O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mirar o BRICS — bloco atualmente composto por 11 países, incluindo Brasil, China, Rússia e Índia — ao afirmar nesta sexta-feira (18) que pretende impor tarifas de 10% sobre todas as nações do grupo. Segundo o republicano, o BRICS tenta “desafiar a hegemonia do dólar”, algo que ele prometeu “não permitir”.
Em discurso realizado na Casa Branca, Trump ironizou a recente cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, dizendo que “ninguém apareceu”, em referência às ausências dos líderes Xi Jinping (China) e Vladimir Putin (Rússia). Ainda segundo o ex-presidente, o bloco “não vai durar muito” e nem “seguirá adiante” de forma significativa.
“Se o BRICS se organizar de verdade, vai acabar rapidamente”, afirmou Trump, sem detalhar o que significaria esse suposto “fim rápido”.
Dólar sob ataque?
A crítica mais dura de Trump é direcionada ao que ele vê como uma tentativa de substituir o dólar como moeda global de referência. Ele afirmou que “perder o valor do dólar é como perder uma guerra”, e que não permitirá que nenhum país “brinque com os Estados Unidos e com sua moeda”.
Essa fala ocorre em meio à presidência do Brasil no BRICS, justamente quando os EUA anunciaram tarifas de 50% para produtos brasileiros — medida vista como uma retaliação comercial velada.
Criptomoedas ganham apoio presidencial
O ataque ao BRICS veio durante a assinatura da Lei Genius, nova regulamentação voltada ao setor de criptomoedas. A legislação cria regras para as stablecoins, moedas digitais atreladas ao dólar, com o objetivo de aumentar a segurança e a confiança dos consumidores nesse mercado.
O evento contou com executivos da indústria de criptoativos, parlamentares republicanos de alto escalão e cerca de 200 convidados. Trump aproveitou a ocasião para reforçar seu apoio ao setor:
“Vocês foram rejeitados e desacreditados, mas agora recebem validação oficial”, declarou. “É bom para o dólar, bom para o país… e sim, eu também fiz isso pelos votos”, disse, arrancando risos da plateia.
Pressão global
A postura combativa de Trump sinaliza um aumento da tensão econômica com países emergentes, especialmente à medida que o BRICS ganha relevância geopolítica. A retórica mais agressiva também serve como aceno aos setores conservadores e empresariais dos EUA, especialmente no ano eleitoral.




