A composição da chapa governista para as eleições de 2026 em Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (11). O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) decidiu retirar seu nome da disputa pelo cargo de vice-governador na chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos).
A decisão ocorre após uma reunião marcada por tensão entre integrantes do grupo político e encerra, pelo menos neste momento, o impasse em torno da participação de Garcia na chapa majoritária.
Com a saída da disputa, o parlamentar deve voltar sua atenção para a tentativa de reeleição à Câmara dos Deputados, enquanto as lideranças governistas passam a discutir alternativas para ocupar a vaga de vice.
O nome de Fábio Garcia vinha sendo trabalhado nos bastidores para integrar a chapa de Pivetta. Em junho, o ex-governador Mauro Mendes havia reconhecido que Garcia estava entre os nomes avaliados e destacado sua experiência política e atuação no governo estadual.
Apesar disso, o próprio Mendes afirmou publicamente que a escolha do vice deveria caber a Pivetta.
Impasse dividiu lideranças
A indicação de Garcia passou a enfrentar resistência dentro da própria base governista. O cenário provocou uma disputa nos bastidores sobre a composição da chapa e sobre quem deveria ter maior influência na definição do futuro companheiro de Pivetta.
De um lado, Mauro Mendes defendia a presença de Garcia no projeto eleitoral. Do outro, Pivetta teria sinalizado preferência por avaliar outras possibilidades para a vaga.
O impasse ganhou força até chegar a uma reunião realizada no Palácio Paiaguás, que reuniu Pivetta, Mauro Mendes e outras lideranças políticas.
O encontro teria sido marcado por divergências e aumentou o desgaste entre os dois principais nomes do grupo governista. Mendes e Pivetta mantêm uma aliança política construída ao longo dos últimos anos, mas a definição da chapa passou a expor diferenças sobre a formação do projeto eleitoral.
Garcia deixa a disputa
Diante da dificuldade para chegar a um entendimento, Fábio Garcia optou por retirar sua candidatura à vice.
A decisão elimina a disputa em torno de seu nome, mas não encerra as articulações para definir quem ocupará a vaga ao lado de Pivetta.
O deputado agora deve concentrar sua estratégia eleitoral na Câmara Federal, cargo que já ocupou e para o qual reassumiu o mandato após deixar a chefia da Casa Civil de Mato Grosso.
Quem pode ocupar a vaga?
Com a retirada de Garcia, o grupo governista terá de buscar uma nova alternativa para a composição da chapa.
Entre as possibilidades discutidas nos bastidores está uma aproximação com o Podemos, partido comandado em Mato Grosso pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi.
A legenda já demonstrou interesse em participar da composição majoritária. Entretanto, informações divulgadas anteriormente indicavam que Russi trabalhava para apresentar um nome de seu próprio grupo, e não necessariamente alguém ligado diretamente a outro núcleo político.
Outra possibilidade é que o próprio União Brasil apresente uma alternativa para manter a participação da legenda na chapa.
Futuro da aliança entre Mauro e Pivetta entra no radar
Embora a desistência de Garcia resolva a questão imediata envolvendo seu nome, o episódio acrescenta uma nova variável ao cenário eleitoral de Mato Grosso.
A principal questão agora é saber se o desgaste provocado pelas negociações terá impacto sobre a relação política entre Mauro Mendes e Otaviano Pivetta.
Até aqui, os dois seguem integrando o mesmo campo político e defendendo a continuidade do projeto governista. Pivetta é tratado como o nome da base para a sucessão estadual, enquanto Mendes articula sua própria candidatura ao Senado.
A definição do vice, portanto, passa a ser uma das principais peças do tabuleiro eleitoral. A escolha poderá indicar não apenas a composição partidária da chapa, mas também o equilíbrio de forças entre os diferentes grupos que integram a base governista.
As negociações devem continuar nas próximas semanas, com novas reuniões e articulações entre partidos e lideranças de Mato Grosso.




