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Stablecoins dominam mercado de criptoativos no Brasil antes de nova exigência da Receita Federal

Ativos digitais atrelados a moedas tradicionais responderam por cerca de 80% das negociações em 2025 e passarão a ser informados por meio da plataforma DeCripto.

🕒 Publicado em 30/06/2026 às 17:02

As criptomoedas conhecidas como stablecoins consolidaram-se como o principal ativo digital negociado no Brasil e passaram a liderar com ampla vantagem o mercado nacional de criptoativos. Dados da Receita Federal mostram que esses ativos representaram aproximadamente 80% do volume financeiro declarado em 2025, às vésperas da entrada em vigor de um novo sistema de fiscalização das operações.

A partir de julho, passa a ser obrigatória a utilização da plataforma DeCripto, criada pela Receita Federal para reunir informações sobre transações envolvendo ativos digitais. A medida foi instituída pela Instrução Normativa RFB nº 2.291/2025 e adequa o Brasil ao padrão internacional de transparência definido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por meio do Crypto-Asset Reporting Framework (CARF).

Segundo o Fisco, o novo modelo de declaração busca ampliar o monitoramento das movimentações financeiras com criptomoedas, fortalecendo ações de combate à lavagem de dinheiro, à evasão de divisas e ao financiamento de atividades ilícitas.

As stablecoins são criptomoedas desenvolvidas para acompanhar a cotação de moedas emitidas por bancos centrais, como o dólar e o real. Essa característica reduz a volatilidade típica dos demais criptoativos, tornando esses ativos amplamente utilizados em transferências internacionais, proteção patrimonial e operações financeiras.

Os números da Receita Federal revelam uma mudança significativa no comportamento do mercado brasileiro. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram declarados aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações com os principais criptoativos. Desse montante, cerca de R$ 1,13 trilhão correspondeu às stablecoins, representando 71,7% de todo o volume negociado no período.

A evolução foi acelerada. Em 2019, esses ativos respondiam por apenas 3,5% das negociações mensais. Em 2022, a participação já havia alcançado 79,7%, chegando a 91,5% em 2023, quando registrou pico de 94,3% em julho. Nos anos seguintes, mesmo com a valorização de outras criptomoedas, o percentual permaneceu elevado, variando entre 76% e 80%.

O maior volume financeiro da série histórica foi registrado em novembro de 2025, quando as operações com stablecoins movimentaram R$ 39,7 bilhões em apenas um mês.

Entre as moedas estáveis, a USDT, emitida pela empresa Tether e vinculada ao dólar norte-americano, domina o mercado brasileiro. Segundo a Receita, ela concentrou 88,7% de todo o volume declarado entre 2019 e 2025, o equivalente a aproximadamente R$ 1 trilhão. Em seguida aparecem a USDC, com participação de 7,1%, e a BRZ, indexada ao real, responsável por 3,4% das operações.

O crescimento também é observado na quantidade de negociações. No período analisado, foram registradas aproximadamente 185,7 milhões de operações envolvendo stablecoins. Somente em novembro de 2024, esses ativos responderam por 18,2 milhões de transações, dentro de um total de 31,9 milhões de operações com criptoativos declaradas naquele mês.

Com a implementação da DeCripto, a obrigação de prestar informações passará a abranger também plataformas estrangeiras que ofereçam serviços a investidores brasileiros. A exigência valerá tanto para empresas estabelecidas no país quanto para prestadoras sediadas no exterior que atuem no mercado nacional, conforme previsto na Lei nº 14.754/2023 e na Instrução Normativa RFB nº 2.291.

A Receita Federal ressalta que o envio dessas informações será obrigatório independentemente da existência de imposto a recolher, reforçando o objetivo de ampliar a transparência e o controle das operações com ativos digitais.

**Informações via Agência Brasil

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