Nesta terça-feira (22), a Terra registrará seu dia mais curto do ano até agora, ao completar uma rotação em torno de seu próprio eixo em 1,34 milissegundo a menos do que as habituais 24 horas. Embora imperceptível no dia a dia, o fenômeno chama a atenção de cientistas que monitoram variações na velocidade da rotação terrestre.
Em julho, esse encurtamento já havia ocorrido em menor grau no dia 9, e um novo pico está previsto para 5 de agosto. Apesar de não representar nenhum risco, o evento reforça a complexidade dos fatores que influenciam o movimento do planeta.
Um piscar de olhos é muito mais longo
Para efeito de comparação, um piscar de olhos leva cerca de 300 milissegundos — ou seja, a redução do dia é centenas de vezes menor do que isso. Mesmo assim, esse tipo de registro é monitorado com extrema precisão, graças a relógios atômicos em uso desde os anos 1960.
O recorde de dia mais curto já observado aconteceu em 29 de junho de 2022, quando a rotação foi 1,59 milissegundos mais rápida que o normal.
Por que isso acontece?
A rotação da Terra não é constante. Desde sua formação, o planeta vem desacelerando de forma gradual, mas oscilações momentâneas — como essa atual aceleração — podem ocorrer. Essas variações estão ligadas a múltiplos fatores naturais, como:
- Movimentos do núcleo terrestre
- Dinâmica dos oceanos e atmosfera
- Distribuição de massas no planeta
Segundo Fernando Roig, diretor do Observatório Nacional, essas mudanças fazem parte do comportamento natural da Terra: “Há bilhões de anos, um dia tinha apenas cinco horas. Com o tempo, a rotação diminuiu, mas isso acontece de forma irregular, e, às vezes, temos essas acelerações pontuais”.
O que muda para nós?
A princípio, nada muda no cotidiano. Porém, ao longo de décadas, variações acumuladas podem descompassar nossos relógios. Para corrigir isso, os cientistas utilizam o chamado “segundo bissexto”, que pode ser:
- Positivo: adicionado quando a Terra se atrasa
- Negativo: subtraído quando o planeta acelera, como pode ser o caso atual
Desde 1973, já foram inseridos 27 segundos bissextos no tempo oficial. Caso a tendência de dias mais curtos continue, pode ser necessário, pela primeira vez, remover um segundo dos nossos relógios.
Ainda não é possível prever se isso será necessário, pois a duração e a intensidade dessas acelerações são incertas.




