar informações alarmantes, imagens duvidosas ou afirmações sem fonte.




